No dia a dia
O que é, em palavras simples
Robert Shiller construiu a carreira fazendo a pergunta proibida: e se os preços dos mercados não refletirem os fundamentos? Em 1981, mostrou com dados que as bolsas oscilam muito mais do que os dividendos futuros justificam, o tiro de largada das finanças comportamentais. Avisou da bolha pontocom em Exuberância Irracional (2000, lançado semanas antes do estouro) e da bolha imobiliária americana anos antes de 2008, com o índice de preços de imóveis que leva seu nome. O Nobel de 2013, dividido com Eugene Fama (seu adversário intelectual), oficializou o empate da década: os mercados são eficientes e exuberantes, conforme o dia.
No seu bolso
-
01
Volatilidade excessiva (1981)
Preços oscilam mais que os fundamentos
-
02
Exuberância Irracional (2000)
O aviso semanas antes do estouro
-
03
Case-Shiller e 2008
A bolha imobiliária medida e avisada
-
04
Narrativas (2019)
As histórias virais como variável macro
Indo mais fundo
Como funciona
A volatilidade excessiva
O resultado técnico fundador: se o preço de uma ação é o valor presente dos dividendos esperados, ele deveria ser menos volátil que os dividendos realizados, e os dados mostram o contrário, em ordens de magnitude. A anomalia abriu duas estradas: a comportamental (manias, pânicos e a psicologia social dos preços) e a métrica que virou padrão: o CAPE, a razão preço/lucro ajustada ao ciclo, que historicamente antecipa retornos de década, e gritava nos topos de 1929, 2000 e nos anos recentes.
Narrativas e a economia do contágio
O Shiller maduro foi atrás do mecanismo: as narrativas. Bolhas se espalham como epidemias porque as histórias que as justificam (a nova era, o ativo que só sobe) são contagiosas, e Narrative Economics (2019) propõe levar as histórias virais a sério como variável macroeconômica, com direito a epidemiologia aplicada. A agenda fecha o ciclo aberto com Akerlof em Animal Spirits (2009): a confiança, as histórias e a psicologia coletiva de volta ao centro da macro, de onde a hipótese das expectativas racionais as havia expulsado.
Visão técnica
A leitura da escola Comportamental
O programa shilleriano, em atribuição indireta fiel à obra: a volatilidade dos preços de ativos excede a justificável pelos fundamentos (o teste de variância de 1981, contestado metodologicamente e sobrevivente do escrutínio), e o excesso é social: ondas de otimismo e pessimismo mediadas por narrativas contagiosas, amplificadas pela mídia e pelo feedback dos próprios preços, a anatomia que Exuberância Irracional aplica a ações e imóveis com a régua do CAPE e das séries seculares que ele reconstruiu (o banco de dados de preços de imóveis americanos desde 1890 é contribuição própria, e o índice Case-Shiller, o padrão da indústria). As implicações de política derivadas: finanças democratizadas com seguros contra riscos grandes (livelihood insurance, mercados de macro-futuros), a defesa de instituições que amorteçam em vez de amplificar, e a leitura de 2008 como falha de narrativa e de desenho, não de um choque exógeno.
O contraponto que o termo da hipótese dos mercados eficientes registra é constitutivo aqui: Fama responde que volatilidade excessiva é prêmio de risco variável no tempo, e o Nobel dividido de 2013 (com Hansen ao meio) premiou a disputa em aberto, o caso raro de a academia consagrar a pergunta em vez da resposta. No grafo deste pilar, Shiller fecha o triângulo comportamental com Kahneman (os vieses individuais) e Thaler (a política dos vieses), adicionando a camada social (o contágio), e dialoga em Oposto com a eficiência: o leitor que percorrer Fama-Shiller pelos termos tem, em miniatura, o debate que definiu as finanças do nosso tempo.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Usar Shiller para cronometrar o mercado
Ler o Nobel dividido como veredito
Veja também
Conceitos conectados
Efeito manada
A tendência de imitar o que a maioria faz, em vez de decidir pela própria análise, que nos mercados infla bolhas na alta e aprofunda pânicos na baixa.
Bolha especulativa
A alta de preços que se alimenta de si mesma: compra-se porque sobe e sobe porque se compra, até o dia em que a música para. Das tulipas ao subprime, o roteiro se repete.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O que Robert Shiller provou sobre os mercados? +
Que os preços oscilam muito mais do que os fundamentos (dividendos, aluguéis) justificam: a volatilidade excessiva de 1981. A explicação dele é social: ondas de otimismo e pânico mediadas por narrativas contagiosas, medidas por réguas como o CAPE e o índice Case-Shiller de imóveis.
O que é a economia narrativa de Shiller? +
A proposta (2019) de tratar histórias virais como variável econômica de primeira classe: narrativas como "imóveis nunca caem" ou "a nova era da tecnologia" se espalham como epidemias, movem decisões de gasto e investimento, e ajudam a explicar bolhas e recessões que os fundamentos sozinhos não explicam.
Fontes e referências
- Acadêmica Exuberância Irracional - Robert Shiller (2000)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 2013: Fama, Hansen e Shiller - Nobel Prize (2013)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.