No dia a dia
O que é, em palavras simples
Em 1871, três autores que não se conheciam (Menger em Viena, Jevons na Inglaterra, Walras na Suíça) derrubaram simultaneamente a teoria clássica do valor: o valor não vem do trabalho gasto, vem da utilidade da última unidade para quem escolhe. Carl Menger foi o que tirou as consequências mais radicais: se o valor é subjetivo e marginal, a economia inteira deve ser reconstruída a partir do indivíduo que escolhe, sem agregados nem médias. Dessa decisão metodológica nasceu a escola austríaca, de Böhm-Bawerk a Mises e Hayek.
No seu bolso
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01
Viena, 1871
Princípios: o valor é subjetivo e marginal
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02
Methodenstreit
A batalha do método contra os historicistas
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03
Origem do dinheiro (1892)
A moeda que emerge sem decreto
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04
A escola austríaca
De Böhm-Bawerk a Mises e Hayek
Indo mais fundo
Como funciona
Os Princípios e a ordem dos bens
Os Princípios de Economia Política (1871) constroem do tijolo: bens valem pela capacidade de satisfazer necessidades; bens de ordem superior (máquinas, insumos, terra) valem pelo que ajudam a produzir de ordem inferior, herdando o valor do consumo final e não o contrário, a inversão exata da teoria do custo. E a moeda, no ensaio clássico, nasce sem decreto: do hábito convergente de aceitar a mercadoria mais vendável, o exemplo-modelo de instituição que emerge sem desenhista, semente da ordem espontânea de Hayek.
A batalha do método
A segunda guerra de Menger definiu a escola: o Methodenstreit (a disputa do método) contra os historicistas alemães, que negavam leis econômicas universais. Menger defendeu a teoria exata partindo da ação individual, e o episódio fixou o DNA austríaco: individualismo metodológico, desconfiança de agregados e a economia como ciência das consequências não intencionais da ação. A linhagem direta passou por Böhm-Bawerk (juro e capital) e Wieser (custo de oportunidade, palavra dele) até Mises e Hayek.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A revolução de 1871, em atribuição indireta fiel aos Princípios, resolveu o paradoxo que os clássicos contornavam (água e diamante: o valor decide-se na margem, pela importância da última unidade na escala de necessidades de cada um) e refundou a teoria sobre a escolha: preços são razões de troca emergentes de valorações subjetivas, e os custos são, eles próprios, valor renunciado (a leitura que Wieser batizaria de custo de oportunidade, o termo-fundação deste dicionário). A marca distintiva ante os co-revolucionários: onde Walras matematizou o equilíbrio e Jevons o cálculo hedônico, Menger escreveu em prosa processual, com tempo, erro e conhecimento imperfeito, razão pela qual a escola austríaca reivindica nele a origem da concorrência como descoberta e do mercado como processo, contra o equilíbrio como fotografia.
O ensaio monetário (Sobre a Origem do Dinheiro, 1892) é o segundo clássico: a moeda como instituição emergente da vendabilidade, o protótipo da explicação por mão invisível que Hayek generalizaria em ordem espontânea e que dialoga, no grafo deste dicionário, dos termos de moeda à criptomoeda (cuja pretensão de dinheiro sem Estado é mengeriana de nascença, com o teste de vendabilidade ainda em aberto). O Methodenstreit fecha o retrato com a lição metodológica que o pluralismo deste portal pratica: a disputa Menger-Schmoller (teoria universal contra história particular) terminou, na leitura madura, em síntese, instituições e história importam (North), e leis de escolha também (toda a micro), e as escolas deste dicionário são as herdeiras civilizadas daquela guerra. No pilar, Menger completa o trio marginalista com Walras (e a tesoura de Marshall), e abre a trilha austríaca que Mises e Hayek levaram ao século 20.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir subjetivo com arbitrário
Reduzir Menger a um terço da revolução
Veja também
Conceitos conectados
Utilidade marginal
A satisfação extra de consumir mais uma unidade de algo: ela tende a diminuir a cada unidade, o que ajuda a explicar como se formam os preços.
Escola austríaca
A tradição de Menger, Mises e Hayek: a economia parte da ação individual, o valor é subjetivo e o mercado funciona como um processo de descoberta de informação dispersa.
Teoria subjetiva do valor
A tese de Carl Menger: o valor não está nas coisas nem no trabalho gasto para produzi-las, mas no juízo de cada pessoa sobre o quanto um bem serve à sua vida.
Perguntas frequentes
O que Carl Menger descobriu? +
Que o valor é subjetivo e se decide na margem: a última unidade na escala de necessidades de quem escolhe, e não o trabalho gasto, define quanto algo vale. Com Jevons e Walras (1871, independentes), fundou o marginalismo; sozinho, fundou a escola austríaca.
Qual a diferença entre Menger e Walras? +
O programa: ambos são marginalistas, mas Walras matematizou o equilíbrio simultâneo e Menger descreveu o processo no tempo, com erro, conhecimento imperfeito e instituições emergentes (a moeda sem decreto). Da diferença nascem as linhagens neoclássica e austríaca.
Fontes e referências
- Acadêmica Princípios de Economia Política - Carl Menger (1871)
- Acadêmica On the Origin of Money (The Economic Journal) - Carl Menger (1892)
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