No dia a dia
O que é, em palavras simples
A teoria econômica tradicional supõe que escolhemos sempre a melhor opção possível. Herbert Simon, Nobel de 1978, achou isso irreal. Nenhuma mente, por mais brilhante, consegue mapear e comparar todas as alternativas de um problema complexo. Então fazemos algo mais modesto e mais humano: paramos na primeira solução que parece boa o bastante. Simon batizou esse comportamento de satisficing, palavra que junta satisfazer e bastar.
No seu bolso
Otimizar ou satisfazer
Racionalidade plena
- ›Compara todas as opções
- ›Escolhe a ótima
Racionalidade limitada
- ›Usa atalhos e regras simples
- ›Para no bom o bastante
Indo mais fundo
Como funciona
O ótimo custa caro demais
Encontrar a melhor escolha exige informação, tempo e capacidade de cálculo que quase nunca temos. Diante disso, o comportamento racional não é buscar o ótimo a qualquer custo, mas economizar esforço e decidir com o que está ao alcance.
Satisficing
No lugar de otimizar, usamos regras simples e atalhos, as heurísticas, e encerramos a busca quando a opção atinge um nível aceitável. Essa ideia abriu caminho para a economia comportamental, que detalharia os atalhos e vieses por trás dessas decisões.
Visão técnica
A leitura da escola Comportamental
Herbert Simon cunhou a expressão racionalidade limitada para descrever a decisão humana real, presa entre a ambição de ser racional e os limites concretos da mente. A formulação clássica está em Models of Man (1957):
"A capacidade da mente humana para formular e resolver problemas complexos é muito pequena diante do tamanho dos problemas cuja solução é exigida para um comportamento objetivamente racional no mundo real." (Herbert Simon, Models of Man, 1957)
A racionalidade, em Simon, não é nem ilimitada (como na teoria neoclássica) nem ausente (como num agente caótico): é limitada por informação incompleta, tempo escasso e capacidade cognitiva finita. Daí o satisficing, parar no suficiente, em vez do maximizing. O conceito influenciou a teoria das organizações, a economia comportamental e a inteligência artificial, campo do qual Simon foi um dos pioneiros. É a base cognitiva sobre a qual Kahneman e Tversky mapeariam os vieses.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir limitada com ausência de razão
Tratar o satisficing como preguiça
Veja também
Conceitos conectados
Assimetria de informação
A situação em que uma parte de um negócio sabe mais que a outra: o vendedor que conhece o defeito, o tomador que conhece o próprio risco.
Incentivos
As recompensas e punições que moldam as decisões: entender os incentivos é entender por que as pessoas fazem o que fazem.
Economia comportamental
O ramo que junta economia e psicologia: as pessoas não decidem como o agente racional dos modelos, e seus vieses previsíveis moldam escolhas de consumo, poupança e investimento.
Daniel Kahneman
O psicólogo israelense (1934-2024) que mapeou, com Amos Tversky, os erros sistemáticos da mente humana, e ganhou o Nobel de economia (2002) sem nunca ter cursado economia.
Herbert Simon
O americano (1916-2001) que trocou o maximizador onisciente pelo decisor real: racionalidade limitada e satisficing. Nobel de economia, pioneiro da inteligência artificial.
Amos Tversky
O psicólogo israelense (1937-1996) que, com Daniel Kahneman, mostrou que a mente humana decide por atalhos sistemáticos. Morreu antes do Nobel que coroou o trabalho de ambos, e que o prêmio não dá a quem já partiu.
Perguntas frequentes
O que é satisficing? +
É o comportamento, descrito por Herbert Simon, de buscar uma solução boa o suficiente em vez da ótima. A palavra junta satisfazer e bastar e descreve como decidimos quando mente, tempo e informação são limitados.
Qual a relação com a economia comportamental? +
A racionalidade limitada é a base conceitual da economia comportamental. Simon estabeleceu que a razão tem limites, e Kahneman e Tversky depois detalharam os vieses e atalhos concretos que surgem desses limites.
Fontes e referências
- Acadêmica Models of Man - Herbert Simon (1957)
- Acadêmica Comportamento Administrativo - Herbert Simon (1947)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.