No dia a dia
O que é, em palavras simples
A economia pode crescer para sempre? Quase todo manual responde que sim, em princípio. Nicholas Georgescu-Roegen respondeu que não, e foi buscar a razão na física, não na economia. Toda produção, dizia ele, é uma transformação: pega recursos concentrados e úteis (um minério, um combustível) e os converte em produtos e, no fim, em lixo e calor dispersos, que não dá para reunir de novo de graça. É a lei da entropia, da termodinâmica: a energia útil se degrada num caminho de mão única. Logo, a economia não é um moto-perpétuo isolado, e sim um processo que consome a baixa entropia do planeta, um estoque que não se repõe na velocidade em que o gastamos. Crescer indefinidamente num mundo finito, nessa visão, esbarra numa lei da natureza, não numa opinião política.
No seu bolso
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01
Baixa entropia
Recursos concentrados e úteis (minério, combustível)
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02
Produção
Transforma o útil em produto e em rejeito
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03
Alta entropia
Calor e lixo dispersos, irrecuperáveis de graça
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04
Limite físico
O estoque finito não se repõe no ritmo do gasto
Indo mais fundo
Como funciona
A lei da entropia e o processo econômico
Na obra The Entropy Law and the Economic Process (1971), Georgescu-Roegen reescreveu a economia a partir da segunda lei da termodinâmica. A produção não cria nem destrói matéria e energia (a primeira lei), mas degrada a sua qualidade: transforma o útil e concentrado no inútil e disperso (a segunda lei). Por isso ele chamava a economia de bioeconomia: um ramo da gestão dos recursos finitos da Terra, sujeito aos mesmos limites de qualquer sistema vivo. A imagem do fluxo circular dos manuais, em que produção e consumo giram para sempre sem perda, era, para ele, uma ficção que ignorava de onde vêm os recursos e para onde vai o lixo.
Contra o crescimento sem fim
A conclusão era desconfortável: não existe tecnologia que revogue a termodinâmica. A reciclagem ajuda, mas custa energia e nunca é completa; a eficiência adia, mas não elimina o consumo de baixa entropia. Daí sua simpatia por uma economia que reduzisse o ritmo de extração, ideia que inspiraria o movimento do decrescimento. Não era pessimismo gratuito: era a recusa de tratar a natureza como um detalhe externo à economia.
Visão técnica
A leitura da escola Ecológica
A trajetória de Georgescu-Roegen dá peso ao argumento, em atribuição indireta fiel à obra: antes da virada ecológica, ele foi um economista matemático de primeira linha, elogiado por Paul Samuelson e Joseph Schumpeter, o que torna sua crítica ao mainstream a de alguém que dominava o instrumental que passou a questionar. Sua ruptura foi acusar a economia neoclássica de ter copiado a mecânica do século 19 (sistemas reversíveis, sem tempo nem perda) e ignorado a termodinâmica, a física que de fato descreve a produção. A crítica de praxe é substancial e veio dos dois lados. Economistas do crescimento respondem que a substituição de recursos e o progresso técnico afrouxam os limites físicos muito mais do que ele supunha, e que sua versão forte (a de que até a matéria reciclável se degrada irreversivelmente, a polêmica quarta lei que propôs) é contestada pelos físicos. Já parte dos ecologistas o acha rígido demais. Mas a contribuição estrutural sobreviveu: a economia ecológica, que trata a economia como subsistema de uma biosfera finita, nasceu dele e de seu aluno Herman Daly, e a distinção entre essa abordagem e a economia ambiental neoclássica (que apenas coloca preço nas externalidades, sem questionar a escala) é hoje uma divisão de campo. No grafo deste pilar, Georgescu-Roegen é a raiz da economia ecológica, ligado ao crescimento econômico que critica e às externalidades que o problema o obriga a repensar.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que reciclagem resolve tudo
Confundir economia ecológica com economia ambiental
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Perguntas frequentes
O que é a bioeconomia de Georgescu-Roegen? +
A ideia de tratar a economia como um ramo da gestão dos recursos finitos da Terra, sujeito à lei da entropia: toda produção transforma recursos concentrados e úteis em lixo e calor dispersos, num caminho de mão única. Por isso, num planeta finito, o crescimento material não pode ser eterno.
Por que ele dizia que o crescimento eterno é impossível? +
Porque a economia consome a baixa entropia do planeta (recursos úteis e concentrados), um estoque que não se repõe no ritmo em que é gasto. A tecnologia e a reciclagem adiam o limite, mas não revogam a termodinâmica que o impõe.
Fontes e referências
- Acadêmica The Entropy Law and the Economic Process - Nicholas Georgescu-Roegen (1971)
- Acadêmica Analytical Economics: Issues and Problems - Nicholas Georgescu-Roegen (1966)
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