No dia a dia
O que é, em palavras simples
Imagine uma padaria que vendeu cem pães por um real cada no ano passado e, neste ano, vendeu os mesmos cem pães por dois reais cada. O faturamento dobrou, mas a produção não cresceu nada: só os preços subiram. Com o país acontece o mesmo. O PIB nominal soma tudo o que foi produzido aos preços do próprio ano, e por isso mistura produção com inflação. O PIB real desconta a alta dos preços e responde a única pergunta que importa: produziu-se mais ou não?
No seu bolso
Duas leituras do mesmo PIB
PIB nominal
- ›Preços correntes do ano
- ›Mistura produção e inflação
PIB real
- ›Preços constantes (ano-base)
- ›Mede só o volume produzido
Indo mais fundo
Como funciona
Por que a distinção importa
Em países de inflação alta, o PIB nominal pode crescer dois dígitos num ano em que a economia real encolheu. Por isso, quando o noticiário diz que a economia cresceu, a referência é sempre o PIB real: a variação de volume, já limpa do efeito dos preços. O nominal tem seus usos, como comparar o tamanho da economia com a dívida pública ou calcular razões como dívida sobre PIB, que também estão em valores correntes.
O deflator
A ponte entre os dois é o deflator do PIB: o índice de preços implícito que transforma o nominal em real. Ele é, na prática, uma das medidas mais amplas de inflação da economia, porque cobre todos os bens e serviços produzidos, e não apenas a cesta de consumo das famílias.
Visão técnica
Visão técnica
O PIB nominal mede o valor da produção a preços correntes; o PIB real, a preços constantes de um ano-base, isolando a variação de volume. A razão entre os dois é o deflator implícito do PIB, um índice de preços abrangente que difere conceitualmente do IPCA: enquanto o IPCA acompanha uma cesta fixa de consumo das famílias, o deflator cobre toda a produção, incluindo investimento, gasto público e exportações, com pesos que mudam a cada ano.
No Brasil, o IBGE apura o PIB no Sistema de Contas Nacionais e divulga as variações reais trimestrais. Três usos práticos da distinção: comparações no tempo exigem o PIB real (crescimento); comparações de tamanho num mesmo momento, como dívida sobre PIB ou carga tributária, usam o nominal; e comparações entre países exigem ainda converter moedas, idealmente por paridade de poder de compra. Confundir as medidas produz erros clássicos de análise, como celebrar um crescimento nominal que é só inflação, o caso extremo dos anos de hiperinflação brasileira, quando o PIB nominal explodia enquanto a economia real patinava.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Celebrar crescimento nominal
Confundir deflator do PIB com IPCA
Veja também
Conceitos conectados
Inflação
A perda contínua do poder de compra do dinheiro: com o tempo, a mesma quantia compra menos.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Mais específico
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PIB real e PIB nominal? +
O PIB nominal soma a produção aos preços do próprio ano, misturando volume e inflação. O PIB real usa preços constantes de um ano-base e mostra apenas a variação do que foi de fato produzido. O crescimento divulgado no noticiário é sempre o real.
O que é o deflator do PIB? +
É o índice de preços implícito que converte o PIB nominal em real. Por cobrir todos os bens e serviços produzidos no país, e não só o consumo das famílias, é uma das medidas mais amplas de inflação de uma economia.
Fontes e referências
- Primária Sistema de Contas Nacionais: PIB - IBGE
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