No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que as fábricas de calçados se juntam numa cidade, as de tecnologia em outra, e os escritórios financeiros num mesmo punhado de quarteirões? Porque ficar perto de empresas parecidas e de muita gente traz vantagens concretas: há mais trabalhadores especializados disponíveis, mais fornecedores por perto, e o conhecimento (truques do ofício, novidades, contatos) circula com facilidade. Esses ganhos de estar aglomerado se chamam economias de aglomeração. São a principal razão econômica para as cidades existirem: a proximidade torna todo mundo mais produtivo, e isso compensa pagar aluguel mais caro e enfrentar mais trânsito.
No seu bolso
Indo mais fundo
Como funciona
De onde vêm os ganhos
A economia identifica três fontes. Compartilhamento: muitas empresas juntas justificam infraestrutura, fornecedores especializados e um mercado de trabalho profundo que ninguém sustentaria sozinho. Casamento (matching): com mais vagas e mais candidatos no mesmo lugar, o encontro entre a pessoa certa e a vaga certa fica mais fino. Aprendizado: ideias e técnicas se espalham mais rápido onde as pessoas se encontram, o transbordamento de conhecimento.
Localização x urbanização
Distingue-se aglomeração de localização (ganhos de estar perto de empresas do mesmo setor, como um polo calçadista) de aglomeração de urbanização (ganhos de estar numa cidade grande e diversa, com de tudo um pouco). A primeira explica os distritos industriais; a segunda, por que metrópoles diversas são tão produtivas. As duas convivem.
Visão técnica
A leitura da escola Neoclássica
As economias de aglomeração são externalidades positivas de proximidade: a produtividade de cada firma cresce com a concentração espacial de atividade ao seu redor, um retorno crescente que é externo à firma individual mas interno à cidade ou ao cluster. A formulação seminal é de Alfred Marshall (Princípios de Economia, 1890), que identificou as três vantagens de um distrito industrial: a oferta conjunta de trabalho qualificado, o surgimento de indústrias subsidiárias e insumos especializados, e o transbordamento de conhecimento, este capturado na imagem célebre de que, num distrito, os segredos do ofício "deixam de ser segredos; ficam, por assim dizer, no ar". A teoria moderna (Duranton e Puga) reorganizou esses canais nos micromecanismos de sharing, matching e learning.
A distinção de Hoover entre economias de localização (externas à firma, internas à indústria, a base dos clusters setoriais) e de urbanização (externas à própria indústria, derivadas da escala e diversidade urbanas) organiza a evidência empírica, que confirma um prêmio de produtividade urbana: dobrar a densidade de uma cidade eleva a produtividade em torno de 2 a 5 por cento, com elasticidades robustas a controles. O debate Marshall-Arrow-Romer (especialização favorece o crescimento) versus Jacobs (a diversidade é que favorece, pela fertilização cruzada entre setores) estrutura boa parte da pesquisa. A aglomeração é também o coração da nova geografia econômica de Krugman: a interação entre retornos crescentes, custos de transporte e mobilidade dos fatores produz, endogenamente, a concentração espacial e o padrão centro-periferia. O limite dos ganhos são as deseconomias de aglomeração (congestionamento, preço da terra, poluição): a cidade cresce até o ponto em que o ganho marginal de produtividade iguala o custo marginal da concentração. Entender aglomeração é entender a força econômica fundamental que cria cidades e clusters, e por que a atividade econômica é tão desigual no espaço.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir aglomeração com simples economia de escala
Achar que aglomerar é sempre bom
Veja também
Conceitos conectados
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Economia de escala
A queda do custo por unidade à medida que a produção cresce: fazer muito costuma sair mais barato por item do que fazer pouco.
Alfred Marshall
O inglês (1842-1924) que deu à economia sua caixa de ferramentas: oferta e demanda em tesoura, elasticidade, curto e longo prazo. O professor de quem todos descendem.
Kenneth Arrow
O americano (1921-2017) que provou os dois teoremas que cercam a economia: nenhuma votação é perfeita (impossibilidade) e o mercado completo é eficiente (Arrow-Debreu).
Paul Krugman
O americano (1953-) que explicou por que países parecidos comerciam entre si (escala, não diferença) e virou o colunista de economia mais lido do mundo. Nobel de 2008.
Economia urbana
O campo que estuda por que as cidades existem, crescem e concentram a produção, e por que tudo isso tem um preço: aglomeração, terra cara, congestionamento e desigualdade no mesmo lugar.
Perguntas frequentes
O que são economias de aglomeração? +
São os ganhos de produtividade que surgem quando pessoas e empresas se concentram num mesmo lugar. Vêm de três fontes: compartilhar mão de obra e fornecedores especializados, casar melhor vagas e candidatos, e o transbordamento de conhecimento (ideias que circulam). São a principal razão econômica para as cidades existirem.
Qual a diferença entre economia de aglomeração e economia de escala? +
Economia de escala é interna à firma: produzir em maior quantidade reduz o custo unitário dela. Economia de aglomeração é externa: a firma fica mais produtiva por causa das outras empresas e da cidade ao seu redor. A primeira depende do tamanho da empresa; a segunda, do tamanho e da densidade do lugar.
Fontes e referências
- Acadêmica Principles of Economics (Livro IV, distritos industriais) - Alfred Marshall (1890)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 2008 (nova geografia econômica) - The Nobel Prize (2008)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.