Obra de referência
Dicionário de Economia
Os conceitos da economia explicados do simples ao avançado, em termos claros e confiáveis.
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Termos essenciais
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Por área da economia
Adalmir Antonio Marquetti
O professor da PUCRS que pesquisa taxa de lucro, distribuição e mudança técnica na tradição clássico-marxiana: a dinâmica do capitalismo brasileiro medida com dados.
Adelar Fochezatto
O professor da PUCRS que pesquisa economia regional com modelos de equilíbrio geral e insumo-produto: como reformas e políticas afetam crescimento e distribuição nas regiões.
Adriana Sbicca
A economista da UFPR que pesquisa decisão, heurísticas e racionalidade limitada: a tradição de Simon e Kahneman em produção brasileira, da sala de aula à simulação.
Adriano José Pereira
O professor titular da UFSM que pesquisa inovação, instituições e desenvolvimento: o institucionalismo aplicado à economia brasileira, com livro publicado e a escola de Santa Maria.
Alessandro Donadio Miebach
O professor da UFRGS que pesquisa regimes de crescimento e conflito distributivo na tradição clássico-marxiana: a distribuição funcional da renda no Brasil, em produção documentada.
Alex Sander Souza do Carmo
O professor da UEPG que pesquisa comércio internacional e desindustrialização: como o câmbio e o padrão de comércio afetam a indústria, e o que está em jogo quando uma economia perde peso fabril.
Animal spirits
O termo de Keynes para o impulso espontâneo, mais emocional que calculado, que leva empresas a investir diante de um futuro que nenhuma conta consegue prever.
Armadilha da liquidez
A situação em que os juros estão tão baixos que cortá-los mais não estimula a economia: todos preferem reter dinheiro, e a política monetária perde a força.
Automação e emprego
O debate antigo e sempre atual sobre se a tecnologia destrói mais empregos do que cria, do tear mecânico à inteligência artificial, e por que a resposta histórica é mais complexa do que o medo sugere.
Câmbio
O preço de uma moeda em relação a outra: quanto custa um dólar em reais, e o que isso muda nos preços, nas viagens e na economia.
Ciclo econômico
O movimento recorrente da economia em ondas de expansão e contração: o sobe e desce de produção e emprego que se repete ao longo do tempo.
Controle de preços
A fixação de preços por decreto, abaixo ou acima do nível de mercado: a história brasileira do congelamento de 1986 é o caso-escola mundial de por que ele falha.
Assimetria de informação
A situação em que uma parte de um negócio sabe mais que a outra: o vendedor que conhece o defeito, o tomador que conhece o próprio risco.
Aversão à perda
O achado de Kahneman e Tversky: a dor de perder uma quantia é psicologicamente maior que o prazer de ganhar a mesma quantia, e isso distorce nossas decisões.
Bem público
Um bem cujo uso por uma pessoa não impede o de outra e do qual é difícil excluir quem não paga: como a iluminação pública ou a defesa nacional.
Bens de Giffen e de Veblen
As duas exceções famosas à lei da demanda: o arroz do pobre que encarece e se compra mais (Giffen) e o luxo que atrai porque é caro (Veblen).
Bens meritórios
Bens que o Estado incentiva ou impõe porque julga que as pessoas, deixadas só com suas escolhas, os consumiriam de menos, como educação, vacinas e cinto de segurança, um conceito tão útil quanto polêmico.
Bens substitutos e complementares
Bens que se substituem (um no lugar do outro) ou se completam (usados juntos): relações que explicam por que o preço de um mexe na procura do outro.
Ações
Pequenas frações da propriedade de uma empresa: ao comprar uma ação, você vira sócio e participa dos lucros e dos riscos do negócio.
Alavancagem
Usar dinheiro emprestado (ou instrumentos que o simulam) para montar uma posição maior que o próprio capital. Amplifica os ganhos na exata medida em que amplifica as perdas.
BDR
O recibo negociado na B3 que representa uma ação estrangeira: o jeito de investir em gigantes globais em reais, sem abrir conta lá fora, com câmbio embutido no preço.
