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Teoria econômica Nível 3 Intermediário

Ensaio controlado randomizado

também conhecido como: RCT, ensaio clínico randomizado, estudo randomizado controlado, randomized controlled trial

O método que sorteia quem recebe um programa e quem fica no grupo de controle, para que a única diferença entre os grupos seja o próprio programa. O padrão-ouro da prova de que algo funciona.

Redação Blog do Brasil atualizado em 10 de junho de 2026

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Um município distribui material escolar e, no ano seguinte, as notas sobem. O programa funcionou? Impossível saber: talvez as escolas atendidas já estivessem melhorando, talvez a economia local tenha ajudado. O ensaio controlado randomizado resolve o problema com uma ideia emprestada da medicina: sortear. Entre as escolas elegíveis, metade recebe o programa (tratamento) e metade ainda não (controle). Como o sorteio não escolhe ninguém por mérito, renda ou sorte na vida, os dois grupos começam estatisticamente iguais, e qualquer diferença que apareça depois só pode ter uma explicação: o programa.

No seu bolso

Quando um aplicativo mostra duas versões de uma tela para usuários sorteados (o teste A/B), está rodando um pequeno ensaio randomizado: a mesma lógica usada para avaliar programas sociais, aplicada a botões.
Anatomia do conceito
  1. 01

    População elegível

    Escolas, famílias ou vilarejos que poderiam receber o programa

  2. 02

    Sorteio

    O acaso, e não o mérito ou a renda, divide os grupos

  3. 03

    Tratamento x controle

    Um grupo recebe agora; o outro mostra o contrafactual

  4. 04

    Comparação

    A diferença entre os grupos é o efeito causal do programa

Indo mais fundo

Como funciona

Por que o sorteio é a peça-chave

O inimigo de toda avaliação é o viés de seleção: quem procura um programa (ou é escolhido para ele) já era diferente de quem não procura. Comparar participantes com não participantes mistura o efeito do programa com as diferenças que já existiam. A randomização corta esse nó pela raiz: ninguém se seleciona, o acaso distribui, e o grupo de controle passa a mostrar exatamente o que teria acontecido com os tratados se o programa não existisse, o contrafactual que nenhuma comparação ingênua oferece.

Da medicina à política pública

Nos anos 1990 e 2000, uma geração de economistas levou o método dos laboratórios farmacêuticos para o campo: microcrédito, mosquiteiros, reforço escolar, transferências de renda, tudo passou a ser testado com sorteio em vilarejos e escolas reais. O laboratório J-PAL, fundado no MIT, transformou a prática em escala industrial, com centenas de avaliações em dezenas de países, e os achados (alguns surpreendentes, como o efeito modesto do microcrédito) mudaram programas que custam bilhões.

Visão técnica

Visão técnica

O Prêmio Nobel de 2019 a Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer consagrou a abordagem experimental no combate à pobreza, citando explicitamente a estratégia de fatiar grandes perguntas em experimentos menores e respondíveis. O poder do método está na validade interna: dentro do experimento, a estimativa do efeito causal é tão limpa quanto a estatística permite. As críticas, lideradas por nomes como Angus Deaton, miram o resto: a validade externa (o que funcionou num distrito de Quênia funciona no semiárido brasileiro?), os efeitos de equilíbrio geral que só aparecem em escala (treinar cem pessoas melhora o emprego delas; treinar um país inteiro muda os salários de todos), as questões éticas de sortear quem recebe ajuda e o viés de pauta: pesquisadores respondem o que é randomizável, não necessariamente o que mais importa. A síntese honesta do campo: o RCT é a régua mais confiável onde cabe, e não cabe em toda pergunta (ninguém randomiza a taxa de juros). Boas práticas atuais incluem pré-registro do plano de análise e replicação em contextos múltiplos antes de generalizar.

No mercado

Avaliações randomizadas de transferências de renda em vários países alimentaram o desenho de programas como os brasileiros: o sorteio diz o que a opinião não consegue dizer, quanto de cada resultado é mérito do programa.

Atenção

Mitos e erros comuns

Generalizar um experimento como lei universal

O RCT prova o efeito naquele contexto, escala e desenho. Validade externa se conquista com replicação em contextos diferentes, não com um único estudo bem feito.

Achar que tudo se randomiza

Política monetária, câmbio e reformas constitucionais não cabem em sorteio. Para essas perguntas, a caixa de ferramentas é outra: experimentos naturais, diferenças em diferenças, variáveis instrumentais.

Veja também

Conceitos conectados

Pré-requisitos

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é um ensaio controlado randomizado (RCT)? +

É uma avaliação em que o acesso a um programa é sorteado entre elegíveis: o grupo sorteado recebe (tratamento) e o restante serve de comparação (controle). Como o sorteio iguala os grupos no ponto de partida, a diferença de resultados ao final mede o efeito causal do programa, sem o viés de quem se autosseleciona.

Quais as limitações dos RCTs? +

Validade externa (o resultado vale naquele contexto; generalizar exige replicação), efeitos de escala que o piloto não captura, custo e tempo, e perguntas que não se randomizam, como juros e câmbio. A crítica acadêmica, associada a Angus Deaton, lembra que o método responde melhor perguntas pequenas e bem fatiadas.

Fontes e referências

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