No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quando Franklin Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos em 1933, no fundo da Grande Depressão, com bancos quebrando e um em cada quatro trabalhadores desempregado, ele lançou uma série de programas chamada New Deal (Novo Acordo). O Estado passou a gastar em obras públicas para gerar emprego, a regular o sistema financeiro para evitar novos colapsos e a criar uma rede de proteção social, incluindo a aposentadoria pública. Foi uma virada: o governo assumiu a responsabilidade de agir na crise, em vez de esperar o mercado se ajustar.
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Como funciona
O que o New Deal fez
Em linhas gerais, três frentes. Emprego e infraestrutura: agências criaram milhões de postos em estradas, escolas, barragens e eletrificação. Regulação financeira: separou bancos comerciais de investimento, criou o seguro de depósitos e a comissão que fiscaliza o mercado de ações. Proteção social: instituiu a Seguridade Social (aposentadorias e auxílios) em 1935. A ideia era reanimar a demanda e restaurar a confiança.
Funcionou?
O debate continua. A economia melhorou em vários indicadores ao longo dos anos 1930, mas o desemprego só caiu de fato com a mobilização da Segunda Guerra. O legado institucional, porém, foi duradouro: o seguro de depósitos, a regulação de mercado e a seguridade social atravessaram o século.
Visão técnica
Visão técnica
O New Deal é frequentemente lido como a primeira grande aplicação prática de ideias keynesianas, ainda que tenha começado antes da publicação da Teoria Geral (1936) e que o próprio Roosevelt fosse, no início, adepto do equilíbrio orçamentário. A lógica de usar gasto público para sustentar a demanda agregada numa economia presa em subemprego casava com o diagnóstico keynesiano, e Keynes chegou a se corresponder com Roosevelt. No discurso de posse de 1933, o presidente havia dado o tom psicológico da recuperação: "a única coisa que devemos temer é o próprio medo", reconhecendo o papel da confiança e das expectativas, que Keynes também enfatizava.
A crítica vem sobretudo das tradições liberal e austríaca: para elas, a intervenção do New Deal teria prolongado a Depressão ao introduzir incerteza regulatória, sustentar preços e salários acima do equilíbrio e adiar o ajuste do mercado. Há também a leitura monetarista, de Friedman e Schwartz, que desloca o crédito da recuperação para a política monetária e o fim da contração, mais do que para o gasto fiscal. O New Deal permanece, assim, um campo de batalha empírico e ideológico, mas seu efeito institucional é incontestável: nasceu ali o Estado regulador e social americano moderno, o embrião do que viraria o estado de bem-estar.
No mercado
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Dar ao New Deal todo o crédito pela recuperação
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Conceitos conectados
Demanda agregada
A soma de tudo o que a economia quer comprar num período: consumo das famílias, investimento das empresas, gasto do governo e exportações líquidas.
Keynesianismo
A revolução de John Maynard Keynes: a demanda determina a produção e o emprego, e o Estado deve agir nas crises, quando o mercado não se reequilibra sozinho.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Milton Friedman
O economista americano (1912-2006) que liderou a contrarrevolução ao keynesianismo: a inflação como fenômeno monetário, a taxa natural de desemprego e a defesa do mercado.
Crise de 1929
O colapso da Bolsa de Nova York em 1929 que abriu a Grande Depressão, a maior crise do capitalismo, e até hoje divide quem culpa a falta de demanda de quem culpa a política monetária.
Perguntas frequentes
O que foi o New Deal? +
Foi o conjunto de programas lançado por Franklin Roosevelt a partir de 1933 para enfrentar a Grande Depressão nos Estados Unidos: obras públicas para gerar emprego, regulação do sistema financeiro (seguro de depósitos, fiscalização do mercado) e seguridade social. Redefiniu o papel do Estado na economia.
O New Deal acabou com a Grande Depressão? +
Ajudou, mas não sozinho. Vários indicadores melhoraram ao longo dos anos 1930, porém o desemprego só caiu de fato com a mobilização da Segunda Guerra. Seu legado mais duradouro foi institucional: a regulação financeira e a rede de proteção social que sobreviveram ao século.
Fontes e referências
- Primária The New Deal - Federal Reserve History
- Primária Discurso de posse de 1933 ("a única coisa que devemos temer") - Franklin D. Roosevelt (1933)
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