No dia a dia
O que é, em palavras simples
Pense num agricultor. Ele planta e vende a safra não para acumular dinheiro, mas para, com esse dinheiro, comprar roupas, ferramentas, comida que não produz. Foi a partir dessa observação simples que Jean-Baptiste Say, economista francês do início do século 19, formulou sua lei dos mercados: ao produzir e vender, cada um gera a renda que permite comprar o que os outros produziram. A produção, portanto, abriria caminho para a demanda. O dinheiro seria só o intermediário da troca.
No seu bolso
A oferta cria a demanda?
Lei de Say
- ›Produzir gera renda para comprar
- ›Falta geral de demanda é impossível
Visão keynesiana
- ›Renda pode ser entesourada
- ›A demanda pode faltar e travar tudo
Indo mais fundo
Como funciona
O que Say realmente disse
A frase famosa "a oferta cria sua própria demanda" não é de Say. É uma síntese posterior, popularizada por John Maynard Keynes justamente para criticá-la. Say afirmava algo mais sutil: que são os produtos que compram produtos, e que uma crise geral de superprodução, com excesso de tudo ao mesmo tempo, seria impossível, porque produzir é, ao mesmo tempo, criar poder de compra.
O grande debate
Aqui está um dos eixos da história da macroeconomia. Se a lei de Say vale, a economia tende ao pleno emprego e não falta demanda de modo duradouro. Keynes contestou isso: a renda pode ser entesourada em vez de gasta, a demanda pode faltar, e a economia pode ficar travada com desemprego. A disputa entre a lei de Say e a demanda efetiva keynesiana atravessa toda a teoria econômica moderna.
Visão técnica
A leitura da escola Clássica
A lei de Say aparece no Tratado de Economia Política (1803), no capítulo sobre os mercados (débouchés). Say insiste que a moeda é apenas um véu sobre uma troca que, no fundo, é de bens por bens:
"Não é a abundância de dinheiro, mas a abundância de outros produtos em geral, que facilita as vendas (...) ao fim das trocas, sempre se verifica que se pagaram produtos com produtos." (Jean-Baptiste Say, Tratado de Economia Política, 1803)
A leitura clássica extrai daí que não pode haver insuficiência geral e persistente de demanda: cada oferta gera uma renda equivalente, logo um poder de compra equivalente. A versão forte, atribuída à tradição clássica por Keynes, é a de que a oferta cria sua própria demanda. Keynes a rejeitou na Teoria Geral (1936), argumentando que parte da renda pode ser retida (preferência pela liquidez), de modo que a demanda agregada pode ser insuficiente e a economia se equilibrar abaixo do pleno emprego. Entender a lei de Say é entender o ponto exato em que clássicos e keynesianos se separam.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Atribuir a frase a Say
Achar que Say negava qualquer crise
Conceito oposto
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Veja também
Conceitos conectados
Paradoxo da poupança
A ideia keynesiana de que, se todos poupam ao mesmo tempo numa crise, a demanda cai e o resultado pode ser menos renda e menos poupança para todos.
Escola clássica
A corrente fundadora da economia, de Adam Smith e David Ricardo: o mercado, movido pelo interesse próprio, coordena a produção e gera riqueza.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Perguntas frequentes
A lei de Say diz que a oferta cria a própria demanda? +
Essa é a síntese popular, mas a frase foi cunhada depois, sobretudo por Keynes ao criticá-la. Say afirmava que os produtos se pagam com produtos: ao produzir e vender, gera-se a renda para comprar o que os outros produziram.
Por que a lei de Say é tão debatida? +
Porque dela depende se a economia tende sozinha ao pleno emprego. Se vale, falta de demanda não dura; se não vale, como argumentou Keynes, a demanda pode ser insuficiente e gerar desemprego prolongado.
Fontes e referências
- Acadêmica Tratado de Economia Política - Jean-Baptiste Say (1803)
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - John Maynard Keynes (1936)
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