No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quem dirige um carro alugado com seguro total tende a ter menos cuidado do que com o próprio carro. Não por má índole, mas porque o custo de um arranhão não é mais seu. Esse é o risco moral: quando uma pessoa ou empresa, protegida das consequências de seus atos, passa a se arriscar mais. A proteção, que existe para o bem, acaba mudando o comportamento de quem é protegido.
No seu bolso
Quem paga a conta do risco?
Arca com o próprio risco
- ›Tem incentivo ao cuidado
- ›Pesa custos e benefícios
Está protegido
- ›Incentivo ao cuidado enfraquece
- ›Tende a arriscar mais
Indo mais fundo
Como funciona
Depois do acordo
O risco moral surge depois que um contrato é firmado, quando uma das partes não consegue observar plenamente a ação da outra. O segurado pode se descuidar; o gestor pode arriscar o dinheiro dos investidores; o funcionário pode se esforçar menos. Como o vigilante não vê tudo, o incentivo a agir com cuidado enfraquece.
Do seguro aos bancos
O exemplo clássico é o seguro, mas o caso mais célebre é o dos bancos grandes demais para quebrar (too big to fail). Se um banco confia que será socorrido com dinheiro público numa crise, pode assumir riscos excessivos, embolsando os lucros e repassando os prejuízos à sociedade. Boa parte da regulação financeira existe para conter exatamente esse risco moral.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O conceito de risco moral foi trazido para o centro da economia por Kenneth Arrow, no clássico Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care (1963), ao analisar por que o mercado de seguro-saúde funciona de modo peculiar: uma vez segurada, a pessoa tende a usar mais serviços do que usaria se pagasse do próprio bolso.
O risco moral é um problema de assimetria de informação que aparece após a celebração do contrato (em contraste com a seleção adversa, que ocorre antes). Sua raiz é a impossibilidade de observar e premiar perfeitamente a ação da outra parte, o que enfraquece o incentivo ao cuidado e ao esforço. Daí nascem desenhos institucionais para mitigá-lo: franquias e copagamentos em seguros, garantias e cláusulas em contratos, participação nos resultados para alinhar o gestor ao dono (o problema do principal-agente) e regras prudenciais para os bancos. Apesar do nome, não se trata de um julgamento moral: é uma questão de incentivos diante da informação incompleta.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir com seleção adversa
Ler como julgamento de caráter
Mais específico
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
Incentivos
As recompensas e punições que moldam as decisões: entender os incentivos é entender por que as pessoas fazem o que fazem.
Falha de mercado
Situações em que o mercado, por si só, não aloca os recursos de forma eficiente: externalidades, bens públicos, monopólios e assimetria de informação.
Kenneth Arrow
O americano (1921-2017) que provou os dois teoremas que cercam a economia: nenhuma votação é perfeita (impossibilidade) e o mercado completo é eficiente (Arrow-Debreu).
Perguntas frequentes
O que é risco moral? +
É a tendência de uma pessoa ou empresa a assumir mais riscos ou se descuidar quando não arca sozinha com as consequências, por estar protegida (por um seguro, uma garantia ou a expectativa de socorro). Surge da dificuldade de observar e premiar a ação da parte protegida.
Qual a diferença entre risco moral e seleção adversa? +
A seleção adversa ocorre antes do contrato: quem tem mais risco é quem mais procura o seguro. O risco moral ocorre depois: uma vez coberta, a pessoa muda o comportamento e se arrisca mais. Os dois são problemas de informação assimétrica.
Fontes e referências
- Acadêmica Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care (American Economic Review) - Kenneth Arrow (1963)
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