No dia a dia
O que é, em palavras simples
Um país pode ficar mais rico sem que a vida da maioria melhore: a renda sobe, mas a escola continua ruim e a saúde, precária. Foi para corrigir essa miopia que a ONU passou a publicar o IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano. Em vez de olhar só para a renda, ele combina três dimensões da vida: viver muito e com saúde, ter acesso ao conhecimento e dispor de um padrão de vida digno. O resultado é um número entre 0 e 1: quanto mais perto de 1, mais desenvolvido o país.
No seu bolso
As três dimensões do IDH
- Saúde (expectativa de vida) 33%
- Educação (anos de estudo) 33%
- Renda (por habitante) 34%
Indo mais fundo
Como funciona
As três dimensões
O IDH é a média de três componentes: longevidade, medida pela expectativa de vida ao nascer; educação, medida pelos anos de estudo da população; e renda, medida pela renda nacional por habitante ajustada ao poder de compra. Cada dimensão vira um subíndice de 0 a 1, e o IDH os combina.
O que ele mudou no debate
Antes do IDH, comparava-se desenvolvimento quase só por renda por habitante. O índice deslocou a régua: tornou visível que países com renda parecida podem oferecer vidas muito diferentes, e que investir em saúde e educação é desenvolvimento, não consequência dele. Também expôs o contrário: rendas altas convivendo com indicadores sociais medíocres. Hoje há variações do índice que descontam a desigualdade, lembrando que a média nacional pode esconder abismos internos.
Visão técnica
Visão técnica
O IDH foi lançado em 1990, no primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, por iniciativa do economista paquistanês Mahbub ul Haq, com participação decisiva de Amartya Sen, cuja abordagem das capacidades fornece o alicerce teórico: desenvolvimento como expansão das liberdades e das possibilidades reais de vida, não apenas da renda. A motivação foi resumida pelo próprio ul Haq:
"O propósito básico do desenvolvimento é ampliar as escolhas das pessoas." (Mahbub ul Haq, Reflections on Human Development, 1995)
Tecnicamente, o índice agrega expectativa de vida, indicadores de escolaridade e renda nacional bruta per capita em paridade de poder de compra, hoje combinados por média geométrica, o que penaliza desequilíbrios entre as dimensões. As críticas são conhecidas: o IDH ignora desigualdade interna (daí o IDH ajustado à desigualdade), sustentabilidade ambiental e dimensões políticas; e a escolha dos componentes envolve juízos de valor. Seus criadores nunca negaram a simplificação: a aposta era que um número simples e rival do PIB mudaria a conversa pública sobre o que é progresso, e nisso o índice foi notavelmente bem-sucedido.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Tratar IDH como sinônimo de renda
Ignorar a desigualdade interna
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Desenvolvimento econômico
A transformação que melhora de forma duradoura a vida de uma população: mais do que crescer o PIB, é mudar a estrutura econômica e ampliar liberdades.
Renda per capita
A renda total de um país dividida pela sua população: uma média útil para comparar economias, mas que esconde como a renda realmente se reparte.
Amartya Sen
O indiano (1933-) que redefiniu pobreza e desenvolvimento: não falta de renda, mas de capacidades e liberdades. Pai intelectual do IDH, Nobel de 1998.
Perguntas frequentes
O que compõe o IDH? +
Três dimensões: saúde, medida pela expectativa de vida ao nascer; educação, medida por anos de estudo; e renda por habitante ajustada ao poder de compra. Cada uma vira um subíndice de 0 a 1, e o IDH combina os três. Quanto mais perto de 1, melhor.
Por que o IDH foi criado se já existia o PIB? +
Porque o PIB mede produção, não qualidade de vida. Mahbub ul Haq e Amartya Sen queriam uma régua que mostrasse que desenvolvimento é ampliar as possibilidades de vida das pessoas: viver mais, estudar, ter padrão digno. O IDH nasceu como rival deliberado do PIB no debate público.
Fontes e referências
- Primária Human Development Index - PNUD (1990)
- Acadêmica Reflections on Human Development - Mahbub ul Haq (1995)
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