No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que alguns países parecem presos no subdesenvolvimento? Uma resposta influente, nascida na América Latina, é a teoria da dependência. Sua tese provocadora: o atraso da periferia não é um ponto de partida que falta superar, mas o resultado da forma como ela se conectou ao mundo rico, fornecendo matéria-prima barata e mão de obra, num laço que ao mesmo tempo a integra e a subordina.
No seu bolso
Centro e periferia
Centro
- ›Industrializado e dominante
- ›Concentra tecnologia e renda
Periferia
- ›Exporta recursos e mão de obra
- ›Posição subordinada
Indo mais fundo
Como funciona
Centro e periferia
A teoria parte da divisão do mundo entre um centro, industrializado e dominante, e uma periferia, especializada em exportar recursos naturais. Para os dependentistas, essa relação não é entre iguais: o excedente gerado na periferia tende a escoar para o centro, reproduzindo a desigualdade entre as nações em vez de reduzi-la com o tempo.
Vertentes diferentes
Não há uma só teoria da dependência. Uma vertente, mais radical, via a dependência como uma armadilha quase sem saída dentro do capitalismo. Outra, associada a Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, falava em dependência associada: seria possível desenvolver-se, mas de forma subordinada e desigual, dentro dos limites impostos pela posição periférica.
Visão técnica
A leitura da escola Estruturalista
A teoria da dependência radicalizou o estruturalismo da CEPAL nos anos 1960 e 1970. Sua formulação mais célebre é a de Andre Gunder Frank, que cunhou a expressão desenvolvimento do subdesenvolvimento: a ideia de que o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas algo ativamente produzido pela própria expansão do capitalismo central, que se desenvolve às custas da drenagem de recursos da periferia. Outra linha, de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, recusava o determinismo e propunha a noção de dependência associada, em que o desenvolvimento periférico é possível, porém condicionado e desigual. Embora muito criticada e hoje menos central no debate acadêmico, a teoria da dependência marcou profundamente o pensamento social latino-americano e segue influente nas discussões sobre desigualdade entre nações e inserção dos países pobres na economia global.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que há uma só teoria da dependência
Tratá-la como consenso atual
Veja também
Conceitos conectados
Substituição de importações
Estratégia de desenvolvimento que troca a importação de manufaturados pela produção interna, defendida pela CEPAL para industrializar a periferia.
Termos de troca
A relação entre os preços do que um país exporta e do que importa: define quanto de importação cada unidade de exportação consegue comprar.
Desenvolvimento econômico
A transformação que melhora de forma duradoura a vida de uma população: mais do que crescer o PIB, é mudar a estrutura econômica e ampliar liberdades.
Nildo Ouriques
O professor titular da UFSC e presidente do IELA que mantém viva a teoria marxista da dependência: a crítica latino-americana ao desenvolvimentismo, em registro de combate.
André Gunder Frank
O economista teuto-americano (1929-2005) que cunhou a frase mais provocadora da teoria da dependência: o subdesenvolvimento não é falta de desenvolvimento, é produto ativo do mesmo processo que desenvolveu o centro.
Perguntas frequentes
O que é o desenvolvimento do subdesenvolvimento? +
É a expressão de Andre Gunder Frank: a ideia de que o subdesenvolvimento da periferia não é falta de desenvolvimento, mas algo ativamente produzido pela expansão do capitalismo central, que prospera drenando recursos dos países pobres.
O que é dependência associada? +
É a noção, de Cardoso e Faletto, de que países periféricos podem se desenvolver, mas de forma subordinada e desigual, dentro dos limites impostos pela sua posição na economia mundial. Recusa o determinismo das versões mais radicais.
Fontes e referências
- Acadêmica O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento - Andre Gunder Frank (1966)
- Acadêmica Dependência e Desenvolvimento na América Latina - Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (1969)
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