No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que alguns países deslancham e outros ficam patinando? Nicholas Kaldor deu uma resposta que parece simples e tem consequências enormes: depende de onde está o crescimento. Para ele, a indústria é especial. Diferente da agricultura ou de muitos serviços, ela tem retornos crescentes: quanto mais se produz, mais barato e eficiente fica produzir, porque há ganhos de escala, aprendizado e divisão do trabalho. Isso cria um círculo virtuoso: crescer na indústria aumenta a produtividade, que barateia os produtos, que amplia os mercados, que permite crescer mais. Por isso Kaldor dizia que um país que abandona a indústria cedo demais perde o motor que poucos setores conseguem substituir, uma ideia que ecoa direto no debate brasileiro sobre desindustrialização.
No seu bolso
-
01
Cresce a indústria
Setor de retornos crescentes
-
02
Sobe a produtividade
Lei de Verdoorn-Kaldor
-
03
Barateia e amplia mercados
Mais competitividade, mais demanda
-
04
Cresce mais
Causação cumulativa: o círculo virtuoso
Indo mais fundo
Como funciona
As leis de Kaldor
Kaldor resumiu suas observações em regularidades empíricas que ficaram conhecidas como leis de Kaldor. A primeira: quanto mais rápido cresce a indústria de um país, mais rápido cresce a economia inteira. A segunda (a lei de Verdoorn-Kaldor): quanto mais cresce a produção industrial, mais cresce a produtividade na indústria, por causa dos retornos crescentes. Juntas, elas sustentam a ideia de causação cumulativa: vantagens se acumulam onde já existem, e o crescimento puxa o crescimento, em vez de os países convergirem automaticamente, como supõe a teoria neoclássica.
Distribuição e moeda
Kaldor foi um dos pilares da escola de Cambridge e da macroeconomia pós-keynesiana. Propôs uma teoria da distribuição em que a divisão entre lucros e salários depende do ritmo de investimento, e não só da produtividade de cada fator. E foi um crítico feroz do monetarismo: argumentava que a moeda é endógena, ou seja, a quantidade de dinheiro se ajusta à demanda da economia por crédito, em vez de ser controlada de fora pelo banco central, o oposto do que Milton Friedman supunha.
Visão técnica
A leitura da escola Pós-keynesiana
Kaldor foi teórico e homem de Estado, e as duas faces se alimentavam, em atribuição indireta fiel à obra. Assessor de governos trabalhistas britânicos e de países em desenvolvimento, levou suas ideias à prática em propostas tributárias (defendeu um imposto sobre o gasto, em vez da renda) e em diagnósticos sobre a perda de dinamismo industrial do Reino Unido. A causação cumulativa o aproxima de Gunnar Myrdal e da tradição que vê o mercado aprofundando desigualdades regionais em vez de corrigi-las, e dá base teórica ao argumento de que a política industrial não é capricho, e sim a forma de fixar onde os retornos crescentes vão se acumular. A crítica de praxe vem do mainstream: economistas questionam a robustez empírica das leis de Kaldor fora de certos períodos e países, e a teoria do crescimento endógeno mais recente incorporou parte de suas intuições (retornos crescentes, aprendizado) num arcabouço mais formal, o que para alguns o reabilita e para outros o supera. Mas o núcleo resistiu: a ideia de que a estrutura produtiva importa, de que nem todo crescimento é igual e de que perder a indústria tem custo de longo prazo voltou ao centro do debate com a desindustrialização precoce. No grafo deste pilar, Kaldor liga a tradição pós-keynesiana de Cambridge (com Joan Robinson e Kalecki) ao crescimento e à produtividade.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que todo crescimento é igual
Esperar convergência automática entre países
Veja também
Conceitos conectados
Produtividade
Quanto se produz com os recursos disponíveis: o motor silencioso que, no longo prazo, decide se um país enriquece ou estagna.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Joan Robinson
A inglesa (1903-1983) que reescreveu a teoria dos mercados reais: concorrência imperfeita, monopsônio e a ala pós-keynesiana. A maior ausência da história do Nobel.
Perguntas frequentes
O que são as leis de Kaldor? +
Regularidades empíricas sobre crescimento: a primeira diz que quanto mais rápido cresce a indústria, mais rápido cresce a economia toda; a segunda (lei de Verdoorn-Kaldor) diz que o crescimento da produção industrial eleva a produtividade, por causa dos retornos crescentes. Juntas, fundamentam a ideia de que a indústria é o motor do crescimento.
O que é causação cumulativa? +
A ideia de Kaldor de que o crescimento puxa o crescimento: vantagens (produtividade, mercados, aprendizado) se acumulam onde já existem, em vez de os países convergirem sozinhos. Por isso, para ele, a política industrial importa, pois decide onde os retornos crescentes vão se concentrar.
Fontes e referências
- Acadêmica Causes of the Slow Rate of Economic Growth of the United Kingdom - Nicholas Kaldor (1966)
- Acadêmica Alternative Theories of Distribution - Nicholas Kaldor (1956)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.