No dia a dia
O que é, em palavras simples
Alguém percebe que um produto barato numa cidade poderia ser vendido com lucro em outra, onde falta. Ou nota que um bairro inteiro não tem uma padaria. Essa percepção de uma oportunidade que estava ali, à vista de todos, mas que ninguém tinha aproveitado, é o coração do que a escola austríaca chama de função empresarial. Empreender, nessa visão, é antes de tudo enxergar o que os outros não viram.
No seu bolso
Há algo a descobrir no mercado?
Equilíbrio dado
- ›Tudo já está ajustado
- ›Nada a descobrir
Função empresarial
- ›Oportunidades à espera
- ›O empreendedor as descobre
Indo mais fundo
Como funciona
O estado de alerta
O economista austríaco Israel Kirzner deu a esse fenômeno o nome de estado de alerta (alertness). O empreendedor não é definido por ter capital ou empresa, mas por essa prontidão para notar lucros ainda não explorados, diferenças de preço, necessidades não atendidas, formas melhores de fazer. Ao agir sobre o que percebe, ele aproxima o mercado de um ajuste que nunca está pronto.
O mercado como descoberta
Aqui está a diferença com a visão neoclássica. Para esta, o equilíbrio já está dado e não há nada a descobrir. Para os austríacos, o mercado é um processo de descoberta permanente, movido justamente pela função empresarial. É também diferente do empreendedor de Schumpeter: Kirzner foca em perceber oportunidades existentes; Schumpeter, em criar rupturas com inovações que destroem o velho.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A função empresarial é o tema central de Competition and Entrepreneurship (1973), de Israel Kirzner, principal nome austríaco no estudo do empreendedorismo. Para Kirzner, o empreendedor é definido pelo seu estado de alerta (alertness): a capacidade de perceber oportunidades de lucro até então despercebidas e, ao agarrar esse lucro puro, colocar em movimento a coordenação do mercado.
Essa concepção se opõe à imagem neoclássica do equilíbrio dado, em que todas as oportunidades já estariam exploradas e nada restaria a descobrir. Para a escola austríaca, ao contrário, o mercado é um processo dinâmico cujo motor é a descoberta empreendedora. A função empresarial de Kirzner complementa e contrasta com a de Joseph Schumpeter: enquanto Kirzner enfatiza a percepção de oportunidades dentro do fluxo do mercado (equilibrando), Schumpeter enfatiza a inovação que rompe o equilíbrio (a destruição criativa). Juntas, as duas visões formam o núcleo da teoria do empreendedorismo, e conectam a função empresarial ao processo competitivo e ao papel do conhecimento disperso.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Reduzir a ter uma empresa
Confundir com a inovação de Schumpeter
Veja também
Conceitos conectados
Concorrência
A disputa entre vendedores pelo cliente: a força que pressiona preços para baixo, melhora a qualidade e empurra a inovação, sem ninguém comandar.
Escola austríaca
A tradição de Menger, Mises e Hayek: a economia parte da ação individual, o valor é subjetivo e o mercado funciona como um processo de descoberta de informação dispersa.
Destruição criativa
O conceito de Joseph Schumpeter: o capitalismo se renova destruindo o que existe, quando inovações varrem produtos, empresas e empregos antigos para criar novos.
Joseph Schumpeter
O austríaco (1883-1950) que pôs o empreendedor e a inovação no centro do capitalismo: o sistema avança destruindo o velho, e o monopólio de hoje é a inovação de ontem.
Israel Kirzner
O austríaco-americano (1930-) que devolveu o empreendedor ao centro da economia: empreender é estar alerta a oportunidades que estavam à vista de todos, mas que ninguém tinha percebido.
Perguntas frequentes
O que é a função empresarial na escola austríaca? +
É o papel do empreendedor como aquele que, por seu estado de alerta, descobre oportunidades de lucro ainda despercebidas e age sobre elas, movendo o mercado. O conceito é de Israel Kirzner e define o empreendedor pela percepção, não pela posse de capital.
Qual a diferença entre Kirzner e Schumpeter? +
Kirzner vê o empreendedor como quem percebe oportunidades já existentes e ajuda a equilibrar o mercado. Schumpeter vê o empreendedor como inovador que rompe o equilíbrio pela destruição criativa. As duas visões se complementam na teoria do empreendedorismo.
Fontes e referências
- Acadêmica Competition and Entrepreneurship - Israel Kirzner (1973)
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