No dia a dia
O que é, em palavras simples
Emprestar ao governo americano é considerado o investimento mais seguro do mundo. Emprestar a qualquer outro país exige um adicional de juros para compensar o risco extra, e o tamanho desse adicional é o risco-país. Se os títulos do Brasil pagam 3 pontos percentuais a mais que os americanos de mesmo prazo, o risco Brasil está em 300 pontos-base. Quanto maior o número, mais desconfiança: é o preço, medido em juros, que a dúvida internacional cobra de um país inteiro.
No seu bolso
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01
Desconfiança
Dúvida fiscal, política ou externa
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02
Risco-país sobe
Investidores exigem prêmio maior
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03
Capital encarece
Dólar sobe, crédito externo pesa
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04
Economia sente
Investimento adiado, juros pressionados
Indo mais fundo
Como funciona
Como se mede
Há duas réguas principais. O EMBI+, calculado pelo banco J.P. Morgan desde os anos 1990, mede o spread médio dos títulos soberanos em dólar sobre os americanos; foi o termômetro clássico do "risco Brasil" no noticiário. Mais recente, o CDS (credit default swap) de 5 anos funciona como um seguro contra calote: seu preço diz quanto custa, por ano, segurar uma dívida do país, e virou a medida preferida do mercado.
Por que ele mexe com tudo
O risco-país é o piso do custo de capital externo: empresas brasileiras captando lá fora pagam o risco soberano mais o próprio. Quando o indicador sobe, o crédito externo encarece, o dólar tende a subir (capital sai) e investimentos são adiados. Os determinantes misturam fundamentos domésticos (dívida, déficit, credibilidade fiscal e monetária, estabilidade política) com o humor global: em crises mundiais, o risco de todos os emergentes sobe junto, independentemente do dever de casa.
Visão técnica
Visão técnica
O risco-país é a precificação de mercado da probabilidade de default soberano e da perda esperada associada. As medidas usuais, spread EMBI sobre a curva americana e prêmio de CDS, embutem, além do risco de crédito puro, prêmios de liquidez e de aversão global ao risco, o que explica por que os spreads de emergentes se movem em bloco nos episódios de estresse internacional: a literatura empírica decompõe as variações entre fatores domésticos (fundamentos fiscais e externos, qualidade institucional) e fatores globais (apetite por risco, juros americanos), com peso relevante e por vezes dominante dos segundos.
Três usos analíticos importam. Primeiro, o risco soberano é o teto da classificação de crédito do setor privado: poucas empresas conseguem captar mais barato que seu governo, de modo que o indicador define o custo de capital de toda a economia. Segundo, ele dialoga com as agências de rating, mas não as espera: o mercado reprecifica diariamente, e o grau de investimento (selo de baixo risco das agências) costuma chegar depois que os spreads já o anteciparam. Terceiro, a relação com o câmbio e os juros domésticos é de mão dupla: risco alto deprecia a moeda e força juros maiores, que pioram a dinâmica da dívida, o circuito que programas de estabilização buscam romper pela credibilidade fiscal. O Brasil já transitou de mais de 2.000 pontos no estresse de 2002 a mínimas históricas, ilustrando que o indicador mede confiança, não riqueza: é a variável mais sensível do país ao binômio regra fiscal crível e inflação ancorada.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler o risco-país como nota de riqueza
Atribuir toda variação ao governo do dia
Veja também
Conceitos conectados
Taxa de juros
O preço do dinheiro no tempo: o quanto se paga para tomar emprestado, ou se ganha para emprestar, ao longo de um período.
Câmbio
O preço de uma moeda em relação a outra: quanto custa um dólar em reais, e o que isso muda nos preços, nas viagens e na economia.
Dívida pública
O total que o governo deve a credores: a soma dos déficits que financiou ao longo do tempo emitindo títulos.
Perguntas frequentes
O que significa o risco-país em pontos? +
Cada 100 pontos equivalem a 1 ponto percentual de juros acima dos títulos americanos. Risco Brasil em 300 pontos significa que investidores exigem 3 pontos percentuais a mais para emprestar ao Brasil do que aos Estados Unidos no mesmo prazo.
O que faz o risco-país subir ou cair? +
Fundamentos domésticos (trajetória da dívida, credibilidade fiscal e monetária, estabilidade política) e o humor global: em crises internacionais, o risco de todos os emergentes sobe em bloco. Regra fiscal crível e inflação ancorada são o que mais derruba o indicador.
Fontes e referências
- Corporativa EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) - J.P. Morgan
- Primária Banco Central do Brasil: indicadores econômicos - BCB
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