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Comércio internacional Nível 3 Intermediário

Termos de troca

também conhecido como: terms of trade

A relação entre os preços do que um país exporta e do que importa: define quanto de importação cada unidade de exportação consegue comprar.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Estruturalista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Termos de troca medem o poder de compra das exportações de um país. Se os preços do que ele vende ao mundo sobem mais que os do que compra, seus termos de troca melhoram: cada saca de soja ou tonelada de minério passa a comprar mais máquinas e remédios importados. Se acontece o contrário, o país precisa exportar cada vez mais só para importar a mesma coisa.

No seu bolso

Quando o preço do minério dispara e o de máquinas importadas fica estável, o Brasil precisa exportar menos minério para comprar a mesma máquina: termos de troca melhores.
Anatomia do conceito

O poder de compra das exportações

Termos de troca melhores

  • Preço das exportações sobe mais
  • Cada venda compra mais importação

Termos de troca piores

  • Preço das importações sobe mais
  • É preciso exportar mais pelo mesmo

Indo mais fundo

Como funciona

Por que oscilam tanto

Países que exportam matérias-primas e importam manufaturas ficam à mercê dos preços globais das commodities, que sobem e descem em ciclos largos. Numa alta do minério ou do petróleo, os termos de troca melhoram e a economia respira; numa queda, apertam. Essa montanha-russa, vinda de fora, é uma das marcas das economias exportadoras de matéria-prima.

A tese da deterioração

Há uma hipótese influente de que, no longo prazo, os termos de troca tendem a piorar para os exportadores de matéria-prima. A ideia: os preços das commodities cresceriam menos que os das manufaturas, num movimento estrutural que empobreceria relativamente a periferia exportadora.

Visão técnica

A leitura da escola Estruturalista

A tese da deterioração dos termos de troca é uma das contribuições mais influentes do pensamento econômico latino-americano, associada a Raúl Prebisch e à CEPAL, e formulada de modo semelhante por Hans Singer. Prebisch enxergava a economia mundial dividida entre um centro, industrializado, e uma periferia, especializada em matérias-primas. Sua hipótese era que os ganhos de produtividade na periferia escapavam pela queda dos preços das commodities, enquanto no centro se convertiam em salários e lucros maiores. O resultado seria uma transferência estrutural de renda da periferia para o centro, perpetuando a desigualdade entre nações. Daí a defesa, por Prebisch e Celso Furtado, da industrialização via substituição de importações, como caminho para a periferia escapar dessa armadilha. A validade empírica da tese é debatida, mas seu impacto sobre as políticas de desenvolvimento foi enorme.

No mercado

Booms de commodities melhoram os termos de troca de exportadores de matéria-prima, inflando suas economias; o fim do boom costuma trazer o ajuste doloroso.

Atenção

Mitos e erros comuns

Confundir com balança comercial

A balança mede quantidades vendidas e compradas. Os termos de troca medem a relação de preços: quanto cada exportação compra de importação.

Tratar a deterioração como lei

A tese de Prebisch é influente, mas debatida. Os termos de troca também passam por ciclos longos, com altas e baixas, não apenas queda contínua.

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Perguntas frequentes

O que é a tese centro-periferia? +

É a visão, de Raúl Prebisch e da CEPAL, de que a economia mundial se divide entre um centro industrializado e uma periferia exportadora de matérias-primas, com os ganhos fluindo da periferia para o centro.

A deterioração dos termos de troca é consenso? +

Não. É uma tese influente, formulada por Prebisch e Singer, mas seu suporte empírico é debatido. Os termos de troca passam por ciclos longos, com fases de alta e de baixa.

Fontes e referências

  • Acadêmica O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Alguns de seus Principais Problemas - Raúl Prebisch (CEPAL) (1949)
  • Acadêmica Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (1959)

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