No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quando um país pobre se industrializa, ele finalmente se liberta dos países ricos? Theotônio dos Santos respondeu que não, apenas troca a forma da corrente. A antiga dependência era comercial: a colônia vendia matéria-prima e comprava manufaturas. A nova dependência, dizia ele, é industrial-tecnológica: o país até produz suas máquinas e seus carros, mas depende da tecnologia, das patentes, das peças e do financiamento que vêm de fora, e que ele não controla. A fábrica é nacional, mas o coração dela é importado. Por isso o desenvolvimento periférico avança e, ao mesmo tempo, reproduz a subordinação num nível mais alto: muda de roupa, não de lugar.
No seu bolso
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01
Dependência colonial
Saque e monopólio comercial
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02
Financeiro-industrial
Capital do centro nas matérias-primas
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03
Nova dependência
Tecnológico-industrial: a fábrica nacional, o coração importado
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04
Subordinação renovada
Industrializa sem emancipar
Indo mais fundo
Como funciona
A definição que pegou
Num artigo de 1970 publicado numa das principais revistas de economia do mundo, dos Santos ofereceu a definição de dependência que se tornou padrão: uma situação em que a economia de certos países é condicionada pelo desenvolvimento e pela expansão de outra economia, à qual a primeira está submetida. Não é influência passageira, é condicionamento estrutural: o que acontece no centro determina o leque de possibilidades da periferia, e não o contrário.
A nova dependência
Seu conceito mais original é o de nova dependência. As primeiras formas foram a colonial (saque e monopólio comercial) e a financeiro-industrial (o capital do centro investindo em matérias-primas na periferia). A terceira, que ele via nascer no pós-guerra, é a dependência tecnológico-industrial: as multinacionais industrializam a periferia, mas amarram esse crescimento à tecnologia e aos lucros que repatriam. Industrializar deixou de ser sinônimo de emancipar.
Visão técnica
A leitura da escola Dependência
Dos Santos foi, com Marini e Bambirra, um dos três pilares do núcleo de dependência formado no Chile de Allende, e sua trajetória cruza a história política da América Latina, em atribuição indireta fiel à obra. Exilado do Brasil após 1964, atuou no Chile até o golpe de 1973 e depois no México, antes de voltar ao Brasil na redemocratização e se tornar professor influente. Sua obra Imperialismo y Dependencia (1978) sistematizou o campo, e ele dedicou a fase final da vida ao estudo dos sistemas-mundo e das ondas longas de Kondratiev, aproximando a dependência da análise de Wallerstein e do tempo longo do capitalismo. A posição dele, dentro do debate, fica entre a radicalidade de Marini e o reformismo de Cardoso: reconhecia a possibilidade de desenvolvimento dependente, mas insistia que ele era limitado e contraditório, incapaz de fechar a distância com o centro. A crítica de praxe, registrada com honestidade, aponta que a ascensão de economias asiáticas que partiram de posição periférica e alcançaram o centro (a Coreia do Sul é o caso) desafiou a tese de que a periferia não pode subir, um contraponto que a própria teoria da dependência teve de enfrentar. Ainda assim, a definição de dos Santos segue sendo o ponto de partida de qualquer discussão séria sobre o tema, e no grafo deste pilar ele liga a dependência ao estruturalismo de Furtado e à análise dos sistemas-mundo.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que industrializar encerra a dependência
Ignorar os casos que escaparam
Veja também
Conceitos conectados
Dependência
A teoria de que o subdesenvolvimento da periferia não é um atraso a ser superado, mas o produto histórico da sua relação subordinada com os países centrais.
Centro-periferia
O conceito de Raúl Prebisch e da CEPAL: a economia mundial se divide entre um centro industrial e uma periferia que exporta matérias-primas, e essa estrutura tende a se reproduzir.
Celso Furtado
O paraibano (1920-2004) que explicou o Brasil pela economia: o subdesenvolvimento não é atraso na fila, é uma formação histórica própria. Fundador da SUDENE, expoente da CEPAL.
Perguntas frequentes
Como Theotônio dos Santos define dependência? +
Como uma situação em que a economia de certos países é condicionada pelo desenvolvimento e pela expansão de outra, à qual está submetida. Não é influência passageira, e sim condicionamento estrutural: o que acontece no centro define o leque de possibilidades da periferia.
O que é a nova dependência? +
A forma tecnológico-industrial da dependência, que dos Santos via surgir no pós-guerra: as multinacionais industrializam a periferia, mas amarram esse crescimento à tecnologia, às patentes e aos lucros que repatriam. Industrializar, nessa leitura, deixou de significar emancipar.
Fontes e referências
- Acadêmica The Structure of Dependence (American Economic Review) - Theotônio dos Santos (1970)
- Acadêmica Imperialismo y Dependencia - Theotônio dos Santos (1978)
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