No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que importa o que um país exporta, e não só quanto? A agenda da complexidade econômica (a do Atlas de Harvard que a nossa midiateca lista) responde: a cesta de produtos revela as capacidades acumuladas, e o caminho do crescimento passa pelo que se sabe fazer. No Brasil, essa agenda tem pesquisadores documentados, e Felipe Orsolin Teixeira, professor adjunto do Departamento de Economia da UFPR e vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia, é um deles: as áreas declaradas são crescimento e desenvolvimento econômico, economia brasileira e complexidade econômica.
No seu bolso
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01
Capacidades
O que o país sabe fazer
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02
Espaço de produtos
Diversifica-se para o adjacente
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03
Complexidade
A cesta exportadora antecipa o crescimento
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04
Brasil na régua
Commodities, desindustrialização, saídas
Indo mais fundo
Como funciona
A agenda da complexidade
A complexidade econômica formaliza intuições que este pilar carrega de Hirschman (os encadeamentos), Myrdal (a causação cumulativa) e Prebisch (a pauta importa): produtos diferem na sofisticação das capacidades que exigem, países acumulam capacidades adjacentes ao que já fazem (o espaço de produtos), e a complexidade da cesta exportadora antecipa o crescimento de longo prazo. Para a economia brasileira (a especialização em commodities, a desindustrialização dos nossos termos), a régua é diretamente incômoda: a pergunta deixa de ser quanto se exporta e vira o que se aprende exportando.
A posição formadora
A trajetória documentada (formação no corredor UFSM, doutorado e docência na UFPR, vice-coordenação do PPGDE) repete o padrão desta leva: a geração formada na heterodoxia gaúcha assumindo funções de pesquisa e coordenação no Paraná, com a complexidade como a fronteira quantitativa onde estruturalismo e dados de comércio se encontram.
Visão técnica
A leitura da escola Evolucionária
O perfil intelectual, em atribuição indireta fiel às fontes públicas: a tríade declarada (crescimento e desenvolvimento, economia brasileira, complexidade) posiciona a pesquisa na síntese contemporânea entre a tradição estruturalista-latino-americana (a pauta exportadora como destino, de Prebisch a Furtado) e o aparato quantitativo de Hausmann e Hidalgo (complexidade, espaço de produtos, fitness), a agenda que devolveu ao mainstream, com métricas de rede, as teses que a periferia formulava em prosa: produzir o quê importa tanto quanto produzir quanto, e a diversificação produtiva é o nome técnico da fuga da armadilha. Aplicada ao Brasil, a régua dialoga com meio acervo desta casa: doença holandesa, desindustrialização, substituição de importações e os termos de comércio.
Registro de pesquisador em atividade, pelo protocolo da casa: cobre a trajetória e as áreas publicamente documentadas (páginas institucionais da UFPR), sem biografia além das fontes, e será expandido conforme a obra localizável.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler a complexidade como desprezo às commodities
Confundir a métrica com receita automática
Veja também
Conceitos conectados
Vantagem comparativa
O princípio de Ricardo: vale a pena cada país se especializar no que produz com menor custo relativo e trocar o resto, mesmo sendo pior em tudo.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Destruição criativa
O conceito de Joseph Schumpeter: o capitalismo se renova destruindo o que existe, quando inovações varrem produtos, empresas e empregos antigos para criar novos.
Nelson e Winter
A dupla americana que refundou Schumpeter com Darwin: firmas operam por rotinas, inovam buscando e o mercado seleciona. A bíblia evolucionária é de 1982.
Albert Hirschman
O alemão-americano (1915-2012) impossível de classificar: saída e voz, os encadeamentos do desenvolvimento e a retórica da intransigência. O economista das possibilidades.
Victor Pelaez
O professor titular da UFPR que pesquisa economia da tecnologia e regulação: da biotecnologia à gestão da inovação, com manual publicado e a ponte ensino-propriedade intelectual.
João Basilio Pereima Neto
O economista da UFPR que estuda crescimento, economia evolucionária e complexidade: a macroeconomia vista como sistema dinâmico de agentes heterogêneos, não como média sem atrito.
Ricardo Lobato Torres
O economista da UFPR que pesquisa política industrial e economia da inovação: a dinâmica das indústrias e o papel do Estado na trajetória da tecnologia, na tradição evolucionária.
Walter Tadahiro Shima
O professor titular da UFPR que pesquisa economia das tecnologias de informação, política industrial e defesa da concorrência: a fronteira onde inovação, mercado e regra se encontram.
Carolina Bagattolli
A economista da UFPR que faz a economia política da ciência e tecnologia: uma leitura crítica das políticas de inovação e do desenvolvimento na América Latina.
Wellington da Silva Pereira
O economista da UFPR que faz a crítica do desenvolvimento e do neoliberalismo: a economia política do comércio internacional vista da periferia, não do centro.
Marcos Paulo Fuck
O professor da UFPR que pesquisa economia e tecnologia, inovação e economia agrícola: a tradição neo-schumpeteriana da mudança técnica, da política de ciência e tecnologia à propriedade intelectual, em produção brasileira.
Daniel Arruda Coronel
O professor da UFSM que pesquisa desindustrialização, política industrial e comércio internacional: o desenvolvimento brasileiro medido com modelos quantitativos, em produção aplicada.
Clailton Ataídes de Freitas
O professor da UFSM que pesquisa economia agrária e métodos quantitativos: cadeias agroindustriais, preços agrícolas e avaliação de políticas, em produção empírica.
Elisangela Luzia Araújo
A professora da UEM que pesquisa indústria, leis de Kaldor e crescimento na chave pós-keynesiana: a desindustrialização brasileira e o que ela faz com o desenvolvimento.
Perguntas frequentes
O que pesquisa Felipe Orsolin Teixeira? +
Crescimento e desenvolvimento econômico, economia brasileira e complexidade econômica: a agenda que mede as capacidades produtivas de um país pela sofisticação da sua cesta exportadora. É professor adjunto da UFPR e vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia.
O que é complexidade econômica? +
A métrica de Hausmann e Hidalgo que infere, dos dados de comércio, quais capacidades um país acumulou: produtos complexos exigem redes de conhecimento que poucos dominam, e a complexidade da pauta antecipa o crescimento. É o estruturalismo de Prebisch com matemática de redes.
Fontes e referências
- Acadêmica Corpo docente do Departamento de Economia - UFPR
- Acadêmica Curso de Ciências Econômicas da UFPR - UFPR
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