No dia a dia
O que é, em palavras simples
Um tênis de marca custa caro. Olhamos para ele e pensamos que o valor está ali, no objeto, como se fosse a cor ou o peso. Karl Marx chamou isso de fetichismo da mercadoria: a tendência de enxergar valor como uma qualidade natural das coisas, esquecendo que, por trás de cada produto, existe trabalho humano e uma rede de relações entre pessoas. O preço parece falar sozinho, mas quem o produz, no fundo, somos nós.
No seu bolso
O que o preço esconde
Como aparece
- ›O valor parece estar na coisa
- ›Uma relação entre objetos com preços
O que Marx vê
- ›O valor vem do trabalho humano
- ›Uma relação social entre pessoas
Indo mais fundo
Como funciona
A relação que vira coisa
Para Marx, toda mercadoria esconde uma relação social. O pão na prateleira reúne o trabalho do agricultor, do moleiro, do padeiro, do entregador. No mercado, porém, esse trabalho some de vista: enxergamos apenas o pão e seu preço. A relação entre pessoas se disfarça de relação entre coisas. É isso que ele chama de fetiche, no sentido de um objeto ao qual se atribui um poder que, na verdade, vem de outro lugar.
Por que importa
O conceito é a base da crítica marxista: se o valor parece nascer das coisas, fica natural não perguntar de onde ele vem, isto é, do trabalho. O fetichismo, nessa leitura, faz a exploração passar despercebida, porque tudo aparece como uma simples troca de objetos com preços próprios.
Visão técnica
A leitura da escola Marxista
Marx desenvolve o fetichismo da mercadoria no primeiro capítulo de O Capital (1867), logo após apresentar a teoria do valor-trabalho. A passagem de abertura é uma das mais célebres da obra:
"À primeira vista, uma mercadoria parece uma coisa óbvia, trivial. Analisada, porém, revela-se uma coisa muito complicada, cheia de sutilezas metafísicas e melindres teológicos." (Karl Marx, O Capital, 1867)
O argumento é que, na produção de mercadorias, o caráter social do trabalho só aparece na troca, sob a forma de uma relação entre os produtos, o valor de um expresso no de outro. As pessoas se relacionam por meio das coisas que produzem, e essas coisas passam a parecer dotadas de uma vida própria, com valor aparentemente natural. O fetichismo não é ilusão psicológica individual, mas um efeito objetivo da forma mercadoria. É o complemento do conceito de mais-valia: se a origem do valor (o trabalho) fica encoberta, a origem do lucro também.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir com consumismo
Achar que é só uma metáfora
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Conceitos conectados
Mais-valia
Na teoria de Marx, o valor que o trabalhador produz além do que recebe em salário e que é apropriado pelo dono do capital: a fonte do lucro.
Teoria do valor
A pergunta que move a economia desde o início: o valor de algo vem do trabalho que custou ou do desejo de quem o quer?
Marxismo
A crítica de Karl Marx ao capitalismo: a história é movida por conflitos de classe, e o lucro nasce do trabalho não pago dos trabalhadores (a mais-valia).
Karl Marx
O filósofo alemão (1818-1883) que fez a crítica mais influente do capitalismo: O Capital analisa o sistema pela lente do conflito entre quem trabalha e quem emprega.
Perguntas frequentes
O que é o fetichismo da mercadoria? +
É o conceito de Marx para o fenômeno em que o valor, que nasce do trabalho humano, passa a parecer uma propriedade natural das coisas. A relação social entre pessoas aparece, no mercado, como uma relação entre objetos com preços próprios.
Qual a relação com a mais-valia? +
É complementar. Se o fetichismo encobre que o valor vem do trabalho, também encobre a origem do lucro, que para Marx está no trabalho não pago, a mais-valia. Um conceito explica por que o outro passa despercebido.
Fontes e referências
- Acadêmica O Capital, Livro I (capítulo 1) - Karl Marx (1867)
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