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Microeconomia Nível 3 Intermediário

Monopsônio

também conhecido como: monopólio de compra, poder de monopsônio

O espelho do monopólio: um mercado com um único comprador (ou poucos), que usa esse poder para pagar menos pelo que compra, inclusive pelo trabalho.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Neoclássica

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Todo mundo aprende a temer o monopólio: um só vendedor, preço nas alturas. O monopsônio é o reflexo no espelho: um só comprador, e quem sofre é quem vende. Pense na cidade pequena onde uma única fábrica emprega quase todo mundo: trabalhadores sem alternativa aceitam o salário oferecido. Ou no pequeno produtor de leite cuja produção inteira depende de um único laticínio comprador. Quando o comprador é um só, é ele quem dita o preço, e o preço, incluindo o salário, tende a ficar abaixo do que a concorrência pagaria.

No seu bolso

Na cidade de fábrica única, o empregador não precisa cobrir ofertas rivais: o salário fica abaixo do que a mesma qualificação renderia onde há disputa por trabalhadores.
Anatomia do conceito

Os dois espelhos do poder de mercado

Monopólio

  • Um só vendedor
  • Preço acima do competitivo

Monopsônio

  • Um só comprador
  • Salário ou preço abaixo do competitivo

Indo mais fundo

Como funciona

Como o poder de compra opera

O monopsonista enfrenta o problema inverso ao do monopolista: para atrair mais vendedores (ou trabalhadores), precisaria pagar mais a todos. Cada contratação extra custa o salário do novo contratado mais o aumento dos demais. Resultado: ele compra e emprega menos do que um mercado competitivo, pagando menos. Há perda social, exatamente como no monopólio, só que na ponta de quem vende.

Onde isso aparece hoje

O conceito saiu da curiosidade teórica para o centro da economia do trabalho. Evidências modernas mostram poder de monopsônio difuso: trabalhadores trocam de emprego menos do que a teoria competitiva prevê (custos de mudança, informação imperfeita, cláusulas de não concorrência), o que dá às empresas margem para pagar abaixo da produtividade. É essa lente que reconcilia o salário mínimo com o emprego: onde há poder de compra do empregador, um piso moderado pode subir salários sem destruir vagas.

Visão técnica

A leitura da escola Neoclássica

O termo e a análise formal são de Joan Robinson, em The Economics of Imperfect Competition (1933), obra que construiu, ao lado do monopólio de venda, a teoria do poder de compra: o monopsonista iguala o valor do produto marginal ao custo marginal do fator, que excede o preço pago (a curva de oferta é crescente), gerando emprego e remuneração inferiores aos competitivos, a exploração monopsonística no vocabulário de Robinson. A geometria tem implicação de política notável: um preço mínimo bem calibrado (um salário mínimo, no mercado de trabalho) pode aumentar simultaneamente remuneração e quantidade empregada, resultado impossível sob concorrência perfeita.

A agenda empírica moderna reabilitou o conceito para além do caso extremo do comprador único: poder de monopsônio é hoje medido pela elasticidade da oferta de trabalho à firma, e estudos consistentemente a encontram baixa, sinal de que empregadores têm margem de fixação salarial mesmo em mercados com muitas firmas, sustentada por fricções de busca, diferenciação de vagas e concentração local. Essa literatura dialoga diretamente com os achados de Card e Krueger sobre o salário mínimo e com casos contemporâneos de concentração: mercados dominados por poucas plataformas contratantes, cláusulas de não concorrência em contratos de baixa qualificação e acordos entre empresas para não disputar funcionários (no-poaching), objeto crescente do antitruste. O monopsônio completou, assim, uma trajetória rara: de simetria teórica elegante a categoria central da política de concorrência e de trabalho do século 21.

No mercado

Autoridades antitruste passaram a investigar acordos entre empresas para não contratar funcionários umas das outras: poder de monopsônio no mercado de trabalho virou caso de concorrência.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que exige comprador literalmente único

O poder de monopsônio é questão de grau: basta que os vendedores (ou trabalhadores) tenham poucas alternativas reais. Fricções de busca e concentração local criam o poder sem exclusividade formal.

Ignorar a implicação para o salário mínimo

Sob monopsônio, um piso moderado pode elevar salário e emprego ao mesmo tempo, resultado que o modelo competitivo proíbe. É a ponte teórica entre Joan Robinson e a evidência de Card e Krueger.

Conceito oposto

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Perguntas frequentes

O que é monopsônio? +

É o mercado com um único comprador, ou poucos com poder de compra: o espelho do monopólio. O comprador dominante paga menos pelo que adquire, inclusive pelo trabalho, e compra menos do que um mercado competitivo geraria. O termo é de Joan Robinson (1933).

Onde existe monopsônio na prática? +

Em cidades de empregador único, em cadeias onde o pequeno produtor depende de um só comprador e, de forma difusa, no mercado de trabalho moderno: custos de mudança e concentração dão às empresas poder de pagar abaixo da produtividade, o que a evidência empírica confirma.

Fontes e referências

  • Acadêmica The Economics of Imperfect Competition - Joan Robinson (1933)

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