No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quando o governo, ou qualquer um, gasta um real, esse real não para de circular. Ele vira renda de quem recebeu, que gasta parte, virando renda de um terceiro, e assim por diante. O multiplicador é a medida desse efeito em cadeia: um gasto inicial pode gerar, no fim, um aumento da renda total maior do que ele mesmo.
No seu bolso
k = 1 / (1 - c)
- k
- Multiplicador - Efeito total sobre a renda
- c
- Propensão a consumir - Fração da renda gasta
Indo mais fundo
Como funciona
De onde vem a multiplicação
A força do efeito depende de quanto, a cada rodada, as pessoas gastam em vez de poupar. Se cada um gasta uma fatia alta do que recebe, o dinheiro circula mais vezes e o multiplicador é maior. Se grande parte é poupada, usada para pagar dívida ou escoa para importações, o efeito se enfraquece.
Por que é polêmico
O tamanho do multiplicador é um dos temas mais debatidos da macroeconomia. Em recessões profundas, ele tende a ser maior, o que reforça o argumento por estímulo. Em economias aquecidas ou muito endividadas, pode ser pequeno, e o gasto vira mais inflação ou dívida do que crescimento.
Como se calcula
A fórmula
k = 1 / (1 - c)
- k
- Multiplicador - Quanto a renda cresce por unidade de gasto
- c
- Propensão a consumir - Fração da renda que é gasta, não poupada
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
O conceito foi formalizado por Richard Kahn em 1931 e incorporado por Keynes ao centro da sua Teoria Geral, como a peça que liga um aumento de investimento ou de gasto público a um aumento ampliado da renda nacional. Matematicamente, o multiplicador é tanto maior quanto maior a propensão a consumir da sociedade. O debate moderno gira em torno de medir esse valor: as estimativas variam conforme o país, o momento do ciclo e o tipo de gasto. Um multiplicador acima de 1 significa que cada real gasto gera mais de um real de atividade; abaixo de 1, o estímulo se dissipa. Não há um número universal, e é justamente essa incerteza que alimenta a disputa entre quem defende e quem critica os estímulos fiscais.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que o multiplicador é fixo
Esquecer os vazamentos
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Demanda agregada
A soma de tudo o que a economia quer comprar num período: consumo das famílias, investimento das empresas, gasto do governo e exportações líquidas.
Política fiscal
O uso dos gastos e dos impostos do governo para influenciar a economia: acelerar nas crises, frear no superaquecimento.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Perguntas frequentes
O multiplicador é sempre maior que 1? +
Não. Pode ser maior ou menor que 1, dependendo do momento do ciclo, do endividamento e dos vazamentos para poupança e importações. Em recessões profundas, tende a ser maior.
O que é propensão a consumir? +
É a fração de cada real de renda extra que a pessoa gasta em vez de poupar. Quanto maior essa propensão, maior o efeito multiplicador de um gasto.
Fontes e referências
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - John Maynard Keynes (1936)
- Acadêmica The Relation of Home Investment to Unemployment - Richard Kahn (1931)
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