No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que dois países com recursos parecidos podem ter destinos econômicos tão diferentes? Para a economia institucional, a resposta não está só na oferta e na demanda, mas nas regras: leis, contratos, direitos de propriedade, confiança, costumes. São as instituições que dizem o que vale a pena fazer numa sociedade. Onde a regra protege quem produz e investe, a economia floresce; onde ela premia o privilégio e a fraude, ela definha.
No seu bolso
O que explica o desempenho de um país
Olhar só o mercado
- ›Recursos, preços e tecnologia
- ›Regras tidas como dadas
Olhar as instituições
- ›Leis, contratos e confiança
- ›Regras moldam os incentivos
Indo mais fundo
Como funciona
Por que as instituições importam
A tradição começou com Thorstein Veblen, crítico da ideia de um indivíduo puramente calculista, e ganhou nova vida com a chamada nova economia institucional, de Ronald Coase e Douglass North. A ideia central: as instituições reduzem a incerteza e moldam os incentivos, definindo o custo de fazer negócios.
As regras do jogo
North resumiu a escola numa imagem certeira: as instituições são as regras do jogo. Mudar as regras muda o resultado da partida. Por isso, para essa corrente, entender o desenvolvimento de um país exige olhar sua história institucional, e não apenas seus números atuais.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
A definição que organiza a economia institucional moderna é de Douglass North, Nobel de 1993:
"As instituições são as regras do jogo numa sociedade ou, mais formalmente, são as restrições concebidas pelos seres humanos que moldam a interação humana." (Douglass North, Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico, 1990)
A escola tem duas camadas. O institucionalismo original (Veblen, Commons) criticava o agente calculista da teoria neoclássica e enfatizava hábitos e poder. A nova economia institucional incorporou ferramentas neoclássicas para estudar as instituições: Coase explicou por que existem firmas (para economizar custos de transação) e North mostrou como direitos de propriedade e regras estáveis explicam por que algumas economias crescem e outras estagnam. É hoje uma das pontes mais ativas entre economia, direito e história.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que instituição é só o prédio do governo
Pensar que só as leis contam
Veja também
Conceitos conectados
Assimetria de informação
A situação em que uma parte de um negócio sabe mais que a outra: o vendedor que conhece o defeito, o tomador que conhece o próprio risco.
Falha de mercado
Situações em que o mercado, por si só, não aloca os recursos de forma eficiente: externalidades, bens públicos, monopólios e assimetria de informação.
Desigualdade
A distribuição desigual de renda ou riqueza numa sociedade, medida por índices como o de Gini: um número entre a igualdade total e a concentração absoluta.
Ronald Coase
O inglês (1910-2013) que fez as duas perguntas mais férteis da economia institucional: por que empresas existem? E se os direitos fossem negociáveis? Nobel de 1991.
Douglass North
O americano (1920-2015) que respondeu por que nações fracassam antes do best-seller: instituições, as regras do jogo, decidem quem prospera. Nobel de 1993.
Thorstein Veblen
O americano (1857-1929) que fundou o institucionalismo rindo: o consumo conspícuo, a classe ociosa e a demolição satírica do homem econômico calculador.
Adriano José Pereira
O professor titular da UFSM que pesquisa inovação, instituições e desenvolvimento: o institucionalismo aplicado à economia brasileira, com livro publicado e a escola de Santa Maria.
Maríndia Brites
A economista formada no corredor UFSM-UFPR que pesquisa escolas heterodoxas e metodologia econômica, e vice-coordena a graduação em Economia da UFPR.
Carine de Almeida Vieira
A economista formada na UFSM que aplicou o método Alkire-Foster à pobreza gaúcha: a medição multidimensional, herdeira de Sen, com publicação na revista do IPEA.
John R. Commons
O americano (1862-1945) que tirou a economia institucional do ensaio e a pôs na lei: a transação como unidade de análise e a oficina de Wisconsin que desenhou a proteção social dos EUA.
