No dia a dia
O que é, em palavras simples
A natureza trabalha o tempo todo para a economia, de graça. As abelhas polinizam as lavouras; as florestas filtram a água e regulam as chuvas; os mangues protegem o litoral; o solo recicla nutrientes. Esses são os serviços ecossistêmicos: benefícios reais e valiosos que sustentam a agricultura, as cidades e a vida. O problema é que, como não têm preço nem dono, ninguém paga por eles, e por isso são destruídos sem que o prejuízo apareça, até faltar.
No seu bolso
Indo mais fundo
Como funciona
Quatro tipos
Costuma-se agrupar os serviços ecossistêmicos em quatro famílias: de provisão (água, alimento, madeira), de regulação (clima, polinização, controle de enchentes), culturais (turismo, lazer, valor espiritual) e de suporte (ciclo de nutrientes, formação do solo). Boa parte da economia depende deles sem perceber.
Por que o mercado os ignora
Serviços ecossistêmicos têm cara de bem público e de externalidade positiva: beneficiam a todos, ninguém consegue cobrar por eles, e quem os preserva não é recompensado. O resultado é que o mercado, sozinho, os subproduz e os destrói. Daí instrumentos como o pagamento por serviços ambientais, que remunera quem mantém uma floresta em pé pelos serviços que ela presta.
Visão técnica
Visão técnica
Serviços ecossistêmicos são um caso de manual de falha de mercado: combinam características de bem público (não rival, não exclusivo) e de externalidade positiva. Como ninguém consegue cobrar pela polinização ou pela regulação do clima, o agente privado que decide entre preservar e desmatar enxerga só o ganho do desmatamento, ignorando o serviço perdido, que recai sobre terceiros. O resultado previsível, na lógica microeconômica, é a subprovisão e a destruição: o mercado falha porque os preços não carregam a informação do valor ecossistêmico.
A resposta econômica é tentar internalizar esse valor. O estudo de Costanza e colegas (1997) buscou estimá-lo monetariamente, e instrumentos como o pagamento por serviços ambientais (PSA) criam um fluxo de remuneração para quem mantém o serviço, transformando a externalidade positiva em renda, a lógica de Pigou e de Coase aplicada à natureza. Há, porém, uma tensão de fundo, levantada pela economia ecológica e por críticos da "mercantilização da natureza": atribuir preço a serviços vitais pode subestimá-los (quanto vale uma atmosfera respirável?) e abrir a porta para tratá-los como negociáveis quando talvez devessem ser invioláveis. O conceito é, assim, ao mesmo tempo uma ferramenta poderosa para tornar visível o valor da natureza e um campo de disputa sobre os limites de precificar a vida.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que serviço de graça é serviço sem valor
Supor que precificar resolve sozinho
Veja também
Conceitos conectados
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Bem público
Um bem cujo uso por uma pessoa não impede o de outra e do qual é difícil excluir quem não paga: como a iluminação pública ou a defesa nacional.
Ronald Coase
O inglês (1910-2013) que fez as duas perguntas mais férteis da economia institucional: por que empresas existem? E se os direitos fossem negociáveis? Nobel de 1991.
Arthur Pigou
O inglês (1877-1959) que fundou a economia do bem-estar: externalidades, o imposto pigouviano e a fatura do poluidor. O alvo de Keynes e de Coase, e o vencedor silencioso do século.
Capital natural
A natureza vista como um estoque de ativos, florestas, água, solo, clima, que rende à economia um fluxo de recursos e serviços, e cuja exaustão é um custo invisível no PIB.
Perguntas frequentes
O que são serviços ecossistêmicos? +
São os benefícios que a natureza presta à economia e à sociedade: polinização, água limpa, regulação do clima, controle de enchentes, formação do solo, entre outros. Sustentam a agricultura e a vida nas cidades, mas, por não terem preço, costumam ser destruídos sem que o prejuízo apareça.
Por que o mercado destrói os serviços ecossistêmicos? +
Porque eles são bens públicos e externalidades positivas: ninguém consegue cobrar por eles, e quem preserva não é recompensado. Sem preço, o mercado subproduz e destrói. Instrumentos como o pagamento por serviços ambientais tentam corrigir isso, remunerando quem mantém o serviço.
Fontes e referências
- Primária Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - Governo Federal do Brasil
- Acadêmica The value of the world's ecosystem services and natural capital - Robert Costanza et al. (Nature) (1997)
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