No dia a dia
O que é, em palavras simples
Inflação alta é ruim, mas hiperinflação é outra coisa: é o dinheiro derretendo nas mãos. Os preços mudam de manhã e de tarde. O salário que comprava o mês inteiro não compra quase nada uma semana depois. Todos correm para gastar o que recebem no mesmo dia, antes que perca valor, e ninguém quer guardar moeda. O Brasil viveu isso até meados dos anos 1990. É uma das experiências econômicas mais destrutivas que uma sociedade pode atravessar.
No seu bolso
Inflação alta x hiperinflação
Inflação alta
- ›Preços sobem rápido
- ›A moeda ainda cumpre suas funções
Hiperinflação
- ›Mais de 50% ao mês
- ›A moeda derrete e é abandonada
Indo mais fundo
Como funciona
O que conta como hiperinflação
O economista Phillip Cagan propôs um critério prático: há hiperinflação quando os preços sobem mais de 50% ao mês, o que equivale a multiplicar por mais de cem vezes ao ano. A causa típica é a emissão descontrolada de moeda para cobrir déficits que o governo não consegue financiar de outra forma. É a teoria quantitativa da moeda em sua versão mais brutal.
Quando a moeda morre
Na hiperinflação, a moeda perde suas funções: deixa de ser reserva de valor (ninguém guarda), de unidade de conta (preços passam a ser cotados em outra moeda ou indexados) e quase de meio de troca. Estancá-la exige cortar a raiz, o financiamento monetário do déficit, e reconstruir a confiança, em geral com uma nova moeda e um programa de estabilização, como foi o Plano Real no Brasil, em 1994.
Visão técnica
A leitura da escola Monetarista
A referência clássica no estudo da hiperinflação é Phillip Cagan, em The Monetary Dynamics of Hyperinflation (1956), que ofereceu o critério quantitativo mais usado:
"Uma hiperinflação começa no mês em que a alta dos preços excede 50% e termina no mês anterior àquele em que a alta mensal cai abaixo desse patamar e assim permanece por pelo menos um ano." (Phillip Cagan, 1956)
Por trás de toda hiperinflação está um problema fiscal: um governo que gasta muito além do que arrecada e financia a diferença emitindo moeda, porque não consegue mais tomar emprestado. A emissão acelerada desvaloriza a moeda, e as expectativas se incorporam aos preços numa espiral que se autoalimenta. Por isso a estabilização é, antes de tudo, fiscal e monetária: é preciso eliminar a necessidade de financiar o déficit pela emissão e reancorar as expectativas. A história econômica registra casos emblemáticos, da Alemanha de 1923 à América Latina dos anos 1980 e 1990 e à Venezuela recente. No Brasil, a memória da hiperinflação e o sucesso do Plano Real moldaram profundamente a cultura de aversão à inflação e a defesa da responsabilidade fiscal.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Chamar qualquer inflação alta de hiperinflação
Achar que basta trocar a moeda
Veja também
Conceitos conectados
Inflação
A perda contínua do poder de compra do dinheiro: com o tempo, a mesma quantia compra menos.
Massa monetária
A quantidade total de dinheiro em circulação numa economia: do papel-moeda aos depósitos, é a matéria-prima do debate sobre a inflação.
Teoria quantitativa da moeda
A tese de que o nível de preços depende da quantidade de moeda em circulação: mais dinheiro, mantida a produção, tende a levar a preços mais altos.
Milton Friedman
O economista americano (1912-2006) que liderou a contrarrevolução ao keynesianismo: a inflação como fenômeno monetário, a taxa natural de desemprego e a defesa do mercado.
Perguntas frequentes
O que é hiperinflação? +
É a inflação descontrolada e explosiva, em geral definida como uma alta de preços acima de 50% ao mês. Ela destrói o valor da moeda tão rápido que as pessoas gastam o salário no mesmo dia, e a moeda deixa de servir como reserva de valor e unidade de conta.
O que causa e o que estanca uma hiperinflação? +
A causa típica é o governo financiar déficits grandes emitindo moeda sem parar. Estancá-la exige eliminar essa necessidade de emissão e reancorar as expectativas, normalmente com um programa de estabilização e, muitas vezes, uma nova moeda, como o Plano Real no Brasil.
Fontes e referências
- Acadêmica The Monetary Dynamics of Hyperinflation - Phillip Cagan (1956)
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