BlogdoBrasil
Pensadores Nível 4 Avançado

Theotônio dos Santos

também conhecido como: Theotônio dos Santos, Theotonio dos Santos

O brasileiro (1936-2018) que deu à dependência sua definição mais citada e mostrou que a fase industrial não a supera: a nova dependência troca a sujeição comercial pela tecnológica e financeira.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Dependência

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Quando um país pobre se industrializa, ele finalmente se liberta dos países ricos? Theotônio dos Santos respondeu que não, apenas troca a forma da corrente. A antiga dependência era comercial: a colônia vendia matéria-prima e comprava manufaturas. A nova dependência, dizia ele, é industrial-tecnológica: o país até produz suas máquinas e seus carros, mas depende da tecnologia, das patentes, das peças e do financiamento que vêm de fora, e que ele não controla. A fábrica é nacional, mas o coração dela é importado. Por isso o desenvolvimento periférico avança e, ao mesmo tempo, reproduz a subordinação num nível mais alto: muda de roupa, não de lugar.

No seu bolso

Um celular montado no Brasil com chip, sistema e patentes estrangeiras é a nova dependência de dos Santos em miniatura: o emprego e a montagem são daqui, mas o valor e o controle tecnológico ficam lá fora.
Anatomia do conceito
  1. 01

    Dependência colonial

    Saque e monopólio comercial

  2. 02

    Financeiro-industrial

    Capital do centro nas matérias-primas

  3. 03

    Nova dependência

    Tecnológico-industrial: a fábrica nacional, o coração importado

  4. 04

    Subordinação renovada

    Industrializa sem emancipar

Indo mais fundo

Como funciona

A definição que pegou

Num artigo de 1970 publicado numa das principais revistas de economia do mundo, dos Santos ofereceu a definição de dependência que se tornou padrão: uma situação em que a economia de certos países é condicionada pelo desenvolvimento e pela expansão de outra economia, à qual a primeira está submetida. Não é influência passageira, é condicionamento estrutural: o que acontece no centro determina o leque de possibilidades da periferia, e não o contrário.

A nova dependência

Seu conceito mais original é o de nova dependência. As primeiras formas foram a colonial (saque e monopólio comercial) e a financeiro-industrial (o capital do centro investindo em matérias-primas na periferia). A terceira, que ele via nascer no pós-guerra, é a dependência tecnológico-industrial: as multinacionais industrializam a periferia, mas amarram esse crescimento à tecnologia e aos lucros que repatriam. Industrializar deixou de ser sinônimo de emancipar.

Visão técnica

A leitura da escola Dependência

Dos Santos foi, com Marini e Bambirra, um dos três pilares do núcleo de dependência formado no Chile de Allende, e sua trajetória cruza a história política da América Latina, em atribuição indireta fiel à obra. Exilado do Brasil após 1964, atuou no Chile até o golpe de 1973 e depois no México, antes de voltar ao Brasil na redemocratização e se tornar professor influente. Sua obra Imperialismo y Dependencia (1978) sistematizou o campo, e ele dedicou a fase final da vida ao estudo dos sistemas-mundo e das ondas longas de Kondratiev, aproximando a dependência da análise de Wallerstein e do tempo longo do capitalismo. A posição dele, dentro do debate, fica entre a radicalidade de Marini e o reformismo de Cardoso: reconhecia a possibilidade de desenvolvimento dependente, mas insistia que ele era limitado e contraditório, incapaz de fechar a distância com o centro. A crítica de praxe, registrada com honestidade, aponta que a ascensão de economias asiáticas que partiram de posição periférica e alcançaram o centro (a Coreia do Sul é o caso) desafiou a tese de que a periferia não pode subir, um contraponto que a própria teoria da dependência teve de enfrentar. Ainda assim, a definição de dos Santos segue sendo o ponto de partida de qualquer discussão séria sobre o tema, e no grafo deste pilar ele liga a dependência ao estruturalismo de Furtado e à análise dos sistemas-mundo.

No mercado

A remessa de lucros, royalties e pagamento de patentes de multinacionais instaladas no país é o canal concreto da dependência tecnológico-industrial: o crescimento gera produção interna, mas parte do excedente sai pela porta dos contratos de tecnologia.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que industrializar encerra a dependência

A tese da nova dependência diz o contrário: a indústria periférica nasce amarrada à tecnologia, às peças e ao financiamento externos. A corrente muda de forma (de comercial para tecnológica), não desaparece com a fábrica.

Ignorar os casos que escaparam

A ascensão da Coreia do Sul e de outros desafiou a tese de que a periferia não sobe. Apresentar a dependência como destino fechado ignora um contraponto histórico que a própria teoria teve de discutir.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

Como Theotônio dos Santos define dependência? +

Como uma situação em que a economia de certos países é condicionada pelo desenvolvimento e pela expansão de outra, à qual está submetida. Não é influência passageira, e sim condicionamento estrutural: o que acontece no centro define o leque de possibilidades da periferia.

O que é a nova dependência? +

A forma tecnológico-industrial da dependência, que dos Santos via surgir no pós-guerra: as multinacionais industrializam a periferia, mas amarram esse crescimento à tecnologia, às patentes e aos lucros que repatriam. Industrializar, nessa leitura, deixou de significar emancipar.

Fontes e referências

  • Acadêmica The Structure of Dependence (American Economic Review) - Theotônio dos Santos (1970)
  • Acadêmica Imperialismo y Dependencia - Theotônio dos Santos (1978)

Sua conta gratuita

Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.

Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.

Receba o dicionário no e-mail

Um conceito de economia explicado por semana.

Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.

Continue lendo

Artigos sobre o tema