No dia a dia
O que é, em palavras simples
O keynesianismo nasceu da Grande Depressão dos anos 1930, quando a economia mundial travou e não se recuperava sozinha, contrariando a teoria da época. John Maynard Keynes deu uma resposta que mudou tudo: em crises, o problema é a falta de demanda, gente e empresas com medo de gastar, e cabe ao Estado intervir para reativar a economia, gastando quando o setor privado recua.
No seu bolso
A virada keynesiana
Visão clássica
- ›A oferta cria a demanda
- ›Mercado tende ao pleno emprego
Keynesianismo
- ›A demanda comanda a produção
- ›Estado age nas crises
Indo mais fundo
Como funciona
A inversão keynesiana
Antes de Keynes, dominava a ideia de que a oferta criava a própria demanda e que o pleno emprego era a regra. Keynes inverteu: é a demanda agregada que determina quanto se produz e quantos têm emprego. E essa demanda pode, sim, ser insuficiente, deixando a economia presa num equilíbrio com gente parada.
O papel do Estado
A conclusão prática foi poderosa: em recessões, o governo deve estimular a demanda, com gasto público e juros baixos, em vez de apenas esperar o mercado se ajustar. Essa receita anticíclica orientou a política econômica do pós-guerra e voltou ao centro do debate em cada grande crise.
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936) é o marco do keynesianismo, mas o espírito da escola talvez esteja melhor resumido numa provocação anterior de Keynes, de 1923, contra o conformismo de esperar o mercado se ajustar sozinho no longo prazo:
"No longo prazo, estaremos todos mortos." (John Maynard Keynes, 1923)
A frase, muitas vezes mal compreendida, não era um elogio ao imediatismo, mas uma crítica aos economistas que se contentavam em dizer que, passada a tempestade, o mar voltaria a ficar calmo. Para Keynes, ignorar o sofrimento presente do desemprego em nome de um equilíbrio futuro era abdicar da função da economia. O keynesianismo deu fundamento teórico à ação anticíclica do Estado e moldou a política econômica por décadas, até a crítica monetarista dos anos 1970. Voltou com força após a crise de 2008.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Reduzir keynesianismo a gastar sempre
Ler mal a frase do longo prazo
Veja também
Conceitos conectados
Demanda agregada
A soma de tudo o que a economia quer comprar num período: consumo das famílias, investimento das empresas, gasto do governo e exportações líquidas.
Paradoxo da poupança
A ideia keynesiana de que, se todos poupam ao mesmo tempo numa crise, a demanda cai e o resultado pode ser menos renda e menos poupança para todos.
Política fiscal
O uso dos gastos e dos impostos do governo para influenciar a economia: acelerar nas crises, frear no superaquecimento.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Perguntas frequentes
Qual a ideia central do keynesianismo? +
Que a demanda agregada determina a produção e o emprego, e que ela pode ser insuficiente. Por isso, em crises, cabe ao Estado estimular a demanda, em vez de apenas esperar o mercado se reequilibrar.
O keynesianismo ainda é usado? +
Sim. Apesar da crítica monetarista dos anos 1970, as ideias keynesianas voltaram com força nas respostas à crise de 2008 e à pandemia, com grandes pacotes de estímulo à demanda.
Fontes e referências
- Acadêmica A Tract on Monetary Reform - John Maynard Keynes (1923)
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - John Maynard Keynes (1936)
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