No dia a dia
O que é, em palavras simples
A teoria dos anos 1920 conhecia dois mundos: concorrência perfeita e monopólio. Joan Robinson mapeou o mundo real que vive entre os dois: empresas com marcas, diferenças e poder parcial sobre preços (a concorrência imperfeita) e, na invenção mais duradoura, o mercado com um só comprador, que ela batizou de monopsônio, ferramenta que hoje sustenta o debate sobre salário mínimo e poder dos empregadores. Membro do círculo íntimo de Keynes em Cambridge, tornou-se depois a voz mais afiada da ala pós-keynesiana, e morreu como a maior injustiça da história do Nobel de economia.
No seu bolso
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01
Cambridge (1903-1983)
O círculo de Keynes
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02
Concorrência Imperfeita (1933)
Mercados reais, monopsônio
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03
Controvérsia do capital (1950s)
As duas Cambridges em guerra
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04
Pós-keynesianismo
A guardiã do Keynes da incerteza
Indo mais fundo
Como funciona
Da microeconomia à guerra do capital
A Economia da Concorrência Imperfeita (1933) deu à profissão o kit para analisar mercados reais: curvas de demanda negativadas para cada firma, poder de mercado em graus, a exploração monopsonística do trabalho. Nos anos 1950, Robinson abriu outra frente: a controvérsia do capital entre as duas Cambridges (Inglaterra contra Massachusetts), atacando a noção de capital agregado das funções de produção neoclássicas. Tecnicamente, venceu (Samuelson reconheceu por escrito); na prática da profissão, o assunto foi arquivado, episódio que ela citava como prova de que a teoria dominante escolhe a conveniência.
A pós-keynesiana
Guardiã do Keynes da incerteza radical contra a domesticação da síntese neoclássica, Robinson construiu com Kaldor e Sraffa a tradição pós-keynesiana: tempo histórico em vez de equilíbrio, distribuição como conflito, demanda comandando o longo prazo. Seu A Acumulação de Capital (1956) estendeu Keynes ao crescimento. Polemista temida, viajou e elogiou experimentos que envelheceram mal (China maoísta), mancha que os críticos lembram e que convive com a obra técnica inatacável.
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
Sua definição do ofício é o lema cético deste dicionário:
"O propósito de estudar economia não é adquirir um conjunto de respostas prontas para questões econômicas, mas aprender a evitar ser enganado pelos economistas." (Joan Robinson, Marx, Marshall and Keynes, 1955)
O legado técnico tem três camadas vivas. A microeconomia da concorrência imperfeita é patrimônio universal: toda a organização industrial moderna, da diferenciação de produto à regulação antitruste, opera no continente que ela e Chamberlin (em descoberta simultânea e independente) cartografaram, e o monopsônio viveu nas últimas décadas a reabilitação empírica narrada no termo próprio, com a literatura de poder de mercado de trabalho citando-a como fundadora. A controvérsia do capital sobrevive como advertência metodológica: agregar capital heterogêneo num número exige hipóteses que a própria teoria não sustenta, ressalva que ressurge a cada debate sobre funções de produção e contabilidade do crescimento. E a tradição pós-keynesiana que ela liderou é hoje a casa de Minsky, da endogeneidade da moeda e de parte do instrumental que a crise de 2008 reabilitou. A ausência do Nobel, num comitê que premiou contemporâneos de obra menor, é lida pela história da disciplina como o caso exemplar de viés (de gênero e de escola) na consagração: este pilar a registra no lugar que a régua técnica, e não a política dos prêmios, lhe dá.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Reduzi-la a "a economista que não ganhou o Nobel"
Descartar a obra pelas posições políticas tardias
Veja também
Conceitos conectados
Concorrência monopolística
O mercado com muitos vendedores de produtos parecidos, mas não idênticos: cada um ganha um pouco de poder sobre o preço graças à diferenciação.
Keynesianismo
A revolução de John Maynard Keynes: a demanda determina a produção e o emprego, e o Estado deve agir nas crises, quando o mercado não se reequilibra sozinho.
Monopsônio
O espelho do monopólio: um mercado com um único comprador (ou poucos), que usa esse poder para pagar menos pelo que compra, inclusive pelo trabalho.
Perguntas frequentes
O que Joan Robinson descobriu? +
O território entre a concorrência perfeita e o monopólio: a concorrência imperfeita dos mercados reais, com firmas diferenciadas e poder parcial de preço, e o monopsônio, o mercado com um só comprador, hoje central no debate sobre salários. Liderou ainda a tradição pós-keynesiana.
Por que Joan Robinson não ganhou o Nobel? +
O comitê nunca explicou, e a história da disciplina trata o caso como o exemplo maior de viés na consagração: mulher, heterodoxa e polemista, foi preterida enquanto contemporâneos de obra menor eram premiados. O instrumental que criou é usado diariamente por todas as escolas.
Fontes e referências
- Acadêmica The Economics of Imperfect Competition - Joan Robinson (1933)
- Acadêmica A Acumulação de Capital - Joan Robinson (1956)
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