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Microeconomia Nível 3 Intermediário

Risco moral

também conhecido como: moral hazard, perigo moral

A tendência de alguém a assumir mais riscos quando não arca sozinho com as consequências, como o segurado que se descuida por se saber coberto.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Institucional

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Quem dirige um carro alugado com seguro total tende a ter menos cuidado do que com o próprio carro. Não por má índole, mas porque o custo de um arranhão não é mais seu. Esse é o risco moral: quando uma pessoa ou empresa, protegida das consequências de seus atos, passa a se arriscar mais. A proteção, que existe para o bem, acaba mudando o comportamento de quem é protegido.

No seu bolso

Com um plano de saúde que cobre tudo, é comum marcar mais consultas e exames do que se cada um saísse do próprio bolso. A cobertura muda o comportamento.
Anatomia do conceito

Quem paga a conta do risco?

Arca com o próprio risco

  • Tem incentivo ao cuidado
  • Pesa custos e benefícios

Está protegido

  • Incentivo ao cuidado enfraquece
  • Tende a arriscar mais

Indo mais fundo

Como funciona

Depois do acordo

O risco moral surge depois que um contrato é firmado, quando uma das partes não consegue observar plenamente a ação da outra. O segurado pode se descuidar; o gestor pode arriscar o dinheiro dos investidores; o funcionário pode se esforçar menos. Como o vigilante não vê tudo, o incentivo a agir com cuidado enfraquece.

Do seguro aos bancos

O exemplo clássico é o seguro, mas o caso mais célebre é o dos bancos grandes demais para quebrar (too big to fail). Se um banco confia que será socorrido com dinheiro público numa crise, pode assumir riscos excessivos, embolsando os lucros e repassando os prejuízos à sociedade. Boa parte da regulação financeira existe para conter exatamente esse risco moral.

Visão técnica

A leitura da escola Institucional

O conceito de risco moral foi trazido para o centro da economia por Kenneth Arrow, no clássico Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care (1963), ao analisar por que o mercado de seguro-saúde funciona de modo peculiar: uma vez segurada, a pessoa tende a usar mais serviços do que usaria se pagasse do próprio bolso.

O risco moral é um problema de assimetria de informação que aparece após a celebração do contrato (em contraste com a seleção adversa, que ocorre antes). Sua raiz é a impossibilidade de observar e premiar perfeitamente a ação da outra parte, o que enfraquece o incentivo ao cuidado e ao esforço. Daí nascem desenhos institucionais para mitigá-lo: franquias e copagamentos em seguros, garantias e cláusulas em contratos, participação nos resultados para alinhar o gestor ao dono (o problema do principal-agente) e regras prudenciais para os bancos. Apesar do nome, não se trata de um julgamento moral: é uma questão de incentivos diante da informação incompleta.

No mercado

Bancos que se julgam grandes demais para quebrar podem assumir riscos altos, contando com socorro público se der errado. Esse risco moral foi central na crise de 2008.

Atenção

Mitos e erros comuns

Confundir com seleção adversa

A seleção adversa acontece antes do contrato (quem se arrisca mais procura mais seguro). O risco moral acontece depois (já segurado, a pessoa se cuida menos). São dois problemas distintos de informação.

Ler como julgamento de caráter

Apesar do nome, risco moral não é sobre gente boa ou má. É sobre incentivos: quando alguém não arca com as consequências, o cuidado naturalmente diminui.

Mais específico

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Perguntas frequentes

O que é risco moral? +

É a tendência de uma pessoa ou empresa a assumir mais riscos ou se descuidar quando não arca sozinha com as consequências, por estar protegida (por um seguro, uma garantia ou a expectativa de socorro). Surge da dificuldade de observar e premiar a ação da parte protegida.

Qual a diferença entre risco moral e seleção adversa? +

A seleção adversa ocorre antes do contrato: quem tem mais risco é quem mais procura o seguro. O risco moral ocorre depois: uma vez coberta, a pessoa muda o comportamento e se arrisca mais. Os dois são problemas de informação assimétrica.

Fontes e referências

  • Acadêmica Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care (American Economic Review) - Kenneth Arrow (1963)

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