No dia a dia
O que é, em palavras simples
Para a teoria do equilíbrio, a economia tende ao repouso; para Joseph Schumpeter, o repouso é a morte. O capitalismo que ele descreveu é um vendaval permanente: empreendedores quebram rotinas com produtos, métodos e mercados novos, destronam os estabelecidos e são destronados em seguida, no processo que batizou de destruição criadora. A concorrência que importa não é a de preço entre iguais, é a do produto novo que torna o antigo irrelevante: a carruagem não perdeu para outra carruagem mais barata.
No seu bolso
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01
Viena (1883-1950)
Formação austríaca, figura à parte
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02
Desenvolvimento (1911)
O empreendedor e as novas combinações
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03
Destruição criadora (1942)
O capitalismo como vendaval
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04
Renascimento
Crescimento endógeno e economia da inovação
Indo mais fundo
Como funciona
O empreendedor como motor
Na Teoria do Desenvolvimento Econômico (1911), Schumpeter separa o capitalista (que financia) e o gerente (que administra) do empreendedor, a figura que inova: novas combinações de recursos que rompem o fluxo circular da economia. O crédito bancário é o combustível que transfere recursos do velho para o novo, e o lucro extraordinário do inovador, temporário por natureza, é o prêmio que move o sistema, até a imitação dissolvê-lo. Os ciclos econômicos, nessa leitura, são a digestão das ondas de inovação.
O pessimista brilhante
Em Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942), o paradoxo: o capitalismo morreria não do fracasso, mas do sucesso, com a inovação burocratizada em departamentos de P&D, o empreendedor obsoleto e os intelectuais corroendo a legitimidade do sistema. A profecia falhou no essencial (o capitalismo se mostrou mais schumpeteriano que o próprio Schumpeter previu), mas o livro deixou de bônus a teoria da democracia como concorrência entre elites pelo voto, fundadora da escolha pública. Professor lendário em Harvard, formou a geração que dominaria a profissão, mas viu o século consagrar o rival Keynes, mágoa que nunca disfarçou.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A definição de 1942 é a marca registrada:
"Esse processo de destruição criadora é o fato essencial acerca do capitalismo." (Joseph Schumpeter, Capitalismo, Socialismo e Democracia, 1942)
Nota de rótulo herdada da Fase 6 deste dicionário: formado em Viena na tradição austríaca, Schumpeter é figura à parte, e a classificação na escola leva esta ressalva. Seu programa dormiu durante o reinado dos modelos de equilíbrio e crescimento exógeno e despertou em duas frentes. A teoria do crescimento endógeno (Aghion e Howitt, 1992) formalizou a destruição criadora em modelo matemático, onde inovações sucessivas destroem rendas anteriores, e fez dela o núcleo da economia do crescimento moderna, com as recomendações de política (concorrência, entrada, educação superior na fronteira) derivando do arcabouço. E a tradição evolucionária neo-schumpeteriana (Nelson e Winter, 1982; Freeman em Sussex; Dosi em Sant'Anna, a linhagem que o usuário deste portal pediu para não esquecer) levou o programa para fora do equilíbrio: rotinas, busca e seleção como mecânica da mudança técnica, sistemas nacionais de inovação como objeto de política. O debate prático herdeiro é o trade-off schumpeteriano do antitruste: o monopólio temporário do inovador é o prêmio que financia a inovação (a defesa das big techs) ou o incumbente entrincheirado que compra os desafiantes antes que cresçam (a acusação)? A pergunta que regula o Vale do Silício é, palavra por palavra, a de 1942. No grafo deste pilar, Schumpeter é o nó que liga a tradição austríaca, a economia da inovação e a função empresarial, e o contraponto dinâmico ao mundo estático da concorrência perfeita.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Celebrar a destruição esquecendo os destruídos
Confundir todo monopólio com prêmio de inovação
Veja também
Conceitos conectados
Destruição criativa
O conceito de Joseph Schumpeter: o capitalismo se renova destruindo o que existe, quando inovações varrem produtos, empresas e empregos antigos para criar novos.
Função empresarial
Na visão austríaca de Israel Kirzner, o papel do empreendedor é o estado de alerta que descobre oportunidades de lucro ainda despercebidas, movendo o mercado.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O que é a destruição criadora de Schumpeter? +
O processo pelo qual o capitalismo avança: inovações (produtos, métodos, mercados) destroem estruturas antigas e criam as novas, com o empreendedor como agente e o lucro temporário como prêmio. A concorrência decisiva não é a de preço, é a do novo contra o velho.
A profecia de Schumpeter sobre o fim do capitalismo se cumpriu? +
Não no essencial: ele previu a inovação burocratizada e o empreendedor obsoleto, e o sistema produziu garagens que viraram trilhões. Mas as perguntas do livro de 1942 (inovação concentrada em gigantes, legitimidade do sistema) regem o debate sobre as big techs até hoje.
Fontes e referências
- Acadêmica Capitalismo, Socialismo e Democracia - Joseph Schumpeter (1942)
- Acadêmica Teoria do Desenvolvimento Econômico - Joseph Schumpeter (1911)
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