No dia a dia
O que é, em palavras simples
Numa cozinha pequena, o segundo cozinheiro ajuda muito: a produção quase dobra. O terceiro ainda ajuda. Mas, lá pelo quinto, eles começam a esbarrar uns nos outros, disputar o mesmo fogão, atrapalhar. Cada cozinheiro a mais rende menos que o anterior. Essa é a lei dos rendimentos decrescentes: quando se aumenta um recurso mantendo os outros fixos (aqui, o tamanho da cozinha), o ganho de produção vai encolhendo.
No seu bolso
Cada unidade extra de insumo
Primeiras unidades
- ›Muito produto adicional
- ›Recursos fixos sobrando
Unidades seguintes
- ›Cada vez menos produto extra
- ›Recursos fixos saturados
Indo mais fundo
Como funciona
Um insumo varia, os outros não
A condição essencial é que algo fique fixo. Se você acrescenta trabalhadores, mas a fábrica, as máquinas e o espaço continuam os mesmos, cada novo trabalhador tem cada vez menos com que trabalhar. A produção continua subindo, mas o acréscimo (o produto marginal) diminui. É por isso que não se planta a comida do mundo todo num único vaso, por mais sementes que se use.
Por que importa
Os rendimentos decrescentes estão por trás do formato das curvas de custo das empresas e ajudaram David Ricardo a explicar a renda da terra: como as melhores terras são limitadas, expandir a produção obriga a usar terras piores, com rendimento menor. É um dos princípios mais antigos e robustos da economia.
Visão técnica
A leitura da escola Clássica
A lei dos rendimentos decrescentes foi formulada já no século 18, atribuída a Anne Robert Jacques Turgot (1767) no contexto agrícola, e desenvolvida por David Ricardo na análise da renda da terra. Ela afirma que, a partir de certo ponto, acrescentar unidades de um insumo variável a uma quantidade fixa dos demais faz o produto marginal (o acréscimo de produção por unidade extra de insumo) declinar.
É crucial separar dois conceitos que parecem iguais. Os rendimentos decrescentes valem no curto prazo, quando ao menos um fator é fixo (a planta, a terra). As economias e deseconomias de escala valem no longo prazo, quando todos os fatores variam ao mesmo tempo (a empresa pode construir outra fábrica). Confundi-los é um erro comum. A lei dos rendimentos decrescentes é a base microeconômica das curvas de custo marginal crescente e aparece em toda a teoria da produção, da agricultura à indústria e ao estudo do trabalho.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir com economia de escala
Achar que a produção cai
Veja também
Conceitos conectados
Produtividade
Quanto se produz com os recursos disponíveis: o motor silencioso que, no longo prazo, decide se um país enriquece ou estagna.
Custo marginal
O custo de produzir uma unidade a mais: a bússola que guia a decisão de quanto produzir, no coração do raciocínio marginalista.
Escola clássica
A corrente fundadora da economia, de Adam Smith e David Ricardo: o mercado, movido pelo interesse próprio, coordena a produção e gera riqueza.
David Ricardo
O inglês (1772-1823) que deu à economia seu primeiro teorema: a vantagem comparativa. Corretor milionário virado teórico, rigoroso até contra as próprias teses.
Perguntas frequentes
O que é a lei dos rendimentos decrescentes? +
É o princípio de que, ao adicionar mais de um insumo mantendo os outros fixos, a produção extra de cada unidade acrescentada acaba diminuindo. A produção total ainda sobe, mas o acréscimo (o produto marginal) encolhe a partir de certo ponto.
É o mesmo que deseconomia de escala? +
Não. Os rendimentos decrescentes ocorrem no curto prazo, quando pelo menos um fator é fixo. As economias e deseconomias de escala ocorrem no longo prazo, quando todos os fatores variam ao mesmo tempo. É um erro comum confundir os dois.
Fontes e referências
- Acadêmica Observações sobre a Formação e a Distribuição das Riquezas - Anne Robert Jacques Turgot (1767)
- Acadêmica Princípios de Economia Política e Tributação - David Ricardo (1817)
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