No dia a dia
O que é, em palavras simples
Assim como há mercado de tomates ou de carros, há um mercado de trabalho: de um lado, pessoas oferecendo sua capacidade de trabalhar; do outro, empresas precisando de mão de obra. Do encontro dos dois saem o salário (o "preço" do trabalho) e a quantidade de gente empregada. Mas o trabalho não é uma mercadoria qualquer: por trás de cada "unidade" há uma pessoa, com necessidades, direitos e dignidade. Por isso o mercado de trabalho é regulado, negociado e debatido como nenhum outro.
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Indo mais fundo
Como funciona
Oferta, demanda e o que os move
A oferta de trabalho depende de quantas pessoas querem e podem trabalhar, e a que salário. A demanda depende de quanto as empresas precisam produzir e de quanto cada trabalhador rende (produtividade). O salário de equilíbrio sairia do encontro dos dois, mas, na prática, ele é afetado por leis (salário mínimo), instituições (sindicatos) e poder de barganha desigual.
Por que não é um mercado comum
Vários fatores fazem o mercado de trabalho fugir do modelo simples: salários que não caem mesmo com desemprego (rigidez), informação imperfeita entre patrão e empregado, e o fato de que cortar salário pode reduzir a motivação e a produtividade. Por isso o desemprego pode persistir, e por isso conceitos como salário de eficiência e segmentação existem.
Visão técnica
Visão técnica
O mercado de trabalho é o caso em que o modelo de concorrência perfeita mais claramente falha em descrever a realidade, e por isso é território de intenso debate entre escolas. Na visão neoclássica básica, salário e emprego saem do encontro de oferta e demanda, e o desemprego involuntário tenderia a sumir com salários flexíveis. A crítica keynesiana, central desde a Teoria Geral, é que salários são rígidos para baixo e que a demanda agregada, não o preço do trabalho, determina o emprego no curto prazo, de modo que o desemprego pode ser persistente e involuntário.
A economia do trabalho moderna acrescentou camadas que explicam por que o mercado real diverge do modelo: a teoria do capital humano (o trabalhador investe em si), os salários de eficiência (pagar acima do equilíbrio aumenta a produtividade e a retenção), a busca e o casamento (search and matching, que rendeu Nobel a Diamond, Mortensen e Pissarides, explicando o desemprego friccional), e a segmentação (insiders e outsiders, mercados duais). O fio comum é que o trabalho carrega assimetrias de informação, poder de barganha desigual e dimensões sociais que o distinguem de uma mercadoria qualquer. Entender o mercado de trabalho é, portanto, entender por que a economia precisa de instituições (sindicatos, leis, proteção) que em outros mercados seriam dispensáveis, e por que emprego e salário são tanto questões econômicas quanto políticas.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Tratar trabalho como mercadoria comum
Achar que salário flexível elimina o desemprego
Veja também
Conceitos conectados
Desemprego
A parcela das pessoas que querem e procuram trabalho, mas não encontram: um dos termômetros mais sensíveis da saúde de uma economia.
Capital humano
O estoque de conhecimento, habilidades e saúde das pessoas, que eleva sua produtividade: educação e treino vistos como investimento, não como custo.
Salário mínimo
O menor salário que a lei permite pagar: referência de renda para dezenas de milhões de brasileiros e palco de um dos debates empíricos mais famosos da economia.
Perguntas frequentes
O que é o mercado de trabalho? +
É o espaço econômico onde se encontram a oferta de trabalho (os trabalhadores) e a demanda por trabalho (as empresas), e onde se formam o salário e o nível de emprego. Diferente de outros mercados, é fortemente influenciado por leis, sindicatos e poder de barganha, porque o trabalho envolve pessoas.
Por que existe desemprego se há gente querendo trabalhar? +
Porque o mercado de trabalho não funciona como um mercado comum: salários são rígidos para baixo, a demanda agregada determina o emprego no curto prazo (visão keynesiana), há atrito entre buscar e achar vaga (desemprego friccional) e poder de barganha desigual. Por isso o desemprego involuntário pode persistir.
Fontes e referências
- Primária Mercado de trabalho: estatísticas e análises - Ipea
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - John Maynard Keynes (1936)
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