No dia a dia
O que é, em palavras simples
Se Keynes dominou a primeira metade do século 20, Milton Friedman dominou a segunda. Da Universidade de Chicago, o filho de imigrantes pobres montou a contrarrevolução: a inflação não vem de custos nem de azar, vem de moeda demais; o estímulo permanente não compra emprego, compra inflação acelerando; e governos falham tanto quanto mercados, com menos mecanismos de correção. Quando a estagflação dos anos 1970 quebrou o manual keynesiano exatamente como ele previra, Friedman virou o economista mais influente do mundo, e os bancos centrais modernos, com sua obsessão antiinflacionária, são herdeiros diretos.
No seu bolso
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01
Chicago
A escola da contrarrevolução (1912-2006)
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02
História Monetária (1963)
A Depressão como falha do Fed
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03
Taxa natural (1968)
A previsão da estagflação
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04
Herança
Bancos centrais caçadores de inflação
Indo mais fundo
Como funciona
As três vitórias técnicas
Primeiro, a releitura da Grande Depressão (com Anna Schwartz, 1963): não foi falência do mercado, foi falência do banco central, que deixou a oferta de moeda desabar, tese que reabilitou a política monetária como protagonista. Segundo, a taxa natural de desemprego (1968): o trade-off entre inflação e desemprego é miragem temporária, porque as expectativas alcançam a política, previsão confirmada pela estagflação e incorporada por todos os bancos centrais (o termo NAIRU conta a história). Terceiro, a hipótese da renda permanente: o consumo segue a renda esperada da vida inteira, não o contracheque do mês, minando multiplicadores ingênuos.
O polemista público
Friedman foi também o maior divulgador do liberalismo econômico do século: Capitalismo e Liberdade (1962), a série Free to Choose, colunas, debates. Defendeu causas que migraram do escândalo ao consenso (câmbio flutuante, fim do alistamento obrigatório) e outras ainda disputadas (vouchers escolares, desregulação ampla). A assessoria ao Chile de Pinochet rendeu a controvérsia que o acompanha; o Nobel veio em 1976.
Visão técnica
A leitura da escola Monetarista
Sua frase mais famosa fixou o núcleo do monetarismo:
"A inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário." (Milton Friedman, palestra de 1963, base de A Counter-Revolution in Monetary Theory, 1970)
O balanço técnico maduro distingue o que venceu do que envelheceu. Venceram, e governam o mundo via bancos centrais: a primazia da estabilidade de preços, a taxa natural com expectativas (a espinha da curva de Phillips aceleracionista), a leitura monetária das grandes deflações (Bernanke, combatendo 2008, declarou-se devedor explícito do diagnóstico Friedman-Schwartz) e o câmbio flutuante. Envelheceu o instrumento: a regra de crescimento constante da moeda, testada nos anos 1980, quebrou na instabilidade da demanda por moeda, e os herdeiros trocaram o agregado monetário pela meta de inflação via juros, mantendo o objetivo e aposentando o manual, ironia que o termo do monetarismo registra. No plano metodológico, seu ensaio de 1953 (julgar modelos pela previsão, não pelo realismo das hipóteses) pautou décadas e é o alvo direto da crítica comportamental que este dicionário documenta em homo economicus. Na rede de pensadores, Friedman é o antípoda construtivo de Keynes: o duelo entre os dois, vencido por pontos ora por um, ora por outro, é o eixo em torno do qual a macroeconomia do século 20 girou, e os bancos centrais de hoje operam, sem cerimônia, uma síntese dos dois espólios.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir o cientista com o panfleto (a favor ou contra)
Achar que o monetarismo venceu por inteiro
Veja também
Conceitos conectados
Monetarismo
A escola de Milton Friedman: a quantidade de moeda é a chave da inflação, e a política monetária, mais que a fiscal, é o instrumento central da economia.
NAIRU
A taxa de desemprego abaixo da qual a inflação acelera: o conceito, herdeiro da taxa natural de Friedman, que guia bancos centrais e irrita seus críticos.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
Quais foram as principais contribuições de Milton Friedman? +
A tese da inflação como fenômeno monetário, a releitura da Grande Depressão como falha do banco central (com Anna Schwartz), a taxa natural de desemprego que previu a estagflação, a hipótese da renda permanente e a defesa pública do câmbio flutuante e dos mercados. Nobel de 1976.
O que sobreviveu do monetarismo de Friedman? +
O essencial do objetivo: bancos centrais independentes obcecados com inflação e atentos às expectativas são herança direta. O instrumento original (metas de agregados monetários) falhou na prática e foi substituído por metas de inflação via juros, uma síntese com os rivais keynesianos.
Fontes e referências
- Acadêmica Uma História Monetária dos Estados Unidos - Milton Friedman e Anna Schwartz (1963)
- Acadêmica The Role of Monetary Policy (American Economic Review) - Milton Friedman (1968)
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