No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quando todo mundo corre para comprar uma ação, uma criptomoeda ou um imóvel, fica difícil ficar de fora: e se subir ainda mais? E quando todos vendem em pânico, o medo manda vender também. Essa tendência a fazer o que a multidão faz, em vez de olhar o valor real das coisas, é o efeito manada. Ele dá uma sensação de segurança (afinal, estou com a maioria), mas é justamente o que faz tanta gente comprar caro e vender barato.
No seu bolso
Como o investidor decide
Decisão própria
- ›Avalia o valor real
- ›Pode ir contra a maioria
Efeito manada
- ›Imita o que todos fazem
- ›Compra na alta, vende no pânico
Indo mais fundo
Como funciona
Por que imitamos
Seguir a manada tem razões. Achamos que os outros sabem algo que não sabemos, então copiamos. Há o conforto social de não destoar. E há o medo de ficar de fora de um ganho que todos parecem ter. Somadas, essas forças fazem o preço subir porque está subindo, num ciclo que se alimenta a si mesmo.
Bolhas e pânicos
O economista Robert Shiller mostrou como esses ciclos de retroalimentação inflam bolhas: a alta atrai mais compradores, que empurram a alta, até o preço descolar completamente do valor. Quando a confiança vira, o mesmo mecanismo opera ao contrário, e a manada que comprava agora vende em pânico. Foi assim na bolha das pontocom e na de imóveis que levou à crise de 2008.
Visão técnica
A leitura da escola Comportamental
A intuição mais célebre sobre o efeito manada nos mercados é de John Maynard Keynes, no capítulo 12 da Teoria Geral (1936). Com a metáfora de um concurso de beleza de jornal, em que o objetivo não é escolher o rosto mais bonito, mas o que os outros vão escolher, Keynes descreveu o investidor que aposta não no valor real, mas no que imagina que a média pensará:
"Atingimos o terceiro grau, em que dedicamos nossa inteligência a antecipar o que a opinião média espera que seja a opinião média." (John Maynard Keynes, Teoria Geral, 1936)
A economia comportamental retomou essa intuição. Robert Shiller, em Exuberância Irracional (2000), formalizou o papel dos ciclos de retroalimentação e das narrativas na formação de bolhas especulativas, em que o preço sobe por estar subindo. O efeito manada ajuda a explicar por que mercados podem se afastar tanto dos fundamentos, e por que estratégias de rebanho costumam levar o pequeno investidor a comprar na euforia e vender no pânico. Conecta-se aos vieses cognitivos e ao funcionamento da bolsa de valores.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que a maioria está sempre errada
Confundir com decisão informada
Veja também
Conceitos conectados
Vieses cognitivos
Atalhos mentais que distorcem decisões de forma sistemática: úteis para sobreviver, traiçoeiros na hora de lidar com dinheiro.
Bolsa de valores
O mercado organizado onde se compram e vendem ações e outros ativos: o ponto de encontro entre quem tem dinheiro e quem precisa dele.
Economia comportamental
O ramo que junta economia e psicologia: as pessoas não decidem como o agente racional dos modelos, e seus vieses previsíveis moldam escolhas de consumo, poupança e investimento.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Robert Shiller
O americano (1946-) que provou que os mercados oscilam mais do que os fundamentos permitem: exuberância irracional, índices de imóveis e narrativas. Nobel de 2013.
Perguntas frequentes
O que é o efeito manada? +
É a tendência de imitar o comportamento da maioria em vez de decidir pela própria análise. Nos mercados, leva multidões a comprar quando os preços sobem e a vender quando caem, inflando bolhas e aprofundando pânicos.
Por que o efeito manada cria bolhas? +
Porque gera ciclos de retroalimentação: a alta atrai mais compradores, que empurram o preço ainda mais para cima, até descolar do valor real. Quando a confiança vira, o mesmo mecanismo opera ao contrário, transformando a euforia em pânico de venda.
Fontes e referências
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (capítulo 12) - John Maynard Keynes (1936)
- Acadêmica Exuberância Irracional - Robert Shiller (2000)
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