No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que dois países parecidos, com recursos semelhantes, podem terminar em mundos econômicos opostos? Para a economia institucional, grande parte da resposta está nas instituições: as regras do jogo. Não são só as leis escritas, mas também os costumes, os contratos que se cumprem e a confiança de que as regras valerão amanhã.
No seu bolso
As regras do jogo
Instituições formais
- ›Leis, contratos, direitos
- ›Escritas e fiscalizadas
Instituições informais
- ›Costumes, confiança, reputação
- ›Não escritas, mas poderosas
Indo mais fundo
Como funciona
Formais e informais
Instituições formais são as leis, as constituições, os direitos de propriedade. As informais são os hábitos, os códigos de conduta, a reputação. Juntas, elas definem o que vale a pena fazer numa sociedade: investir e inovar, ou apenas extrair vantagem de quem tem poder.
Por que mexem com a prosperidade
Onde os direitos são respeitados e os contratos cumpridos, vale a pena planejar a longo prazo, poupar e empreender. Onde as regras mudam ao sabor do poderoso, o investimento foge. As instituições, portanto, não são detalhe: são parte da explicação de por que algumas nações enriquecem e outras não.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O conceito foi central na obra de Douglass North, Nobel de Economia em 1993, que distinguiu as instituições (as regras) das organizações (os jogadores). A sua definição virou referência:
"As instituições são as regras do jogo numa sociedade; mais formalmente, são as restrições criadas pelos humanos que moldam a interação humana." (Douglass North, Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico, 1990)
A partir daí, North e outros mostraram como instituições que reduzem os custos de transação e protegem os direitos de propriedade favorecem o crescimento de longo prazo. É a ponte entre a economia e a história, e o coração da nova economia institucional.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Reduzir instituições a leis
Confundir instituição com organização
Veja também
Conceitos conectados
Ordem espontânea
A ideia, central em Hayek, de que instituições úteis como os preços e a língua surgem da ação humana sem terem sido projetadas por ninguém.
Custos de transação
Os custos de negociar, fiscalizar e fazer cumprir um contrato: o atrito que explica por que existem empresas, e não apenas o mercado.
Douglass North
O americano (1920-2015) que respondeu por que nações fracassam antes do best-seller: instituições, as regras do jogo, decidem quem prospera. Nobel de 1993.
Adriano José Pereira
O professor titular da UFSM que pesquisa inovação, instituições e desenvolvimento: o institucionalismo aplicado à economia brasileira, com livro publicado e a escola de Santa Maria.
Maríndia Brites
A economista formada no corredor UFSM-UFPR que pesquisa escolas heterodoxas e metodologia econômica, e vice-coordena a graduação em Economia da UFPR.
Carine de Almeida Vieira
A economista formada na UFSM que aplicou o método Alkire-Foster à pobreza gaúcha: a medição multidimensional, herdeira de Sen, com publicação na revista do IPEA.
Octávio Augusto Camargo Conceição
O professor da UFRGS que faz a ponte entre o institucionalismo e a economia evolucionária: as instituições como fundamento da mudança econômica, em produção brasileira.
Jonattan Rodriguez Castelli
O professor da UFRGS que pesquisa economia brasileira e desenvolvimento na chave da economia institucional original: a tradição de Veblen e Commons aplicada ao país.
Helio Afonso de Aguilar Filho
O professor da UFRGS que pesquisa atraso econômico, instituições e pensamento econômico: por que algumas economias ficam para trás, lido pela lente institucional.
Solange Regina Marin
A professora da UFSC que pesquisa desenvolvimento pela ótica das capacitações de Amartya Sen: economia institucional, desigualdade, pobreza e economia feminista no mesmo programa.
Huascar Fialho Pessali
O economista da UFPR que cruza economia institucional com a retórica da economia: como argumentos, e não só dados, decidem o que conta como verdade no campo.
José Felipe Araujo de Almeida
O economista da UFPR que une institucionalismo original e economia evolucionária: a leitura de Veblen somada a história do pensamento e a microeconomia heterodoxa.
Marco Antônio Ribas Cavalieri
O economista da UFPR que pesquisa história do pensamento econômico e metodologia: como as ideias da economia nasceram, mudaram e por que aceitamos umas e descartamos outras.
Ednalva Felix das Neves
A professora da UFSM que pesquisa economia popular, social e solidária: a tradição da economia substantiva de Polanyi e a política social em produção brasileira, da tecnologia social à inovação social.
Sibele Vasconcelos de Oliveira
A professora da UFSM que pesquisa economia social, agronegócio e sistemas agroalimentares: o desenvolvimento rural, a agricultura familiar e a pobreza lidos como economia, em produção brasileira.
Fernando Cavalheiro Krauzer
O professor da UFPR que pesquisa economia institucional original e história do pensamento econômico: a tradição de Veblen e dos institucionalistas evolucionários, em produção brasileira.
Victor Nunes Leal Cruz e Silva
O professor da UFPR que pesquisa história do pensamento econômico, metodologia e o pensamento econômico no Brasil: dos números-índice a Gudin e Keynes, em produção internacionalizada.
Thomas Hyeono Kang
O professor da UFRGS que pesquisa história econômica e economia política da educação: instituições, voz política e o atraso educacional brasileiro no século XX, em produção documentada.
Cássio da Silva Calvete
O professor da UFRGS que pesquisa economia do trabalho, redução da jornada e plataformas digitais: o tempo de trabalho e o emprego no centro, em produção documentada.
Izete Pengo Bagolin
A professora da PUCRS que pesquisa pobreza, desigualdade e desenvolvimento humano pela abordagem das capacitações de Sen: medir bem-estar para além da renda.
André Ricardo Salata
O professor da PUCRS que pesquisa desigualdade de renda, estratificação e classe social: como a origem social e a educação reproduzem (ou rompem) a desigualdade no Brasil.
Osmar Tomaz de Souza
O professor da PUCRS que pesquisa desenvolvimento rural, meio ambiente e instituições: cooperativismo, transição agroecológica e quem decide sobre o espaço rural.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre instituições e organizações? +
Instituições são as regras do jogo (leis, costumes). Organizações são os jogadores (empresas, governos, sindicatos) que agem dentro dessas regras. A distinção é de Douglass North.
Por que instituições explicam a riqueza dos países? +
Porque definem os incentivos: onde direitos são protegidos e contratos cumpridos, vale a pena investir e inovar. Onde as regras são frágeis, o esforço produtivo perde para a busca de privilégios.
Fontes e referências
- Acadêmica Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico - Douglass C. North (1990)
- Primária Prêmio de Ciências Econômicas de 1993 - NobelPrize.org (1993)
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