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Teoria econômica Nível 4 Avançado

Diferenças em diferenças

também conhecido como: diff-in-diff, DiD, difference-in-differences, dif-em-dif

Compara a mudança no grupo afetado por uma política com a mudança simultânea num grupo parecido que não foi afetado. A segunda diferença desconta o que teria acontecido de qualquer jeito.

Redação Blog do Brasil atualizado em 10 de junho de 2026

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Nova Jersey aumenta o salário mínimo; a vizinha Pensilvânia, não. Para saber o efeito sobre o emprego, comparar as duas no fim do ano é injusto (os estados já eram diferentes), e comparar Nova Jersey antes e depois também (a economia inteira pode ter mudado no período). A saída é comparar as mudanças: quanto o emprego variou em Nova Jersey, menos quanto variou na Pensilvânia. A primeira diferença captura tudo o que aconteceu com os tratados; a segunda desconta o que estava acontecendo com todo mundo. O que sobra é o efeito da política. Foi exatamente esse desenho, com lanchonetes dos dois lados da divisa, que David Card e Alan Krueger usaram em 1994 para abalar a certeza de que salário mínimo destrói empregos.

No seu bolso

Para saber se a reforma da praça aumentou o movimento do seu bairro, compare a variação do fluxo ali com a variação num bairro parecido sem reforma: a cidade inteira pode ter mudado junto, e a segunda diferença desconta isso.
Anatomia do conceito

A conta em duas diferenças

Grupo tratado

  • Variação observada após a política
  • Mistura o efeito com a maré comum

Grupo de comparação

  • Variação no mesmo período, sem a política
  • Revela a maré comum a descontar

Indo mais fundo

Como funciona

A hipótese que sustenta tudo

O método exige uma premissa: as tendências paralelas. Sem a política, o grupo tratado teria evoluído como o grupo de comparação. Ninguém observa esse mundo alternativo, mas há testes de plausibilidade: se os dois grupos caminhavam juntos nos anos anteriores à mudança, é razoável supor que continuariam juntos sem ela. Por isso os bons estudos mostram as séries lado a lado bem antes do evento.

Quando usar

O diff-in-diff é a ferramenta natural dos experimentos naturais: uma reforma que chega a um estado e não a outro, uma regra que vale acima de um corte de tamanho de empresa, um programa implantado em fases. Ele transforma a implementação desigual, que costuma irritar gestores, em laboratório: o grupo que ainda não recebeu vira o contrafactual de quem recebeu.

Visão técnica

Visão técnica

O desenho clássico estima, em regressão, o coeficiente da interação entre ser do grupo tratado e estar no período pós-tratamento, com controles e efeitos fixos absorvendo diferenças permanentes de grupo e choques comuns de tempo. O estudo de Card e Krueger sobre o salário mínimo (American Economic Review, 1994) tornou-se o exemplo canônico, e o Nobel de 2021 a David Card citou diretamente essa agenda de experimentos naturais. A fronteira metodológica recente complicou o quadro de forma produtiva: com adoção escalonada (estados tratados em anos diferentes) e efeitos heterogêneos, o estimador tradicional de dois sentidos pode até ter sinal errado, o que gerou uma safra de estimadores corrigidos e diagnósticos (event studies, testes de placebo, grupos de comparação sintéticos). A leitura prática para quem consome pesquisa: desconfie de diff-in-diff sem gráfico de tendências pré-evento, e trate a hipótese de tendências paralelas como o que ela é, uma hipótese, defendida com evidência, nunca provada.

No mercado

Avaliações de mudanças regulatórias (uma regra que atinge só empresas acima de certo porte, um estado que legisla antes dos outros) vivem de diff-in-diff: o grupo não atingido conta o que teria acontecido sem a regra.

Atenção

Mitos e erros comuns

Ignorar as tendências pré-evento

Se tratados e comparação já divergiam antes da política, a segunda diferença desconta a coisa errada e o efeito estimado é miragem. Exija o gráfico dos anos anteriores.

Escolher o grupo de comparação por conveniência

O contrafactual precisa ser crível: sujeito aos mesmos choques, com estrutura parecida. Comparar um estado agrícola com um industrial mede diferença de economia, não de política.

Veja também

Conceitos conectados

Pré-requisitos

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é o método de diferenças em diferenças? +

É comparar a mudança do grupo afetado por uma política com a mudança simultânea de um grupo parecido não afetado. A diferença das diferenças desconta o que teria acontecido de qualquer forma e isola o efeito da política, desde que os dois grupos seguissem tendências paralelas sem ela.

O que são tendências paralelas? +

A premissa de que, sem a política, tratados e comparação teriam evoluído no mesmo ritmo. Não é observável nem demonstrável; sustenta-se mostrando que os grupos caminhavam juntos antes do evento e com testes de placebo. Sem essa plausibilidade, o resultado não tem leitura causal.

Fontes e referências

  • Fonte Press release: The Prize in Economic Sciences 2021 - Nobel Prize (2021)
  • Acadêmica Minimum Wages and Employment (American Economic Review) - David Card e Alan Krueger (1994)
  • Acadêmica Mostly Harmless Econometrics - Joshua Angrist e Jörn-Steffen Pischke (2009)

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