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Teoria econômica Nível 4 Avançado

Racionalidade limitada

também conhecido como: racionalidade restrita, bounded rationality

O conceito de Herbert Simon: como mente, tempo e informação são limitados, não buscamos a decisão ótima, mas uma que seja boa o suficiente (o satisficing).

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Comportamental

No dia a dia

O que é, em palavras simples

A teoria econômica tradicional supõe que escolhemos sempre a melhor opção possível. Herbert Simon, Nobel de 1978, achou isso irreal. Nenhuma mente, por mais brilhante, consegue mapear e comparar todas as alternativas de um problema complexo. Então fazemos algo mais modesto e mais humano: paramos na primeira solução que parece boa o bastante. Simon batizou esse comportamento de satisficing, palavra que junta satisfazer e bastar.

No seu bolso

Ao escolher um restaurante, você não compara todos os da cidade. Para no primeiro que parece bom o bastante. Isso é satisficing, a racionalidade limitada em ação.
Anatomia do conceito

Otimizar ou satisfazer

Racionalidade plena

  • Compara todas as opções
  • Escolhe a ótima

Racionalidade limitada

  • Usa atalhos e regras simples
  • Para no bom o bastante

Indo mais fundo

Como funciona

O ótimo custa caro demais

Encontrar a melhor escolha exige informação, tempo e capacidade de cálculo que quase nunca temos. Diante disso, o comportamento racional não é buscar o ótimo a qualquer custo, mas economizar esforço e decidir com o que está ao alcance.

Satisficing

No lugar de otimizar, usamos regras simples e atalhos, as heurísticas, e encerramos a busca quando a opção atinge um nível aceitável. Essa ideia abriu caminho para a economia comportamental, que detalharia os atalhos e vieses por trás dessas decisões.

Visão técnica

A leitura da escola Comportamental

Herbert Simon cunhou a expressão racionalidade limitada para descrever a decisão humana real, presa entre a ambição de ser racional e os limites concretos da mente. A formulação clássica está em Models of Man (1957):

"A capacidade da mente humana para formular e resolver problemas complexos é muito pequena diante do tamanho dos problemas cuja solução é exigida para um comportamento objetivamente racional no mundo real." (Herbert Simon, Models of Man, 1957)

A racionalidade, em Simon, não é nem ilimitada (como na teoria neoclássica) nem ausente (como num agente caótico): é limitada por informação incompleta, tempo escasso e capacidade cognitiva finita. Daí o satisficing, parar no suficiente, em vez do maximizing. O conceito influenciou a teoria das organizações, a economia comportamental e a inteligência artificial, campo do qual Simon foi um dos pioneiros. É a base cognitiva sobre a qual Kahneman e Tversky mapeariam os vieses.

No mercado

Empresas raramente encontram a estratégia ótima. Adotam a que resolve o problema de forma aceitável, dado o que sabem no momento. É a racionalidade limitada dentro das organizações.

Atenção

Mitos e erros comuns

Confundir limitada com ausência de razão

A racionalidade limitada é racionalidade de verdade, apenas sujeita a restrições de mente, tempo e informação. Não é irracionalidade.

Tratar o satisficing como preguiça

Parar no bom o bastante é, muitas vezes, a resposta racional ao custo de continuar buscando o ótimo. Otimizar tudo seria, em geral, inviável.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é satisficing? +

É o comportamento, descrito por Herbert Simon, de buscar uma solução boa o suficiente em vez da ótima. A palavra junta satisfazer e bastar e descreve como decidimos quando mente, tempo e informação são limitados.

Qual a relação com a economia comportamental? +

A racionalidade limitada é a base conceitual da economia comportamental. Simon estabeleceu que a razão tem limites, e Kahneman e Tversky depois detalharam os vieses e atalhos concretos que surgem desses limites.

Fontes e referências

  • Acadêmica Models of Man - Herbert Simon (1957)
  • Acadêmica Comportamento Administrativo - Herbert Simon (1947)

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