No dia a dia
O que é, em palavras simples
A intuição comum diz que a empresa deveria pagar o menor salário possível. O salário de eficiência vira isso do avesso: às vezes vale a pena pagar mais do que o mercado pede. Por quê? Um salário melhor faz o funcionário se esforçar mais (para não perder um emprego que vale a pena), reduz a vontade de sair (menos rotatividade e custo de treinar) e atrai gente mais qualificada. Ou seja, o salário maior pode se pagar em produtividade. E isso tem uma consequência importante: explica por que existe desemprego mesmo havendo quem aceitaria trabalhar por menos.
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Indo mais fundo
Como funciona
Por que pagar mais compensa
Quatro razões clássicas: reduz a rotatividade (trocar de gente é caro); aumenta o esforço (perder um emprego bem pago dói mais, então o funcionário não "enrola"); melhora a seleção (atrai candidatos melhores); e eleva a moral e a reciprocidade. Em todos os casos, o salário acima do mercado é um investimento, não só um custo.
A consequência: desemprego involuntário
Se muitas empresas pagam acima do equilíbrio para colher esses ganhos, o salário médio fica alto demais para empregar todo mundo. Sobra gente querendo trabalhar por aquele salário (ou até menos) sem conseguir vaga. O salário de eficiência é, assim, uma das explicações de por que o desemprego pode ser involuntário e persistente, sem que baixar salários resolva.
Visão técnica
Visão técnica
O salário de eficiência é uma contribuição central da economia novo-keynesiana para explicar a rigidez salarial e o desemprego involuntário com microfundamentos. O modelo mais influente, de Carl Shapiro e Joseph Stiglitz (1984), o "shirking model", parte de uma assimetria de informação: o empregador não observa perfeitamente o esforço do trabalhador. Pagar acima do mercado torna o emprego valioso o bastante para que a ameaça de demissão (e de cair no desemprego) discipline o esforço, ou seja, o desemprego involuntário funciona como um "mecanismo de disciplina" que torna a ameaça crível. Se todos pagam o salário de eficiência, o resultado de equilíbrio inclui desemprego, que não some com salários menores, porque cortar o salário destruiria justamente o incentivo ao esforço.
George Akerlof acrescentou a dimensão da reciprocidade (a troca de presentes: salário acima do justo é retribuído com esforço acima do mínimo), aproximando a teoria da economia comportamental. As outras variantes (rotatividade, seleção adversa de candidatos) reforçam a mesma conclusão. A importância teórica é grande: o salário de eficiência fornece um microfundamento para a rigidez salarial que Keynes postulara, explicando por que salários não caem para limpar o mercado de trabalho e por que o desemprego pode ser um traço de equilíbrio, não um desajuste temporário. Na prática, ajuda a entender por que empresas pagam diferente por trabalho parecido, por que há dualidade no mercado de trabalho e por que a flexibilização salarial nem sempre reduz o desemprego.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que salário é sempre só custo a minimizar
Concluir que baixar salários resolve o desemprego
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Conceitos conectados
Desemprego
A parcela das pessoas que querem e procuram trabalho, mas não encontram: um dos termômetros mais sensíveis da saúde de uma economia.
Produtividade
Quanto se produz com os recursos disponíveis: o motor silencioso que, no longo prazo, decide se um país enriquece ou estagna.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
George Akerlof
O americano (1940-) cujo artigo rejeitado três vezes fundou a economia da informação: os limões, os salários de eficiência e a identidade. Nobel de 2001.
Joseph Stiglitz
O americano (1943-) que generalizou a falha de informação: rastreamento, racionamento de crédito e salários de eficiência. Nobel de 2001 e crítico interno da globalização.
Mercado de trabalho
O encontro entre quem oferece trabalho (os trabalhadores) e quem o demanda (as empresas), onde se formam o salário e o nível de emprego, e onde a economia mais toca a vida das pessoas.
Perguntas frequentes
O que é salário de eficiência? +
É a prática de pagar acima do salário de mercado porque isso aumenta a produtividade e reduz custos: diminui a rotatividade, eleva o esforço (o funcionário não quer perder um bom emprego), atrai candidatos melhores e melhora a moral. O salário maior funciona como investimento, não só despesa.
Como o salário de eficiência explica o desemprego? +
Se muitas empresas pagam acima do equilíbrio para colher ganhos de produtividade, o salário médio fica alto demais para empregar todos, e sobra gente querendo trabalhar sem conseguir vaga. O desemprego vira parte do equilíbrio e não some com salários menores, pois cortá-los destruiria o incentivo ao esforço.
Fontes e referências
- Acadêmica Equilibrium Unemployment as a Worker Discipline Device - Carl Shapiro e Joseph Stiglitz (1984)
- Acadêmica Labor Contracts as Partial Gift Exchange - George Akerlof (1982)
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