No dia a dia
O que é, em palavras simples
Se Akerlof mostrou um mercado quebrando por assimetria de informação (os limões), Joseph Stiglitz mostrou que o problema é a regra, não a exceção: sempre que uma parte sabe mais que a outra (e quase sempre alguém sabe), os mercados se comportam de um jeito que os manuais não previam: racionam crédito em vez de subir juros, pagam salários acima do mercado, criam contratos para separar tipos de cliente. O Nobel de 2001 (com Akerlof e Spence) premiou essa generalização. Depois, como economista-chefe do Banco Mundial, Stiglitz virou o crítico interno mais barulhento da globalização dos anos 1990.
No seu bolso
-
01
Informação imperfeita
A regra dos mercados reais, não a exceção
-
02
O kit (1976-86)
Rastreamento, racionamento, salários de eficiência
-
03
Nobel (2001)
Com Akerlof e Spence, a trinca da informação
-
04
A praça pública
Globalização, desigualdade, além do PIB
Indo mais fundo
Como funciona
O kit da informação imperfeita
As peças técnicas estão espalhadas por este dicionário. O rastreamento (screening): a parte desinformada desenha cardápios de contratos que fazem o informado se revelar (a franquia alta ou baixa do seguro, detalhada no termo de seleção adversa). O racionamento de crédito (com Andrew Weiss, 1981): subir juros atrai justamente os piores tomadores, então bancos preferem negar crédito a precificá-lo, e o termo de crédito carrega a lição. Os salários de eficiência (com Carl Shapiro): pagar acima do mercado como disciplina, gerando desemprego de equilíbrio. O resultado-síntese (com Greenwald): com informação imperfeita, os mercados não são eficientes nem como regra de bolso, e a mão invisível pode simplesmente não estar lá.
O crítico das instituições globais
A Globalização e Seus Malefícios (2002) levou a teoria à praça: a crítica ao FMI dos anos 1990 (austeridade e abertura de capitais receitadas a crises que pediam o oposto) veio de dentro do sistema e com o aparato da informação imperfeita: mercados financeiros globais sem as instituições que os domestiquem repetem, em escala planetária, as falhas que a teoria mapeou. A sequência (desigualdade como escolha política em O Preço da Desigualdade, 2012) fez de Stiglitz o economista público mais citado da esquerda global, com o registro crítico de praxe: os adversários cobram do polemista a nuance que o teórico sempre teve.
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
O programa stiglitziano, em atribuição indireta fiel à obra: o teorema central (Greenwald-Stiglitz, 1986) estabelece que, com informação imperfeita e mercados incompletos, os equilíbrios competitivos não são, em geral, eficientes nem no sentido restrito, ao contrário do mundo Arrow-Debreu, em que as falhas eram exceções listáveis: aqui a falha é genérica e intervenções bem desenhadas podem melhorar sobre o mercado, o fundamento teórico do novo-keynesianismo de que Stiglitz é, com Akerlof, o arquiteto (e a razão do rótulo deste termo, com a ressalva de praxe). As aplicações canônicas: o modelo Shapiro-Stiglitz de desemprego como dispositivo de disciplina, o racionamento de crédito Stiglitz-Weiss que fundamenta a fragilidade financeira e o papel dos bancos, e a teoria do rastreamento que organiza seguros, crédito e contratos de trabalho.
A fase pública tem três frentes documentadas: a crítica institucional (Banco Mundial, FMI, o desenho da zona do euro), a agenda da desigualdade (a tese de que concentração extrema é produto de regras e busca de renda, não de produtividade, em diálogo direto com Piketty e com os termos correspondentes) e a medição do progresso (a comissão Sarkozy com Sen e Fitoussi sobre ir além do PIB, ponte com os termos de IDH e economia feminista). O registro crítico do protocolo: os adversários apontam que o Stiglitz polemista por vezes ultrapassa o que o Stiglitz teórico provou, e a defesa responde que os teoremas de 1986 dão licença exatamente para essa agenda. No grafo deste pilar, Stiglitz completa com Akerlof e Spence a trinca da informação, herda de Arrow o terreno e o programa, e fornece a ponte entre a microeconomia da informação e a economia política global que o século 21 disputa.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler Stiglitz como anti-mercado
Confundir o polemista com o teorema
Veja também
Conceitos conectados
Crédito
A confiança que permite usar hoje um dinheiro que se pagará depois: a base do empréstimo, do financiamento e do cartão.
Assimetria de informação
A situação em que uma parte de um negócio sabe mais que a outra: o vendedor que conhece o defeito, o tomador que conhece o próprio risco.
Globalização
A integração crescente das economias do mundo, pelo comércio, capital, tecnologia e pessoas: encurta distâncias e acirra interdependências.
Perguntas frequentes
Qual é a contribuição central de Stiglitz? +
Generalizar a economia da informação: com informação imperfeita (a regra dos mercados reais), os equilíbrios não são eficientes em geral, e fenômenos como racionamento de crédito, salários acima do mercado e cardápios de contratos viram previsões da teoria. Nobel de 2001 com Akerlof e Spence.
Por que Stiglitz criticou a globalização dos anos 1990? +
De dentro (era economista-chefe do Banco Mundial): a receita de austeridade e abertura financeira aplicada pelo FMI às crises ignorava a teoria da informação, e mercados de capitais globais sem instituições repetem em escala planetária as falhas que os modelos dele mapearam.
Fontes e referências
- Acadêmica Externalities in Economies with Imperfect Information and Incomplete Markets (Quarterly Journal of Economics) - Bruce Greenwald e Joseph Stiglitz (1986)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 2001: Akerlof, Spence e Stiglitz - Nobel Prize (2001)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.