No dia a dia
O que é, em palavras simples
Alguns produtos vivem em pares. Os substitutos competem entre si: se o preço da manteiga sobe, muita gente troca pela margarina. Os complementares andam juntos: se o preço da gasolina dispara, vende-se menos carro. Entender essas relações é entender que o preço de um produto raramente afeta só a procura dele mesmo, e quase sempre respinga nos vizinhos de prateleira.
No seu bolso
Como um preço mexe no outro
Substitutos
- ›Um no lugar do outro
- ›Preço de um sobe, procura do outro aumenta
Complementares
- ›Usados juntos
- ›Preço de um sobe, procura do outro cai
Indo mais fundo
Como funciona
Substitutos: rivais de prateleira
Substitutos são bens que satisfazem a mesma necessidade. Quando o preço de um sobe, a procura pelo outro aumenta, porque os consumidores migram. Café e chá, Uber e táxi, cinema e streaming. Quanto mais parecidos, mais forte a substituição.
Complementares: parceiros de consumo
Complementares são usados em conjunto. Quando o preço de um sobe, a procura pelo outro cai, porque consumir um sem o outro perde a graça. Carro e gasolina, impressora e cartucho, videogame e jogos. O destino dos dois está amarrado.
Visão técnica
Visão técnica
A ferramenta técnica que mede essas relações é a elasticidade cruzada da demanda, que capta quanto a procura por um bem reage à variação de preço de outro. Quando esse valor é positivo, os bens são substitutos: o preço de um sobe e a procura do outro aumenta. Quando é negativo, são complementares: o preço de um sobe e a procura do outro cai. Quando é próximo de zero, os bens são independentes. Esse conceito, parte do arcabouço marginalista consolidado por Alfred Marshall, tem aplicações práticas que vão da estratégia de preços de empresas, que precificam impressoras baratas para lucrar com cartuchos caros, à análise antitruste, que usa a substituição para definir os limites de um mercado e avaliar fusões.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Olhar só o preço do próprio produto
Confundir substituto com complementar
Veja também
Conceitos conectados
Oferta e demanda
A força que forma os preços: a oferta cresce quando o preço sobe, a procura cai, e o encontro das duas define o preço de mercado.
Elasticidade
A medida de quanto a quantidade procurada de um bem reage a uma mudança no seu preço: alguns são sensíveis, outros quase indiferentes.
Alfred Marshall
O inglês (1842-1924) que deu à economia sua caixa de ferramentas: oferta e demanda em tesoura, elasticidade, curto e longo prazo. O professor de quem todos descendem.
Perguntas frequentes
O que é elasticidade cruzada da demanda? +
É a medida de quanto a procura por um bem reage à mudança de preço de outro. Positiva indica substitutos; negativa, complementares; próxima de zero, bens independentes.
Por que isso importa para as empresas? +
Porque define estratégias de preço (vender barato o produto principal e lucrar com o complementar) e ajuda a entender a concorrência, já que substitutos próximos são rivais diretos.
Fontes e referências
- Acadêmica Princípios de Economia - Alfred Marshall (1890)
- Acadêmica Microeconomia - Hal Varian (2015)
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