No dia a dia
O que é, em palavras simples
George Akerlof escreveu aos 26 anos um artigo de treze páginas sobre carros usados, três revistas o rejeitaram (uma por trivialidade, outra por estar errado), e o texto acabou fundando um campo e valendo o Nobel. The Market for Lemons (1970) mostra o mecanismo: quando o vendedor sabe mais que o comprador, os preços médios expulsam os bons produtos e os ruins (os limões) dominam, até o mercado encolher ou sumir. A assimetria de informação saiu dos carros usados para explicar seguros, crédito, trabalho, e reorganizar a microeconomia inteira.
No seu bolso
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01
Limões (1970)
Rejeitado 3 vezes, fundou um campo
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02
Salários de eficiência
O microfundamento do desemprego
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03
Nobel (2001)
Com Spence e Stiglitz, a informação
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04
Identidade e espíritos
A psicologia social entra na economia
Indo mais fundo
Como funciona
Dos limões aos salários
A seleção adversa dos limões (detalhada no termo próprio, com a citação canônica) gerou a trinca do Nobel de 2001 com Spence (sinalização) e Stiglitz (rastreamento): o mercado responde à informação assimétrica criando instituições (garantias, marcas, diplomas, score de crédito). A segunda contribuição clássica de Akerlof ataca o desemprego: os salários de eficiência (pagar acima do mercado eleva esforço, lealdade e qualidade da fila de candidatos, e por isso cortar salário na recessão sai caro), microfundamento novo-keynesiano da rigidez que mantém desemprego em equilíbrio, e a razão do rótulo de escola deste termo, com a ressalva de praxe.
A fronteira humana
O Akerlof tardio empurrou a disciplina para a psicologia social: Identity Economics (com Rachel Kranton) põe quem eu sou na função de decisão (normas de grupo explicando de escolha escolar a corrida salarial), Animal Spirits (com Shiller, 2009) reabilita o Keynes psicológico para explicar 2008, e Phishing for Phools (2015, também com Shiller) descreve mercados que caçam ativamente os vieses do consumidor, a manipulação como equilíbrio. Detalhe de rede: casado com Janet Yellen, parceira em parte da obra novo-keynesiana e depois presidente do Fed e secretária do Tesouro.
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
A frase-síntese dos limões, já verificada no termo de seleção adversa, descreve o mecanismo em sete palavras: os carros ruins expulsam os bons. A arquitetura analítica que dela deriva organiza meio século: a informação assimétrica como falha de mercado de primeira classe (com as respostas institucionais, sinalização e rastreamento, virando o objeto da economia dos contratos), os microfundamentos comportamentais da macro novo-keynesiana (salários de eficiência, normas de justiça salarial e a rigidez nominal que o termo de ilusão monetária documenta, incluindo o clássico com Yellen sobre near-rationality: pequenos desvios da racionalidade gerando grandes flutuações agregadas) e a agenda de identidade, que importa da sociologia o grupo de referência e devolve à economia perguntas que ela havia exilado: por que normas mudam, por que minorias sub-investem onde a norma pune o esforço, por que organizações cultivam vestiários.
No mapa deste pilar, Akerlof é o conector por excelência: dos limões saem as trilhas para o score de crédito e o seguro (seleção adversa, risco moral), dos salários de eficiência a ponte Keynes-comportamental que Animal Spirits explicita, e da identidade o diálogo com a economia feminista e institucional. O traço metodológico que ele mesmo reivindica fecha o termo: a defesa do que chama de economia de pessoa inteira, modelos que sacrificam elegância por realismo psicológico e social, com a história editorial dos limões (rejeitado por trivial e por impossível) como a parábola que este portal conta a quem confunde rigor com estreiteza.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que o mercado de limões condena os mercados
Subestimar o Akerlof macroeconômico
Veja também
Conceitos conectados
Assimetria de informação
A situação em que uma parte de um negócio sabe mais que a outra: o vendedor que conhece o defeito, o tomador que conhece o próprio risco.
Seleção adversa
O problema, descrito por Akerlof, em que a informação escondida faz os piores produtos ou clientes dominarem um mercado, expulsando os bons antes mesmo do negócio.
Animal spirits
O termo de Keynes para o impulso espontâneo, mais emocional que calculado, que leva empresas a investir diante de um futuro que nenhuma conta consegue prever.
Perguntas frequentes
O que é o mercado de limões de Akerlof? +
O modelo de 1970 em que a assimetria de informação destrói mercados: se o comprador não distingue qualidade, paga preço médio; os bons vendedores saem, os limões dominam e o mercado encolhe. Garantias, marcas e reputação são as instituições que o salvam.
O que são salários de eficiência? +
A tese de Akerlof (e Yellen) de que pagar acima do salário de mercado é racional: compra esforço, lealdade e candidatos melhores. Como cortar salários sai caro, eles resistem à recessão, e o desemprego involuntário vira equilíbrio, o microfundamento novo-keynesiano da rigidez.
Fontes e referências
- Acadêmica The Market for Lemons (Quarterly Journal of Economics) - George Akerlof (1970)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 2001: Akerlof, Spence e Stiglitz - Nobel Prize (2001)
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