No dia a dia
O que é, em palavras simples
A economia não cresce em linha reta: avança em ondas. Há fases de expansão, quando produção, emprego e crédito crescem, seguidas de fases de contração, quando tudo desacelera ou recua. Esse vai e vem recorrente é o ciclo econômico. Saber em que ponto da onda estamos ajuda a interpretar juros, desemprego e o humor do mercado.
No seu bolso
As duas faces do ciclo
Expansão
- ›Crédito e otimismo crescem
- ›Produção e emprego sobem
Contração
- ›Crédito seca, otimismo cai
- ›Produção e emprego recuam
Indo mais fundo
Como funciona
As quatro fases
O ciclo costuma ser dividido em expansão (crescimento), pico (auge), contração ou recessão (queda) e fundo (o ponto mais baixo, antes da retomada). Nenhum ciclo é idêntico ao anterior na duração ou na intensidade, mas o padrão de ondas se repete.
De onde vêm as ondas
As explicações divergem. Para os keynesianos, oscilam as decisões de gasto e investimento. Para os monetaristas, pesa a quantidade de moeda. Para a escola austríaca, o vilão é o crédito barato demais, que infla um boom artificial.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A teoria austríaca dos ciclos, de Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, tem um diagnóstico provocativo. Juros artificialmente baixos, sustentados por expansão do crédito, levam empresas a iniciar projetos que pareciam lucrativos, mas não eram: o mau investimento (malinvestment). O boom é, nessa leitura, o erro; a recessão é a correção dolorosa, porém inevitável. Mises foi categórico:
"Não há meio de evitar o colapso final de um boom provocado pela expansão do crédito." (Ludwig von Mises)
Para os austríacos, tentar adiar o ajuste com mais crédito apenas adia e agrava a queda. É o contraponto direto à receita keynesiana de estimular a demanda, e mostra como uma mesma onda recebe leituras opostas conforme a escola.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que existe um relógio fixo do ciclo
Tratar a recessão como acidente
Veja também
Conceitos conectados
Selic
A taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom: o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
Recessão
Uma queda generalizada e persistente da atividade econômica: menos produção, menos emprego e menos renda por vários meses seguidos.
Sistema de preços
O conjunto de preços que, ao subir e cair, transmite informação e coordena as decisões de milhões de pessoas sem que ninguém comande o todo.
Friedrich Hayek
O austríaco (1899-1992) que fez do conhecimento o centro da economia: nenhum planejador reúne a informação que os preços coordenam. Rival de Keynes, Nobel de 1974.
Ludwig von Mises
O austríaco (1881-1973) que, em 1920, lançou o desafio que assombrou o século: sem preços de mercado, a economia planejada não tem como calcular o que produzir. Mestre de Hayek e teórico da ação humana.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura um ciclo econômico? +
Não há prazo fixo. Ciclos variam de poucos anos a mais de uma década, dependendo dos choques e das políticas. O padrão de ondas se repete, mas não a duração.
Por que as escolas discordam sobre os ciclos? +
Porque atribuem causas diferentes: keynesianos focam na demanda, monetaristas na moeda e austríacos no crédito barato. A causa muda a receita: estimular ou deixar o ajuste acontecer.
Fontes e referências
- Acadêmica A Teoria da Moeda e do Crédito - Ludwig von Mises (1912)
- Primária Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) - FGV IBRE (2024)
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