No dia a dia
O que é, em palavras simples
Todo mundo aprende a temer o monopólio: um só vendedor, preço nas alturas. O monopsônio é o reflexo no espelho: um só comprador, e quem sofre é quem vende. Pense na cidade pequena onde uma única fábrica emprega quase todo mundo: trabalhadores sem alternativa aceitam o salário oferecido. Ou no pequeno produtor de leite cuja produção inteira depende de um único laticínio comprador. Quando o comprador é um só, é ele quem dita o preço, e o preço, incluindo o salário, tende a ficar abaixo do que a concorrência pagaria.
No seu bolso
Os dois espelhos do poder de mercado
Monopólio
- ›Um só vendedor
- ›Preço acima do competitivo
Monopsônio
- ›Um só comprador
- ›Salário ou preço abaixo do competitivo
Indo mais fundo
Como funciona
Como o poder de compra opera
O monopsonista enfrenta o problema inverso ao do monopolista: para atrair mais vendedores (ou trabalhadores), precisaria pagar mais a todos. Cada contratação extra custa o salário do novo contratado mais o aumento dos demais. Resultado: ele compra e emprega menos do que um mercado competitivo, pagando menos. Há perda social, exatamente como no monopólio, só que na ponta de quem vende.
Onde isso aparece hoje
O conceito saiu da curiosidade teórica para o centro da economia do trabalho. Evidências modernas mostram poder de monopsônio difuso: trabalhadores trocam de emprego menos do que a teoria competitiva prevê (custos de mudança, informação imperfeita, cláusulas de não concorrência), o que dá às empresas margem para pagar abaixo da produtividade. É essa lente que reconcilia o salário mínimo com o emprego: onde há poder de compra do empregador, um piso moderado pode subir salários sem destruir vagas.
Visão técnica
A leitura da escola Neoclássica
O termo e a análise formal são de Joan Robinson, em The Economics of Imperfect Competition (1933), obra que construiu, ao lado do monopólio de venda, a teoria do poder de compra: o monopsonista iguala o valor do produto marginal ao custo marginal do fator, que excede o preço pago (a curva de oferta é crescente), gerando emprego e remuneração inferiores aos competitivos, a exploração monopsonística no vocabulário de Robinson. A geometria tem implicação de política notável: um preço mínimo bem calibrado (um salário mínimo, no mercado de trabalho) pode aumentar simultaneamente remuneração e quantidade empregada, resultado impossível sob concorrência perfeita.
A agenda empírica moderna reabilitou o conceito para além do caso extremo do comprador único: poder de monopsônio é hoje medido pela elasticidade da oferta de trabalho à firma, e estudos consistentemente a encontram baixa, sinal de que empregadores têm margem de fixação salarial mesmo em mercados com muitas firmas, sustentada por fricções de busca, diferenciação de vagas e concentração local. Essa literatura dialoga diretamente com os achados de Card e Krueger sobre o salário mínimo e com casos contemporâneos de concentração: mercados dominados por poucas plataformas contratantes, cláusulas de não concorrência em contratos de baixa qualificação e acordos entre empresas para não disputar funcionários (no-poaching), objeto crescente do antitruste. O monopsônio completou, assim, uma trajetória rara: de simetria teórica elegante a categoria central da política de concorrência e de trabalho do século 21.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que exige comprador literalmente único
Ignorar a implicação para o salário mínimo
Conceito oposto
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
Concorrência
A disputa entre vendedores pelo cliente: a força que pressiona preços para baixo, melhora a qualidade e empurra a inovação, sem ninguém comandar.
Salário mínimo
O menor salário que a lei permite pagar: referência de renda para dezenas de milhões de brasileiros e palco de um dos debates empíricos mais famosos da economia.
Joan Robinson
A inglesa (1903-1983) que reescreveu a teoria dos mercados reais: concorrência imperfeita, monopsônio e a ala pós-keynesiana. A maior ausência da história do Nobel.
Perguntas frequentes
O que é monopsônio? +
É o mercado com um único comprador, ou poucos com poder de compra: o espelho do monopólio. O comprador dominante paga menos pelo que adquire, inclusive pelo trabalho, e compra menos do que um mercado competitivo geraria. O termo é de Joan Robinson (1933).
Onde existe monopsônio na prática? +
Em cidades de empregador único, em cadeias onde o pequeno produtor depende de um só comprador e, de forma difusa, no mercado de trabalho moderno: custos de mudança e concentração dão às empresas poder de pagar abaixo da produtividade, o que a evidência empírica confirma.
Fontes e referências
- Acadêmica The Economics of Imperfect Competition - Joan Robinson (1933)
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