No dia a dia
O que é, em palavras simples
Banco nenhum guarda parado o dinheiro de todos os clientes ao mesmo tempo: ele empresta a maior parte. Isso funciona enquanto poucos sacam por dia. Quando muita gente corre para sacar de uma vez, com medo de perder o dinheiro, o caixa não dá conta, e o que era um boato pode virar quebra de verdade.
No seu bolso
Os dois equilíbrios de um banco
Confiança
- ›Saques só por necessidade
- ›O banco opera normal
Pânico
- ›Todos sacam de uma vez
- ›Profecia autorrealizável
Indo mais fundo
Como funciona
Por que o medo se realiza
O segredo está num descompasso: o banco tem dívidas de curtíssimo prazo (os depósitos, que você saca a qualquer hora) e ativos de longo prazo (os empréstimos que fez). Se todos querem o dinheiro agora, nem o banco mais sólido consegue transformar empréstimos de anos em caixa imediato.
O que contém o pânico
Para evitar que o medo se espalhe, existem redes de proteção: o seguro de depósitos (no Brasil, o FGC) e o Banco Central como emprestador de última instância, capaz de injetar liquidez para estancar a corrida.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O mecanismo foi formalizado por Douglas Diamond e Philip Dybvig em 1983, trabalho que lhes rendeu o Nobel de Economia em 2022. Eles mostraram que o sistema bancário comporta dois equilíbrios. Num deles, os depositantes confiam, sacam apenas quando precisam, e o banco opera em paz. No outro, basta cada um esperar que os demais corram para que correr também se torne a decisão individualmente racional: a corrida vira uma profecia autorrealizável. O ponto desconcertante é que a quebra pode acontecer mesmo sem nada de errado nos investimentos do banco; o gatilho é a crença, não o balanço.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que só banco ruim sofre corrida
Confundir falta de liquidez com insolvência
Pré-requisitos
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
FGC
O fundo que garante o seu dinheiro em bancos e aplicações cobertas até um limite, reduzindo o risco de uma corrida bancária.
Hyman Minsky
O americano (1919-1996) que morreu marginal e voltou manchete: a instabilidade financeira endógena, o momento Minsky e o Keynes que a síntese havia aparado.
Charles Kindleberger
O americano (1910-2003) que catalogou quatro séculos de bolhas e quebras, ajudou a desenhar o Plano Marshall e deixou a tese que ainda assombra a geopolítica: o mundo precisa de um estabilizador.
Perguntas frequentes
O FGC protege contra corrida bancária? +
Em parte. Ao garantir depósitos até um limite por instituição, o FGC reduz o incentivo ao pânico, porque o pequeno poupador sabe que recupera o dinheiro mesmo se o banco quebrar.
Por que um banco saudável pode quebrar numa corrida? +
Porque seus ativos são de longo prazo e os depósitos podem ser sacados a qualquer momento. Se todos sacam juntos, falta caixa, ainda que os empréstimos sejam bons.
Fontes e referências
- Acadêmica Bank Runs, Deposit Insurance, and Liquidity - Douglas Diamond e Philip Dybvig (1983)
- Primária Fundo Garantidor de Créditos - FGC (2024)
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