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Pensadores Nível 3 Intermediário

Herbert Simon

também conhecido como: Simon

O americano (1916-2001) que trocou o maximizador onisciente pelo decisor real: racionalidade limitada e satisficing. Nobel de economia, pioneiro da inteligência artificial.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Comportamental

No dia a dia

O que é, em palavras simples

O agente dos manuais conhece todas as opções e escolhe a melhor. Herbert Simon perguntou o óbvio que ninguém perguntava: com que tempo, com que memória, com que cérebro? Sua resposta refundou a teoria da decisão: a racionalidade humana é limitada (informação incompleta, atenção escassa, capacidade finita), e por isso ninguém maximiza, as pessoas satisficiam: procuram até achar o bom o suficiente e param. O polímata que provou isso ganhou o Nobel de economia (1978), o prêmio Turing de computação (1975) e fundou de passagem a inteligência artificial.

No seu bolso

Você não compara todos os restaurantes da cidade: procura até achar um bom o suficiente e senta. Acaba de praticar satisficing, a palavra que Simon inventou para o que todo mundo faz.
Anatomia do conceito
  1. 01

    Administrative Behavior (1947)

    Organizações decidem por procedimentos

  2. 02

    Racionalidade limitada

    Satisficing no lugar de maximizar

  3. 03

    Inteligência artificial (1956)

    Construir mentes para entender a mente

  4. 04

    Nobel (1978) e Turing (1975)

    O polímata consagrado duas vezes

Indo mais fundo

Como funciona

Da firma à mente

O ponto de partida foi a administração real: Administrative Behavior (1947) mostrou que organizações decidem por procedimentos, rotinas e hierarquias de atenção, não por cálculo global, e que o desenho da organização é a tecnologia que compensa os limites de cada mente. Daí às heurísticas: regras de bolso que funcionam porque o ambiente coopera, a ponte que liga Simon a Kahneman (que o cita como fundador) e às rotinas de Nelson e Winter (seus herdeiros diretos em Carnegie Mellon).

O polímata de Carnegie

Simon levou a tese ao limite construindo mentes: com Allen Newell, criou os primeiros programas de raciocínio (Logic Theorist, 1956; General Problem Solver), fundando a inteligência artificial como ciência da resolução limitada de problemas, e As Ciências do Artificial (1969) deu a gramática dos sistemas projetados. A unidade da obra é uma só pergunta em três campos: como agentes finitos produzem comportamento inteligente, em economia, em organizações, em máquinas.

Visão técnica

A leitura da escola Comportamental

A formulação canônica, já citada no termo de racionalidade limitada deste dicionário:

"A capacidade da mente humana de formular e resolver problemas complexos é muito pequena comparada com o tamanho dos problemas cuja solução é requerida para o comportamento objetivamente racional no mundo real." (Herbert Simon, Models of Man, 1957)

O programa simoniano distingue racionalidade substantiva (o resultado ótimo dos manuais) de procedural (a qualidade do processo de busca dado o limite), deslocando a pergunta normativa: não "qual a escolha ótima?", mas "qual procedimento de decisão é bom para mentes assim em ambientes assim?", a fundação comum da economia comportamental, da teoria das organizações e do desenho de instituições como próteses cognitivas (a firma, o mercado e o Estado relidos como arquiteturas de atenção). As descendências deste dicionário são explícitas: Kahneman e Tversky mapearam os desvios que a limitação produz; Thaler desenhou os empurrões que a compensam; Nelson e Winter fizeram das rotinas o gene da firma evolucionária; e a réplica de Gigerenzer (heurísticas como racionalidade ecológica, não defeito) é simoniana contra os próprios herdeiros. A camada IA fecha o arco com atualidade: Simon previu cedo demais (o xadrez caiu décadas depois do prometido) e formulou para sempre (a atenção como recurso escasso numa sociedade rica em informação, o diagnóstico de 1971 que define a economia das plataformas). No grafo deste pilar, Simon é o nó de onde partem três trilhas, comportamental, organizacional e computacional, e o autor da pergunta que as une: o que é inteligência quando o cérebro tem hora para acabar?

No mercado

A economia da atenção que move as plataformas digitais foi formulada por Simon em 1971: a riqueza de informação cria pobreza daquilo que a informação consome, a atenção.

Atenção

Mitos e erros comuns

Ler a racionalidade limitada como burrice

O ponto de Simon é arquitetural, não depreciativo: dadas as restrições, satisficiar costuma ser o procedimento racional, e instituições bem desenhadas compensam os limites. A limitação é da espécie, não do indivíduo.

Esquecer que a firma é a outra metade da tese

Antes da mente, Simon estudou a organização: procedimentos, rotinas e hierarquias de atenção como tecnologia de decisão coletiva. Quem lê só o satisficing perde a teoria das organizações que fundou.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é satisficing? +

O termo de Simon para como decisores reais escolhem: em vez de comparar todas as opções e maximizar (impossível para mentes finitas), procura-se até encontrar uma alternativa boa o suficiente e para-se ali. É racionalidade procedural: o melhor processo dado o limite, não o melhor resultado abstrato.

Por que Simon é fundador de três campos? +

A mesma pergunta (como agentes finitos produzem comportamento inteligente) gerou a racionalidade limitada na economia (Nobel de 1978), a teoria das organizações na administração (decisão por procedimentos) e a inteligência artificial na computação (Turing de 1975, com Newell).

Fontes e referências

  • Acadêmica Models of Man - Herbert Simon (1957)
  • Acadêmica Administrative Behavior - Herbert Simon (1947)

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