No dia a dia
O que é, em palavras simples
Termos de troca medem o poder de compra das exportações de um país. Se os preços do que ele vende ao mundo sobem mais que os do que compra, seus termos de troca melhoram: cada saca de soja ou tonelada de minério passa a comprar mais máquinas e remédios importados. Se acontece o contrário, o país precisa exportar cada vez mais só para importar a mesma coisa.
No seu bolso
O poder de compra das exportações
Termos de troca melhores
- ›Preço das exportações sobe mais
- ›Cada venda compra mais importação
Termos de troca piores
- ›Preço das importações sobe mais
- ݃ preciso exportar mais pelo mesmo
Indo mais fundo
Como funciona
Por que oscilam tanto
Países que exportam matérias-primas e importam manufaturas ficam à mercê dos preços globais das commodities, que sobem e descem em ciclos largos. Numa alta do minério ou do petróleo, os termos de troca melhoram e a economia respira; numa queda, apertam. Essa montanha-russa, vinda de fora, é uma das marcas das economias exportadoras de matéria-prima.
A tese da deterioração
Há uma hipótese influente de que, no longo prazo, os termos de troca tendem a piorar para os exportadores de matéria-prima. A ideia: os preços das commodities cresceriam menos que os das manufaturas, num movimento estrutural que empobreceria relativamente a periferia exportadora.
Visão técnica
A leitura da escola Estruturalista
A tese da deterioração dos termos de troca é uma das contribuições mais influentes do pensamento econômico latino-americano, associada a Raúl Prebisch e à CEPAL, e formulada de modo semelhante por Hans Singer. Prebisch enxergava a economia mundial dividida entre um centro, industrializado, e uma periferia, especializada em matérias-primas. Sua hipótese era que os ganhos de produtividade na periferia escapavam pela queda dos preços das commodities, enquanto no centro se convertiam em salários e lucros maiores. O resultado seria uma transferência estrutural de renda da periferia para o centro, perpetuando a desigualdade entre nações. Daí a defesa, por Prebisch e Celso Furtado, da industrialização via substituição de importações, como caminho para a periferia escapar dessa armadilha. A validade empírica da tese é debatida, mas seu impacto sobre as políticas de desenvolvimento foi enorme.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir com balança comercial
Tratar a deterioração como lei
Veja também
Conceitos conectados
Substituição de importações
Estratégia de desenvolvimento que troca a importação de manufaturados pela produção interna, defendida pela CEPAL para industrializar a periferia.
Vantagem comparativa
O princípio de Ricardo: vale a pena cada país se especializar no que produz com menor custo relativo e trocar o resto, mesmo sendo pior em tudo.
Balança comercial
A diferença entre o que um país exporta e o que importa de bens: superávit quando vende mais, déficit quando compra mais.
Celso Furtado
O paraibano (1920-2004) que explicou o Brasil pela economia: o subdesenvolvimento não é atraso na fila, é uma formação histórica própria. Fundador da SUDENE, expoente da CEPAL.
Raúl Prebisch
O argentino (1901-1986) que fundou o estruturalismo latino-americano: o mundo dividido em centro e periferia, e a tese de que exportar matéria-prima empobrece relativamente.
Perguntas frequentes
O que é a tese centro-periferia? +
É a visão, de Raúl Prebisch e da CEPAL, de que a economia mundial se divide entre um centro industrializado e uma periferia exportadora de matérias-primas, com os ganhos fluindo da periferia para o centro.
A deterioração dos termos de troca é consenso? +
Não. É uma tese influente, formulada por Prebisch e Singer, mas seu suporte empírico é debatido. Os termos de troca passam por ciclos longos, com fases de alta e de baixa.
Fontes e referências
- Acadêmica O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Alguns de seus Principais Problemas - Raúl Prebisch (CEPAL) (1949)
- Acadêmica Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (1959)
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