No dia a dia
O que é, em palavras simples
Nos anos 1990, os "tigres asiáticos" (Tailândia, Coreia do Sul, Indonésia e vizinhos) cresciam rápido e atraíam muito capital estrangeiro. Boa parte desse dinheiro era de curto prazo e podia ir embora a qualquer momento. Em 1997, a desconfiança começou na Tailândia, os investidores correram para tirar o capital, e as moedas despencaram uma após a outra, num contágio que pegou a região inteira. Países que eram exemplo de sucesso entraram em recessão profunda, e muitos tiveram que pedir socorro ao FMI, com condições duras em troca.
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A mecânica do contágio
Muitos desses países mantinham o câmbio mais ou menos fixo em relação ao dólar e tinham se endividado em moeda estrangeira. Quando a confiança virou, defender o câmbio queimava reservas rapidamente; ao deixar a moeda flutuar, ela desabava, e a dívida em dólar explodia em moeda local. O pânico se espalhou de país em país: investidores tratavam a região como um bloco e fugiam de todos ao mesmo tempo.
O socorro controverso
O FMI emprestou para conter o estrago, mas exigiu, em contrapartida, juros altos e aperto fiscal, receita que muitos economistas consideraram contraproducente numa crise de confiança, pois aprofundava a recessão. O episódio virou um marco do debate sobre os riscos de abrir a conta de capital sem salvaguardas e sobre o acerto das condicionalidades do FMI.
Visão técnica
Visão técnica
A crise asiática é leitura obrigatória sobre a trindade impossível: nenhum país consegue ter, ao mesmo tempo, câmbio fixo, livre movimento de capital e política monetária autônoma. Os tigres tentaram combinar câmbio quase fixo com abertura financeira plena, e a crise foi o preço de querer os três. Quando o capital de curto prazo decidiu sair, ou se defendia o câmbio (sacrificando a economia com juros altos e reservas) ou se deixava a moeda cair (estourando as dívidas em dólar). Não havia saída indolor.
O episódio alimentou duas correntes de crítica. Uma, associada a Joseph Stiglitz, questionou a abertura indiscriminada da conta de capital e as condicionalidades pró-cíclicas do FMI, que teriam transformado uma crise de liquidez em colapso. Outra leitura, mais alinhada ao receituário ortodoxo, atribuiu a crise ao "capitalismo de compadrio" e à fragilidade institucional local. A lição prática foi assimilada: depois de 1997, economias emergentes, o Brasil incluído, passaram a acumular grandes reservas internacionais como autosseguro contra fugas de capital, e o câmbio flutuante ganhou defensores. A crise conecta-se diretamente ao Consenso de Washington, cujo item da liberalização financeira saiu dela bastante arranhado.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que abertura financeira é sempre benéfica
Supor que o resgate do FMI resolveu sem custos
Veja também
Conceitos conectados
Câmbio
O preço de uma moeda em relação a outra: quanto custa um dólar em reais, e o que isso muda nos preços, nas viagens e na economia.
Reservas internacionais
O estoque de moeda estrangeira que o Banco Central mantém, centenas de bilhões de dólares, como seguro contra crises cambiais e fugas de capital.
Trindade impossível
O trilema das economias abertas: câmbio fixo, capital livre e juros próprios. Escolha dois, porque os três juntos não param em pé.
Joseph Stiglitz
O americano (1943-) que generalizou a falha de informação: rastreamento, racionamento de crédito e salários de eficiência. Nobel de 2001 e crítico interno da globalização.
Consenso de Washington
O conjunto de dez reformas pró-mercado que John Williamson catalogou em 1989 como a receita dominante para a América Latina, e que viraria sinônimo de neoliberalismo e alvo da crítica estruturalista.
Perguntas frequentes
O que causou a crise asiática de 1997? +
A fuga súbita de capital estrangeiro de curto prazo de economias que mantinham câmbio quase fixo e se endividavam em moeda estrangeira. Começou na Tailândia e se espalhou por contágio: ao deixar as moedas flutuarem, elas desabaram e as dívidas em dólar explodiram, jogando os tigres asiáticos em recessão.
Qual foi a lição da crise asiática? +
Que abrir a conta de capital sem salvaguardas é arriscado, e que defender câmbio fixo com plena mobilidade de capital é insustentável (a trindade impossível). Desde então, economias emergentes acumulam grandes reservas internacionais como autosseguro, e o debate sobre as condicionalidades do FMI ganhou força.
Fontes e referências
- Acadêmica Globalization and Its Discontents - Joseph Stiglitz (2002)
- Primária Fundo Monetário Internacional: a crise financeira asiática - Fundo Monetário Internacional
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