No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por muito tempo, a economia supôs que somos calculistas frios, sempre escolhendo o melhor para nós. A economia comportamental, construída por Daniel Kahneman, Amos Tversky e Richard Thaler, mostrou em experimentos que não é bem assim. Temos vieses que se repetem: sentimos mais a dor de perder do que o prazer de ganhar, somos influenciados pela forma como a opção é apresentada e nos apegamos a referências arbitrárias. Não somos irracionais ao acaso. Somos previsivelmente enviesados.
No seu bolso
Como decidimos de verdade
Agente racional
- ›Calcula e maximiza
- ›Imune a emoção e contexto
Humano real
- ›Usa atalhos e sente perdas
- ›Reage ao modo como a escolha aparece
Indo mais fundo
Como funciona
Humanos, não robôs
A grande virada foi trocar o agente perfeitamente racional dos modelos por pessoas de verdade, com emoções, atalhos mentais e limites de atenção. Richard Thaler, Nobel de 2017, gostava de dizer que a economia tradicional estuda uma espécie que não existe.
Vieses que se repetem
A escola catalogou padrões como a aversão à perda, a ancoragem em números de referência e o excesso de confiança. E mostrou como pequenos empurrões, os nudges, no jeito de apresentar uma escolha mudam decisões importantes, da poupança para a aposentadoria à doação de órgãos.
Visão técnica
A leitura da escola Comportamental
A economia comportamental nasceu do encontro entre economia e psicologia cognitiva, e seu marco fundador é a teoria do prospecto, de Daniel Kahneman e Amos Tversky (1979). O espírito da escola está numa observação de Kahneman sobre os limites da nossa mente:
"Podemos ser cegos para o óbvio e também somos cegos para a nossa própria cegueira." (Daniel Kahneman, Rápido e Devagar, 2011)
Kahneman distingue dois sistemas de pensamento: um rápido, automático e intuitivo, e outro lento, esforçado e deliberativo. A maior parte dos nossos erros sistemáticos vem de deixar o primeiro decidir onde o segundo seria necessário. Richard Thaler trouxe esses achados para a economia, fundando as finanças comportamentais e a ideia de nudge. A escola não descarta a economia neoclássica: corrige sua hipótese mais frágil, a do agente sempre racional, e a aproxima do comportamento real.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que enviesado é o mesmo que burro
Achar que a escola substitui a economia tradicional
Veja também
Conceitos conectados
Incentivos
As recompensas e punições que moldam as decisões: entender os incentivos é entender por que as pessoas fazem o que fazem.
Racionalidade limitada
O conceito de Herbert Simon: como mente, tempo e informação são limitados, não buscamos a decisão ótima, mas uma que seja boa o suficiente (o satisficing).
Daniel Kahneman
O psicólogo israelense (1934-2024) que mapeou, com Amos Tversky, os erros sistemáticos da mente humana, e ganhou o Nobel de economia (2002) sem nunca ter cursado economia.
Richard Thaler
O americano (1945-) que transformou as anomalias humanas em programa econômico: contabilidade mental, nudges e a economia comportamental aplicada. Nobel de 2017.
Adriana Sbicca
A economista da UFPR que pesquisa decisão, heurísticas e racionalidade limitada: a tradição de Simon e Kahneman em produção brasileira, da sala de aula à simulação.
Amos Tversky
O psicólogo israelense (1937-1996) que, com Daniel Kahneman, mostrou que a mente humana decide por atalhos sistemáticos. Morreu antes do Nobel que coroou o trabalho de ambos, e que o prêmio não dá a quem já partiu.
Lucas Casonato Jacinto
O economista da UFPR que une economia comportamental, história do pensamento e metodologia: a decisão real estudada em diálogo com Kirzner e com Keynes.
Ely José de Mattos
O professor da PUCRS que pesquisa economia da felicidade e bem-estar subjetivo: medir o que faz as pessoas felizes, para além do PIB, e ligar isso a desigualdade e meio ambiente.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O que é economia comportamental? +
É o ramo que une economia e psicologia para estudar como as pessoas realmente decidem, com vieses e atalhos mentais, em vez de supor um agente sempre racional. Explica padrões como aversão à perda, ancoragem e excesso de confiança.
Quem são os principais nomes da escola? +
Daniel Kahneman e Amos Tversky, com a teoria do prospecto, e Richard Thaler, que levou os achados para a economia. Kahneman ganhou o Nobel em 2002 e Thaler em 2017.
Fontes e referências
- Acadêmica Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar - Daniel Kahneman (2011)
- Acadêmica Nudge: O Empurrão para a Escolha Certa - Richard Thaler e Cass Sunstein (2008)
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