Octávio Augusto Camargo Conceição
O professor da UFRGS que faz a ponte entre o institucionalismo e a economia evolucionária: as instituições como fundamento da mudança econômica, em produção brasileira.
Jonattan Rodriguez Castelli
O professor da UFRGS que pesquisa economia brasileira e desenvolvimento na chave da economia institucional original: a tradição de Veblen e Commons aplicada ao país.
Helio Afonso de Aguilar Filho
O professor da UFRGS que pesquisa atraso econômico, instituições e pensamento econômico: por que algumas economias ficam para trás, lido pela lente institucional.
Solange Regina Marin
A professora da UFSC que pesquisa desenvolvimento pela ótica das capacitações de Amartya Sen: economia institucional, desigualdade, pobreza e economia feminista no mesmo programa.
Huascar Fialho Pessali
O economista da UFPR que cruza economia institucional com a retórica da economia: como argumentos, e não só dados, decidem o que conta como verdade no campo.
José Felipe Araujo de Almeida
O economista da UFPR que une institucionalismo original e economia evolucionária: a leitura de Veblen somada a história do pensamento e a microeconomia heterodoxa.
Marco Antônio Ribas Cavalieri
O economista da UFPR que pesquisa história do pensamento econômico e metodologia: como as ideias da economia nasceram, mudaram e por que aceitamos umas e descartamos outras.
Ednalva Felix das Neves
A professora da UFSM que pesquisa economia popular, social e solidária: a tradição da economia substantiva de Polanyi e a política social em produção brasileira, da tecnologia social à inovação social.
Sibele Vasconcelos de Oliveira
A professora da UFSM que pesquisa economia social, agronegócio e sistemas agroalimentares: o desenvolvimento rural, a agricultura familiar e a pobreza lidos como economia, em produção brasileira.
Fernando Cavalheiro Krauzer
O professor da UFPR que pesquisa economia institucional original e história do pensamento econômico: a tradição de Veblen e dos institucionalistas evolucionários, em produção brasileira.
Victor Nunes Leal Cruz e Silva
O professor da UFPR que pesquisa história do pensamento econômico, metodologia e o pensamento econômico no Brasil: dos números-índice a Gudin e Keynes, em produção internacionalizada.
Thomas Hyeono Kang
O professor da UFRGS que pesquisa história econômica e economia política da educação: instituições, voz política e o atraso educacional brasileiro no século XX, em produção documentada.
Cássio da Silva Calvete
O professor da UFRGS que pesquisa economia do trabalho, redução da jornada e plataformas digitais: o tempo de trabalho e o emprego no centro, em produção documentada.
Izete Pengo Bagolin
A professora da PUCRS que pesquisa pobreza, desigualdade e desenvolvimento humano pela abordagem das capacitações de Sen: medir bem-estar para além da renda.
André Ricardo Salata
O professor da PUCRS que pesquisa desigualdade de renda, estratificação e classe social: como a origem social e a educação reproduzem (ou rompem) a desigualdade no Brasil.
Osmar Tomaz de Souza
O professor da PUCRS que pesquisa desenvolvimento rural, meio ambiente e instituições: cooperativismo, transição agroecológica e quem decide sobre o espaço rural.
Perguntas frequentes
O que é uma instituição em economia? +
É uma regra que organiza a interação na sociedade, podendo ser formal (leis, contratos, direitos de propriedade) ou informal (costumes, confiança, normas). As instituições reduzem a incerteza e moldam os incentivos econômicos.
Quem são os autores centrais dessa escola? +
Thorstein Veblen abriu a tradição. A nova economia institucional foi liderada por Ronald Coase, com os custos de transação, e Douglass North, que ligou instituições, história e desenvolvimento. Ambos ganharam o Nobel.
Fontes e referências
- Acadêmica Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico - Douglass North (1990)
- Acadêmica A Natureza da Firma - Ronald Coase (1937)
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