No dia a dia
O que é, em palavras simples
Você comprou um ingresso caro para um show. No dia, está doente e caindo um temporal. Mesmo assim você vai, "para não perder o dinheiro que paguei", e passa mal a noite toda. Repare: o dinheiro do ingresso já se foi, indo ou não ao show. A decisão sensata era olhar só o hoje, sentir-se mal em casa ou pior no show. Insistir por causa do que já gastou é a falácia do custo afundado.
No seu bolso
O que pesar na decisão
Olhar o custo afundado
- ›Insiste por causa do já gasto
- ›Agrava o prejuízo
Olhar para a frente
- ›Decide pelo custo e benefício futuros
- ›Estanca a perda
Indo mais fundo
Como funciona
O que já era, já era
Custo afundado é todo gasto que não volta, faça você o que fizer. A lógica econômica é clara: como ele não muda com a sua decisão de agora, deveria ser ignorado. O que importa para qualquer escolha é o custo e o benefício daqui para a frente. A falácia é deixar o passado irrecuperável pesar numa decisão que só diz respeito ao futuro.
Por que caímos nela
O motivo é psicológico. Desistir parece transformar o gasto em perda admitida, e a aversão à perda nos faz fugir disso. Também não gostamos de admitir que erramos. Então seguimos jogando bom dinheiro (ou tempo) atrás do que já se perdeu, agravando o prejuízo em vez de estancá-lo.
Visão técnica
A leitura da escola Comportamental
A falácia do custo afundado opõe-se a um princípio básico da análise econômica racional: custos afundados são irrelevantes para decisões, que deveriam considerar apenas custos e benefícios marginais, isto é, dali para a frente. Richard Thaler trouxe o fenômeno para a economia comportamental, ilustrando-o com casos cotidianos, como o de quem enfrenta uma nevasca para usar um ingresso já pago, mas não iria se o ingresso tivesse sido de graça.
O viés tem raízes na aversão à perda (encarar o gasto como perda definitiva dói) e na dificuldade de admitir erros. Aparece em grande escala no chamado efeito Concorde, quando governos e empresas mantêm projetos fracassados porque já investiram fortunas neles, agravando o rombo. A defesa é treinar a pergunta certa: ignorando o que já gastei, esta decisão ainda vale a pena a partir de agora? Por isso a falácia do custo afundado é, em certo sentido, o oposto prático do raciocínio por custo de oportunidade, que olha para a frente, para o que se ganha ou se perde com a próxima escolha.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Misturar custo afundado com custo futuro
Achar que desistir é sempre fracasso
Conceito oposto
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
Vieses cognitivos
Atalhos mentais que distorcem decisões de forma sistemática: úteis para sobreviver, traiçoeiros na hora de lidar com dinheiro.
Economia comportamental
O ramo que junta economia e psicologia: as pessoas não decidem como o agente racional dos modelos, e seus vieses previsíveis moldam escolhas de consumo, poupança e investimento.
Richard Thaler
O americano (1945-) que transformou as anomalias humanas em programa econômico: contabilidade mental, nudges e a economia comportamental aplicada. Nobel de 2017.
Perguntas frequentes
O que é a falácia do custo afundado? +
É o erro de continuar investindo dinheiro, tempo ou esforço em algo só porque já se gastou nele. Como o que já foi gasto não volta, ele deveria ser irrelevante: a decisão racional considera apenas os custos e benefícios daqui para a frente.
O que é o efeito Concorde? +
É a falácia do custo afundado em grande escala: governos ou empresas que mantêm um projeto fracassado porque já investiram muito nele, agravando o prejuízo. O nome vem do avião Concorde, tocado adiante apesar de inviável economicamente.
Fontes e referências
- Acadêmica The Psychology of Sunk Cost (Organizational Behavior and Human Decision Processes) - Hal Arkes e Catherine Blumer (1985)
- Acadêmica Misbehaving: A Construção da Economia Comportamental - Richard Thaler (2015)
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