No dia a dia
O que é, em palavras simples
Em julho de 1944, com a Segunda Guerra ainda em curso, delegados de 44 países se reuniram em Bretton Woods, nos Estados Unidos, para combinar como seria a economia mundial depois da guerra. A lição da Grande Depressão estava fresca: câmbio caótico e cada país por si tinham agravado a crise. A solução foi um sistema de câmbio fixo em que cada moeda se atrelava ao dólar, e o dólar, ao ouro. Para administrar tudo, nasceram duas instituições que existem até hoje: o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
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O desenho
O dólar virou a moeda-âncora: os Estados Unidos se comprometiam a trocar dólares por ouro a um preço fixo, e os demais países mantinham suas moedas em paridade com o dólar. Era estabilidade cambial sem a rigidez total do padrão-ouro clássico, com alguma margem para ajustes. O FMI socorreria países em dificuldade temporária de balanço de pagamentos; o Banco Mundial financiaria a reconstrução e o desenvolvimento.
Por que ruiu
O sistema dependia da confiança de que os Estados Unidos honrariam a conversão em ouro. Com o tempo, havia mais dólares circulando no mundo do que ouro nos cofres americanos. A desconfiança cresceu, e em 1971 o presidente Richard Nixon suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro, o "fim de Bretton Woods". O mundo migrou para o câmbio flutuante que conhecemos hoje.
Visão técnica
Visão técnica
Bretton Woods foi a tentativa de combinar o melhor de dois mundos: a estabilidade do câmbio fixo, lição extraída do caos cambial dos anos 1930, com alguma flexibilidade para evitar a armadilha deflacionária do padrão-ouro. John Maynard Keynes liderou a delegação britânica e defendeu um arranjo mais simétrico, com uma moeda internacional de reserva (que ele chamou de bancor) e uma câmara de compensação que dividisse o ajuste entre países superavitários e deficitários. Prevaleceu o plano americano, de Harry Dexter White, centrado no dólar, refletindo o poder econômico dos Estados Unidos no pós-guerra.
A contradição interna ficou conhecida como o dilema de Triffin: para abastecer o mundo de liquidez, os Estados Unidos precisavam emitir dólares em excesso, mas esse excesso minava justamente a confiança na conversão em ouro que sustentava o sistema. O colapso de 1971 não foi acidente, era a tensão de origem amadurecendo. O legado, porém, ficou: o dólar como moeda de reserva global e o FMI e o Banco Mundial como peças centrais (e disputadas) da governança econômica internacional.
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Veja também
Conceitos conectados
Câmbio
O preço de uma moeda em relação a outra: quanto custa um dólar em reais, e o que isso muda nos preços, nas viagens e na economia.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Moeda
O que uma sociedade aceita como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. O papel não vale nada; a confiança de que todos o aceitarão vale tudo.
Padrão-ouro
O regime em que o valor da moeda era atrelado a uma quantidade fixa de ouro: uma disciplina monetária rígida que Keynes apelidou de "relíquia bárbara" e que o mundo foi abandonando nas crises.
Perguntas frequentes
O que foi o acordo de Bretton Woods? +
Foi o acordo de 1944 que organizou a economia mundial do pós-guerra com câmbio fixo ancorado no dólar (conversível em ouro) e criou o FMI e o Banco Mundial. O objetivo era evitar o caos cambial e o protecionismo que haviam agravado a Grande Depressão.
Por que Bretton Woods acabou em 1971? +
Porque circulava mais dólar no mundo do que ouro nas reservas americanas, e a confiança na conversão ruiu. Diante da pressão, o presidente Nixon suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro, encerrando o regime de câmbio fixo e abrindo a era do câmbio flutuante.
Fontes e referências
- Primária Creation of the Bretton Woods System - Federal Reserve History
- Primária História e mandato do FMI - Fundo Monetário Internacional
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