Bolha especulativa
A alta de preços que se alimenta de si mesma: compra-se porque sobe e sobe porque se compra, até o dia em que a música para. Das tulipas ao subprime, o roteiro se repete.
Bolsa de valores
O mercado organizado onde se compram e vendem ações e outros ativos: o ponto de encontro entre quem tem dinheiro e quem precisa dele.
CDB
O título em que você empresta dinheiro ao banco e recebe juros: o banco usa esses recursos para emprestar a outros clientes e vive da diferença entre as taxas.
Amortização (SAC e Price)
Os dois jeitos de pagar um financiamento: no SAC a parcela começa alta e cai; na Price é fixa. A diferença muda quanto você deve ao longo de décadas.
Consórcio
O grupo que poupa junto para comprar: cada mês, sorteio e lance contemplam alguns com a carta de crédito. Não tem juros, tem taxa de administração e tem espera.
Crédito
A confiança que permite usar hoje um dinheiro que se pagará depois: a base do empréstimo, do financiamento e do cartão.
Endividamento
O acúmulo de dívidas além da capacidade de pagar: o ponto em que o crédito, de ferramenta, vira uma bola de neve difícil de parar.
FGTS
O fundo em que o empregador deposita 8% do salário todo mês em nome do trabalhador: poupança compulsória que protege na demissão e financia habitação no país.
Inadimplência
O não pagamento de uma dívida no prazo combinado: o risco que o credor enfrenta e que define o preço do crédito para todos.
Arcabouço fiscal
O conjunto de regras que limita o crescimento dos gastos públicos para manter a dívida sob controle, substituto do teto de gastos no Brasil desde 2023.
Banco Central
A autoridade que cuida da moeda de um país: controla a inflação pela taxa de juros, zela pelo sistema financeiro e emite o dinheiro.
Carga tributária
A soma de tudo o que governo arrecada em impostos e contribuições, medida como fatia do PIB: a estatística mais citada (e mais mal lida) do debate público brasileiro.
Copom
O Comitê de Política Monetária do Banco Central: o colegiado que se reúne a cada 45 dias para definir a taxa Selic, o juro básico que baliza toda a economia.
Curva de Laffer
A curva que liga alíquota e arrecadação: zero rende zero, cem por cento também. Entre os extremos há um pico, e a briga é sobre de que lado dele estamos.
Déficit público
Quando o governo gasta mais do que arrecada num período: o buraco do ano que, somado ao longo do tempo, forma a dívida pública.
Balança comercial
A diferença entre o que um país exporta e o que importa de bens: superávit quando vende mais, déficit quando compra mais.
Balança de pagamentos
O registro completo de todas as transações de um país com o resto do mundo: comércio, serviços, rendas e fluxos de capital.
Centro-periferia
O conceito de Raúl Prebisch e da CEPAL: a economia mundial se divide entre um centro industrial e uma periferia que exporta matérias-primas, e essa estrutura tende a se reproduzir.
Doença holandesa
O paradoxo em que a exportação de recursos naturais valoriza tanto o câmbio que sufoca a indústria do país: a riqueza do subsolo empobrecendo a da fábrica.
Dumping
A exportação por preço inferior ao praticado no mercado de origem: a acusação comercial mais usada do mundo e uma das mais difíceis de separar da concorrência legítima.
Globalização
A integração crescente das economias do mundo, pelo comércio, capital, tecnologia e pessoas: encurta distâncias e acirra interdependências.
Cesta básica
O conjunto de alimentos essenciais cujo preço é acompanhado mês a mês: a régua mais concreta do custo de vida e do poder de compra do salário mínimo.
Desigualdade
A distribuição desigual de renda ou riqueza numa sociedade, medida por índices como o de Gini: um número entre a igualdade total e a concentração absoluta.
IDH
O índice da ONU que mede o desenvolvimento de um país combinando saúde, educação e renda, criado para mostrar que progresso é mais do que crescimento do PIB.
