No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quanto vale um copo de água? Depende. No meio do deserto, vale quase tudo; ao lado de uma torneira, quase nada. A água é a mesma, o que muda é a sua situação. Essa é a ideia da teoria subjetiva do valor: o valor não é uma marca fixa que a coisa carrega, nem vem do esforço de produzi-la, mas do juízo de cada pessoa sobre o quanto aquele bem é útil para ela, naquele momento.
No seu bolso
De onde vem o valor
Valor-trabalho
- ›Vem do esforço de produzir
- ݃ uma propriedade do bem
Valor subjetivo
- ›Vem da utilidade na margem
- ›Está no juízo de quem avalia
Indo mais fundo
Como funciona
Uma resposta ao paradoxo do valor
Durante séculos, a economia se perguntou por que a água, essencial à vida, é barata, enquanto o diamante, supérfluo, é caríssimo. A escola clássica e, depois, Marx respondiam pelo trabalho de produção. Carl Menger, em 1871, deu outra resposta: o que vale é a utilidade da próxima unidade disponível. Como há muita água, a próxima vale pouco; como há poucos diamantes, o próximo vale muito. O valor está na margem, e na cabeça de quem avalia.
A virada subjetiva
A consequência é profunda: não existe valor objetivo embutido nas coisas. O mesmo bem pode valer muito para uma pessoa e nada para outra. Disso a escola austríaca tira que os preços de mercado nascem do encontro de avaliações subjetivas, e não de um custo intrínseco a ser descoberto.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A formulação clássica da teoria subjetiva do valor é de Carl Menger, fundador da escola austríaca, em Princípios de Economia Política (1871), um dos marcos da revolução marginalista:
"O valor não é, portanto, algo inerente aos bens, nem uma propriedade deles, nem uma coisa independente que exista por si mesma. É um juízo que os homens fazem sobre a importância dos bens de que dispõem para a manutenção de sua vida e de seu bem-estar." (Carl Menger, Princípios de Economia Política, 1871)
Menger inverte a teoria clássica e marxista do valor-trabalho: o custo de produzir não determina o valor; ao contrário, é a utilidade esperada que dá sentido a produzir. O valor passa a ser relacional (entre uma pessoa e um bem) e marginal (referente à última unidade). Mises e os austríacos posteriores radicalizam o subjetivismo, fazendo dele o ponto de partida de toda a teoria econômica. A ideia também está na raiz da neoclássica, ainda que esta a vista por modelos matemáticos que a escola austríaca recusa.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que subjetivo é arbitrário
Concluir que o custo não importa
Veja também
Conceitos conectados
Utilidade marginal
A satisfação extra de consumir mais uma unidade de algo: ela tende a diminuir a cada unidade, o que ajuda a explicar como se formam os preços.
Escola austríaca
A tradição de Menger, Mises e Hayek: a economia parte da ação individual, o valor é subjetivo e o mercado funciona como um processo de descoberta de informação dispersa.
Karl Marx
O filósofo alemão (1818-1883) que fez a crítica mais influente do capitalismo: O Capital analisa o sistema pela lente do conflito entre quem trabalha e quem emprega.
Carl Menger
O austríaco (1840-1921) que fundou a escola de Viena: o valor é subjetivo, nasce na margem e nas escolhas individuais. Um dos três pais da revolução marginalista.
Ludwig von Mises
O austríaco (1881-1973) que, em 1920, lançou o desafio que assombrou o século: sem preços de mercado, a economia planejada não tem como calcular o que produzir. Mestre de Hayek e teórico da ação humana.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre valor subjetivo e valor-trabalho? +
A teoria do valor-trabalho (clássica e marxista) diz que o valor vem do trabalho gasto na produção. A teoria subjetiva do valor (Menger, austríacos) diz que o valor vem do juízo de cada pessoa sobre a utilidade do bem, na margem. São respostas opostas à mesma pergunta.
A teoria subjetiva resolve o paradoxo da água e do diamante? +
Sim. A água é abundante, então a próxima unidade vale pouco, mesmo sendo essencial. O diamante é escasso, então a próxima unidade vale muito. O valor está na utilidade marginal, não na importância total do bem.
Fontes e referências
- Acadêmica Princípios de Economia Política - Carl Menger (1871)
- Acadêmica Ação Humana - Ludwig von Mises (1949)
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