No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quando o governo gasta mais do que arrecada, ele toma emprestado. Boa parte vem de bancos e fundos, mas existe um balcão aberto ao cidadão: o Tesouro Direto. Pelo programa, qualquer pessoa com CPF e conta em uma corretora compra, pela internet, um pedaço da dívida pública a partir de valores baixos. Na prática, você empresta ao governo federal e recebe de volta com juros. É considerado o investimento de menor risco de crédito do país, porque quem deve é o próprio emissor da moeda.
No seu bolso
As três famílias de títulos
- Pós-fixados (Selic) 34%
- Prefixados 33%
- Indexados ao IPCA 33%
Indo mais fundo
Como funciona
Os tipos de título
Há três famílias principais. Os títulos pós-fixados acompanham a taxa Selic e são os mais previsíveis no curto prazo. Os prefixados travam um juro combinado na compra: você sabe exatamente quanto recebe se levar até o vencimento. E os indexados à inflação pagam o IPCA mais um juro real, protegendo o poder de compra no longo prazo, o que os torna populares para aposentadoria.
O que observar
Dois pontos surpreendem iniciantes. Primeiro, vender o título antes do vencimento significa receber o preço de mercado do dia, que pode estar abaixo do que você pagou: é a marcação a mercado. Segundo, há tributação pela tabela regressiva do imposto de renda, que diminui com o prazo. Quem leva o título até o fim recebe exatamente o combinado, descontados impostos e taxas.
Visão técnica
Visão técnica
O Tesouro Direto foi lançado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a bolsa (hoje B3) para democratizar o acesso aos títulos da dívida pública federal, antes restritos ao mercado institucional. Do ponto de vista da gestão da dívida, o programa diversifica a base de credores; do ponto de vista do investidor, oferece o ativo livre de risco de referência da economia brasileira em denominação local: o risco de crédito é o soberano, historicamente o menor do mercado doméstico, já que o emissor controla a própria moeda.
Os riscos relevantes são outros. O risco de mercado aparece na venda antecipada: os preços dos títulos, sobretudo prefixados e indexados ao IPCA de prazo longo, oscilam com as expectativas de juros, e a marcação a mercado pode gerar perdas nominais a quem não espera o vencimento. Há ainda o risco de reinvestimento e, nos pós-fixados, a variação do rendimento com o ciclo da Selic. Conceitualmente, a curva de rendimentos dos títulos públicos é a espinha dorsal da precificação de todos os demais ativos de renda fixa do país: o juro que o governo paga serve de piso e referência para o que bancos e empresas pagam.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que nunca se perde dinheiro
Ignorar custos e impostos
Veja também
Conceitos conectados
Selic
A taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom: o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
Dívida pública
O total que o governo deve a credores: a soma dos déficits que financiou ao longo do tempo emitindo títulos.
Mais específico
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O Tesouro Direto é seguro? +
O risco de calote é o menor do mercado brasileiro, porque o devedor é o governo federal, emissor da própria moeda. O risco real para o investidor é vender antes do vencimento por preço de mercado menor que o pago, a chamada marcação a mercado.
Qual título escolher no Tesouro Direto? +
Depende do objetivo. Para reserva de emergência, o pós-fixado atrelado à Selic é o mais estável. Para metas com data certa, o prefixado trava o ganho até o vencimento. Para longo prazo e aposentadoria, os indexados ao IPCA protegem o poder de compra.
Fontes e referências
- Primária Tesouro Direto: site oficial do programa - Tesouro Nacional (2002)
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