No dia a dia
O que é, em palavras simples
Marx descreveu um capitalismo de muitos capitalistas concorrendo e brigando por lucro. Paul Baran e Paul Sweezy olharam para o capitalismo do século 20 e viram outra coisa: poucas corporações gigantes dominando cada setor, sem a guerra de preços que a concorrência supõe. Nesse mundo, dizem eles, o problema central se inverte. Não é difícil gerar lucro, as grandes empresas geram um excedente enorme; o difícil é encontrar onde investir tudo isso. Como há poucos concorrentes e os preços não caem, o excedente cresce e cresce, mas não há demanda suficiente para absorvê-lo de forma produtiva. E aí, perguntam Baran e Sweezy, para onde vai esse excedente? A resposta deles é incômoda: para o desperdício. Publicidade, troca constante de modelos, vendas, e, sobretudo, gasto militar. O capitalismo monopolista precisaria criar formas de queimar o excedente que não consegue investir.
No seu bolso
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01
Capitalismo monopolista
Poucas corporações, sem guerra de preços
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02
O excedente cresce
Sobra cada vez mais lucro
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03
Falta onde investir
O problema é absorver, não gerar
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04
Desperdício e militarismo
Publicidade e gasto militar queimam o excedente
Indo mais fundo
Como funciona
O Capital Monopolista
No livro Capital Monopolista (1966), Baran e Sweezy propuseram substituir a categoria marxista de mais-valia pela de excedente econômico: a diferença entre o que a sociedade produz e o que custa produzir, num sistema dominado por grandes corporações. A tese central é a tendência do excedente a crescer: como os monopólios não baixam preços e cortam custos, sobra cada vez mais. O problema, então, é a absorção desse excedente. Ele pode ser absorvido por consumo, investimento, ou por desperdício. E como o consumo dos trabalhadores é limitado e o investimento esbarra na própria falta de mercados, o sistema recorre cada vez mais ao desperdício para não afundar na estagnação.
O papel do desperdício e do militarismo
Daí a leitura provocadora dos autores sobre fenômenos do capitalismo moderno: a publicidade massiva, a obsolescência programada e a multiplicação de vendedores não seriam só estratégias de empresa, mas formas sistêmicas de absorver o excedente. E o gasto militar cumpriria o mesmo papel em escala gigante: um sorvedouro de excedente que não compete com a indústria privada (ninguém mais produz tanques para vender no mercado) e que sustenta a demanda sem saturar mercados. A Guerra Fria, nessa leitura, tinha uma função econômica além da geopolítica.
Visão técnica
A leitura da escola Marxista
Baran e Sweezy são figuras centrais do marxismo americano e da revista Monthly Review, que Sweezy fundou e que manteve viva a economia política crítica nos Estados Unidos, em atribuição indireta fiel à obra. Paul Baran foi por muito tempo o único economista marxista com cátedra numa grande universidade americana, e sua obra anterior, A Economia Política do Crescimento (1957), influenciou diretamente as teorias da dependência, ao analisar como o excedente das economias atrasadas é drenado ou desperdiçado em vez de investido. A contribuição de Capital Monopolista foi deslocar o foco da concorrência para o monopólio e da escassez de lucro para o excesso de excedente, antecipando debates sobre estagnação secular, sobre o peso do marketing e sobre a economia de guerra. A crítica de praxe é dupla. Marxistas ortodoxos acusaram a dupla de abandonar a teoria do valor-trabalho ao trocar mais-valia por excedente, e de subestimar a exploração no centro da análise. Economistas em geral questionam a tese de que o monopólio leve necessariamente à estagnação, já que o capitalismo do pós-guerra cresceu vigorosamente, e apontam que a inovação, que os autores subestimaram, abre novos campos de investimento. Mesmo assim, a pergunta que organizaram, para onde vai o excedente de um capitalismo concentrado, voltou com a discussão sobre lucros recordes, recompra de ações e baixo investimento das grandes corporações. No grafo deste pilar, Baran e Sweezy ligam Marx e o monopólio à tradição da dependência e ao debate sobre estagnação.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Tomar a tese da estagnação como confirmada
Esquecer a ruptura com o valor-trabalho
Veja também
Conceitos conectados
Monopólio
A situação em que um único vendedor controla a oferta de um bem sem substitutos próximos, ganhando poder para impor preços acima do que a concorrência permitiria.
Capitalismo
O sistema econômico baseado em propriedade privada, trabalho assalariado e mercados, em que a produção é guiada pela busca de lucro, não por um plano central.
Lucro
O que resta da receita depois dos custos. A pegadinha está nos custos: a contabilidade desconta os pagos; a economia desconta também o que se deixou de ganhar na melhor alternativa.
Perguntas frequentes
O que é o excedente econômico de Baran e Sweezy? +
A diferença entre o que a sociedade produz e o que custa produzir, num capitalismo dominado por grandes corporações. Para a dupla, esse excedente tende a crescer (porque os monopólios não baixam preços), e o problema central do sistema passa a ser onde absorvê-lo, e não como gerar lucro.
Por que eles ligam capitalismo monopolista e desperdício? +
Porque, se o excedente cresce mas falta demanda para investi-lo produtivamente, o sistema recorre ao desperdício para não estagnar: publicidade massiva, obsolescência programada e, sobretudo, gasto militar, que absorve excedente em grande escala sem competir com a indústria privada.
Fontes e referências
- Acadêmica Capital Monopolista (Monopoly Capital) - Paul Baran e Paul Sweezy (1966)
- Fonte Paul M. Sweezy, Monthly Review - Monthly Review (2026)
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