IGP-M
O índice de preços da FGV conhecido como inflação do aluguel: mede preços do atacado, do varejo e da construção e reajusta contratos de aluguel e tarifas.
Índice de Gini
O indicador que resume a desigualdade de renda de um país num número entre 0 e 1: quanto mais perto de 1, mais concentrada a renda está no topo.
Inflação
A perda contínua do poder de compra do dinheiro: com o tempo, a mesma quantia compra menos.
Alienação do trabalho
O conceito do jovem Marx para a experiência do trabalhador que não se reconhece no que faz: na produção capitalista, o trabalho lhe é externo e o produto, alheio.
Armadilha malthusiana
A tese de Thomas Malthus: como a população cresceria mais rápido que a produção de alimentos, todo ganho de renda seria engolido por mais bocas, travando o progresso.
Bens comuns
Recursos compartilhados de uso comum, como pastos, pesqueiros e florestas, que podem ser geridos de forma sustentável por regras coletivas.
Busca de renda
O esforço de obter ganhos capturando privilégios do Estado (subsídios, tarifas, reservas de mercado) em vez de criar valor, com desperdício de recursos para a sociedade.
Cálculo econômico
O argumento de Ludwig von Mises: sem preços de mercado, formados pela propriedade privada e pela troca, não há como calcular racionalmente o que produzir e com quais recursos.
Capital humano
O estoque de conhecimento, habilidades e saúde das pessoas, que eleva sua produtividade: educação e treino vistos como investimento, não como custo.
Abba Lerner
O economista russo-britânico (1903-1982) que propôs julgar o orçamento público pelos seus efeitos, não por regras de bom senso doméstico: as finanças funcionais, raiz distante da Teoria Monetária Moderna.
Abhijit Banerjee
O indiano (1961-) que trocou as grandes teorias da pobreza por perguntas pequenas e respondíveis: cofundador do J-PAL, coautor de Poor Economics e Nobel de 2019 com Esther Duflo e Michael Kremer.
Adam Smith
O filósofo escocês (1723-1790) que fundou a economia moderna: em A Riqueza das Nações, mostrou a ordem que emerge quando cada um busca o próprio interesse sob concorrência.
Albert Hirschman
O alemão-americano (1915-2012) impossível de classificar: saída e voz, os encadeamentos do desenvolvimento e a retórica da intransigência. O economista das possibilidades.
Alfred Marshall
O inglês (1842-1924) que deu à economia sua caixa de ferramentas: oferta e demanda em tesoura, elasticidade, curto e longo prazo. O professor de quem todos descendem.
Alice Amsden
A americana (1943-2012) que estudou de perto como a Coreia do Sul saiu da pobreza: subsídio em troca de meta de exportação, proteção com cobrança, e a tese de que industrializar tarde é aprender, não inventar.
Abertura econômica da China
As reformas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978 que abriram a China ao mercado sem largar o controle do Estado e do partido, e que tiraram centenas de milhões de pessoas da pobreza.
Bretton Woods
O acordo de 1944 que desenhou a ordem monetária do pós-guerra, com câmbio fixo ancorado no dólar conversível em ouro, e que criou o FMI e o Banco Mundial.
Choque do petróleo
As disparadas do preço do petróleo em 1973 e 1979 que jogaram o mundo na estagflação e quebraram a crença de que sempre se troca um pouco de inflação por menos desemprego.
Consenso de Washington
O conjunto de dez reformas pró-mercado que John Williamson catalogou em 1989 como a receita dominante para a América Latina, e que viraria sinônimo de neoliberalismo e alvo da crítica estruturalista.
Crise asiática de 1997
O efeito dominó que, em 1997, derrubou as moedas e economias do Sudeste Asiático, expondo os riscos da abertura financeira e o papel controverso dos resgates do FMI.
Crise da COVID-19
O choque econômico de 2020 em que a economia mundial foi desligada de propósito para conter um vírus, e religada com estímulo recorde, deixando como herança a volta da inflação.