BlogdoBrasil
Pensadores Nível 2 Básico

Mariana Mazzucato

também conhecido como: Mazzucato

A ítalo-americana (1968-) que virou o debate sobre inovação: o Estado como investidor de primeira hora, das tecnologias do iPhone às missões. A economista mais influente da política industrial atual.

Redação Blog do Brasil atualizado em 05 de julho de 2026 escola Evolucionária

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Abra o smartphone e siga o dinheiro: internet, GPS, tela sensível ao toque, assistente de voz, cada tecnologia fundadora nasceu de financiamento público, de agências militares a institutos de saúde, décadas antes de virar produto. A constatação organiza O Estado Empreendedor (2013), de Mariana Mazzucato: o Estado não é só o corretor de falhas do manual, é investidor de primeira hora nos riscos que nenhum capital privado toca, e a narrativa que o pinta como atrapalhador prepara o bolso público para socializar perdas e privatizar ganhos. Da SPRU de Sussex (a linhagem de Freeman registrada neste pilar), ela virou a voz mais influente da política industrial contemporânea.

No seu bolso

GPS, internet, tela de toque e voz: o smartphone no seu bolso é o estudo de caso de Mazzucato, cada camada fundadora financiada por dinheiro público décadas antes do produto.
Anatomia do conceito
  1. 01

    SPRU, Sussex

    A linhagem da economia da inovação

  2. 02

    Estado Empreendedor (2013)

    O investidor de primeira hora revelado

  3. 03

    O Valor de Tudo (2018)

    Criação contra extração de valor

  4. 04

    Missão Economia (2021)

    O modelo Apollo para a transição verde

Indo mais fundo

Como funciona

Do Estado empreendedor às missões

A sequência da obra constrói o programa. O Estado Empreendedor documenta o financiador paciente por trás das revoluções tecnológicas (e pergunta: se o público assume o risco da primeira hora, por que não partilha o retorno?). O Valor de Tudo (2018) reabre a pergunta clássica: quem cria valor e quem só o extrai, com a financeirização no banco dos réus. E Missão Economia (2021) converte tudo em método: em vez de subsidiar setores, o Estado define missões (o modelo Apollo: ir à Lua) que puxam inovação de muitos setores ao mesmo tempo, com a transição verde como a missão da geração.

A influência e o contraditório

Poucas economistas vivas têm tanta digital em governos: missões na política de inovação europeia, conselhos de organismos internacionais a ministérios (Brasil incluído, no debate recente de política industrial). E poucas atraem crítica tão sistemática, registrada pelo protocolo deste portal: os casos de sucesso são selecionados (os fracassos públicos não entram na conta, o viés de seleção do nosso termo), a fronteira entre financiar pesquisa básica (consenso) e escolher tecnologias (disputa) fica borrada, e a escolha pública lembra que missões também são capturáveis. A réplica dela: o risco de capturar não some quando o Estado se ausenta, só muda de captor.

Visão técnica

A leitura da escola Evolucionária

O programa mazzucatiano, em atribuição indireta fiel à obra, reposiciona o Estado na gramática da inovação: não corretor ex-post de falhas de mercado, mas criador e modelador de mercados (market-shaping), assumindo a incerteza radical da primeira hora que o capital privado, por construção, evita, a tese documentada nos estudos de caso (as cadeias tecnológicas do iPhone, a pesquisa farmacêutica básica) e teorizada na linhagem que este pilar mapeia: Schumpeter pela inovação, Nelson e Winter pelas capacidades, Keynes pela incerteza, Polanyi pelos mercados como construções. As proposições operacionais derivadas: portfólios públicos de risco com participação nos retornos (royalties, equity, condicionalidades de reinvestimento), bancos públicos de desenvolvimento como investidores pacientes (o BNDES entra no debate dela), e as missões como mecanismo de coordenação que define direção sem ditar solução.

O contraditório acadêmico é parte do termo: a crítica empírica (McCloskey e outros) acusa seleção de casos e subestimação dos fracassos públicos; a crítica de desenho (a literatura de escolha pública e a experiência latino-americana de campeões nacionais) lembra que a capacidade estatal que o modelo exige é exatamente o que falta onde ele é mais vendido; e a réplica do programa aponta os contraexemplos institucionais (DARPA, os bancos de desenvolvimento bem governados) como prova de que capacidade se constrói, com desenho de governança no lugar de fé. Para o leitor brasileiro, o debate é imediato: a nova política industrial nacional fala o vocabulário de missões, e os termos vizinhos (subsídio, escolha pública, guerra fiscal, privatização) fornecem o kit de perguntas que qualquer missão séria deve responder: adicionalidade, condicionalidade, avaliação e porta de saída. No grafo, Mazzucato fecha a linhagem Sussex iniciada em Nelson e Winter e reabre, com instrumentos do século 21, a pergunta de Smith sobre o que o Estado deve fazer.

No mercado

A política industrial verde que dominou a década (dos pacotes americanos à europeia, com eco no Brasil) fala o vocabulário dela: missões, condicionalidades e o Estado modelador de mercados.

Atenção

Mitos e erros comuns

Ler a tese como cheque em branco ao Estado

O programa exige exatamente o que é raro: capacidade estatal, governança, avaliação e porta de saída. Sem o kit (adicionalidade, condicionalidade), missão vira subsídio com marketing, e a própria autora o diz.

Ignorar o viés de seleção dos casos

Os sucessos públicos documentados convivem com fracassos que a narrativa não conta, a crítica empírica padrão. A leitura honesta pesa o portfólio inteiro, como manda nosso termo de viés de seleção.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que diz a tese do Estado empreendedor? +

Que o Estado historicamente financiou a primeira hora das revoluções tecnológicas (internet, GPS, biotecnologia), assumindo riscos que o capital privado evita, e que a narrativa do Estado atrapalhador prepara a socialização de perdas com privatização de ganhos. Mazzucato propõe que o público partilhe também os retornos.

O que é a economia de missões? +

O método de Missão Economia (2021): em vez de subsidiar setores, definir missões concretas (o modelo Apollo) que puxam inovação de muitos setores com direção clara e solução aberta, a transição verde como exemplo maior. As críticas pedem o kit de governança: adicionalidade, avaliação e porta de saída.

Fontes e referências

  • Acadêmica O Estado Empreendedor - Mariana Mazzucato (2013)
  • Acadêmica Missão Economia - Mariana Mazzucato (2021)

Sua conta gratuita

Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.

Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.

Receba o dicionário no e-mail

Um conceito de economia explicado por semana.

Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.

Continue lendo

Artigos sobre o tema