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Nicholas Kaldor

também conhecido como: Kaldor, Nicholas Kaldor

O húngaro-britânico (1908-1986) que mostrou por que a indústria, e não qualquer setor, puxa o crescimento: ela tem retornos crescentes, e quem cresce nela cresce mais rápido, num círculo que se retroalimenta.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Pós-keynesiana

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Por que alguns países deslancham e outros ficam patinando? Nicholas Kaldor deu uma resposta que parece simples e tem consequências enormes: depende de onde está o crescimento. Para ele, a indústria é especial. Diferente da agricultura ou de muitos serviços, ela tem retornos crescentes: quanto mais se produz, mais barato e eficiente fica produzir, porque há ganhos de escala, aprendizado e divisão do trabalho. Isso cria um círculo virtuoso: crescer na indústria aumenta a produtividade, que barateia os produtos, que amplia os mercados, que permite crescer mais. Por isso Kaldor dizia que um país que abandona a indústria cedo demais perde o motor que poucos setores conseguem substituir, uma ideia que ecoa direto no debate brasileiro sobre desindustrialização.

No seu bolso

Uma fábrica que dobra a produção costuma produzir cada unidade mais barato; uma barbearia que dobra os cortes, não. Essa diferença de retornos é o que Kaldor pôs no centro: por isso a indústria puxa o crescimento de um jeito que muitos serviços não puxam.
Anatomia do conceito
  1. 01

    Cresce a indústria

    Setor de retornos crescentes

  2. 02

    Sobe a produtividade

    Lei de Verdoorn-Kaldor

  3. 03

    Barateia e amplia mercados

    Mais competitividade, mais demanda

  4. 04

    Cresce mais

    Causação cumulativa: o círculo virtuoso

Indo mais fundo

Como funciona

As leis de Kaldor

Kaldor resumiu suas observações em regularidades empíricas que ficaram conhecidas como leis de Kaldor. A primeira: quanto mais rápido cresce a indústria de um país, mais rápido cresce a economia inteira. A segunda (a lei de Verdoorn-Kaldor): quanto mais cresce a produção industrial, mais cresce a produtividade na indústria, por causa dos retornos crescentes. Juntas, elas sustentam a ideia de causação cumulativa: vantagens se acumulam onde já existem, e o crescimento puxa o crescimento, em vez de os países convergirem automaticamente, como supõe a teoria neoclássica.

Distribuição e moeda

Kaldor foi um dos pilares da escola de Cambridge e da macroeconomia pós-keynesiana. Propôs uma teoria da distribuição em que a divisão entre lucros e salários depende do ritmo de investimento, e não só da produtividade de cada fator. E foi um crítico feroz do monetarismo: argumentava que a moeda é endógena, ou seja, a quantidade de dinheiro se ajusta à demanda da economia por crédito, em vez de ser controlada de fora pelo banco central, o oposto do que Milton Friedman supunha.

Visão técnica

A leitura da escola Pós-keynesiana

Kaldor foi teórico e homem de Estado, e as duas faces se alimentavam, em atribuição indireta fiel à obra. Assessor de governos trabalhistas britânicos e de países em desenvolvimento, levou suas ideias à prática em propostas tributárias (defendeu um imposto sobre o gasto, em vez da renda) e em diagnósticos sobre a perda de dinamismo industrial do Reino Unido. A causação cumulativa o aproxima de Gunnar Myrdal e da tradição que vê o mercado aprofundando desigualdades regionais em vez de corrigi-las, e dá base teórica ao argumento de que a política industrial não é capricho, e sim a forma de fixar onde os retornos crescentes vão se acumular. A crítica de praxe vem do mainstream: economistas questionam a robustez empírica das leis de Kaldor fora de certos períodos e países, e a teoria do crescimento endógeno mais recente incorporou parte de suas intuições (retornos crescentes, aprendizado) num arcabouço mais formal, o que para alguns o reabilita e para outros o supera. Mas o núcleo resistiu: a ideia de que a estrutura produtiva importa, de que nem todo crescimento é igual e de que perder a indústria tem custo de longo prazo voltou ao centro do debate com a desindustrialização precoce. No grafo deste pilar, Kaldor liga a tradição pós-keynesiana de Cambridge (com Joan Robinson e Kalecki) ao crescimento e à produtividade.

No mercado

O debate brasileiro sobre desindustrialização precoce é kaldoriano: a preocupação de que perder a indústria antes de enriquecer desliga o motor de retornos crescentes que poucos outros setores oferecem, freando a produtividade do país inteiro.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que todo crescimento é igual

Para Kaldor, crescer na indústria não é o mesmo que crescer em qualquer setor: só os de retornos crescentes geram o círculo virtuoso de produtividade. Tratar a estrutura produtiva como indiferente apaga justamente sua tese.

Esperar convergência automática entre países

A causação cumulativa diz o contrário do modelo de convergência: vantagens se acumulam onde já existem. Sem política que fixe os retornos crescentes, o mercado pode aprofundar a distância entre regiões, não fechá-la.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que são as leis de Kaldor? +

Regularidades empíricas sobre crescimento: a primeira diz que quanto mais rápido cresce a indústria, mais rápido cresce a economia toda; a segunda (lei de Verdoorn-Kaldor) diz que o crescimento da produção industrial eleva a produtividade, por causa dos retornos crescentes. Juntas, fundamentam a ideia de que a indústria é o motor do crescimento.

O que é causação cumulativa? +

A ideia de Kaldor de que o crescimento puxa o crescimento: vantagens (produtividade, mercados, aprendizado) se acumulam onde já existem, em vez de os países convergirem sozinhos. Por isso, para ele, a política industrial importa, pois decide onde os retornos crescentes vão se concentrar.

Fontes e referências

  • Acadêmica Causes of the Slow Rate of Economic Growth of the United Kingdom - Nicholas Kaldor (1966)
  • Acadêmica Alternative Theories of Distribution - Nicholas Kaldor (1956)

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