No dia a dia
O que é, em palavras simples
Durante quase toda a história, a renda por pessoa quase não subiu. Por quê? Thomas Malthus, no fim do século 18, deu uma resposta sombria. Toda vez que melhora a produção de alimentos e sobra comida, as pessoas têm mais filhos e a população cresce. Mais bocas consomem o excedente, e a renda por pessoa volta ao ponto de partida. É como uma esteira: por mais que se corra, fica-se no mesmo lugar. Essa é a armadilha malthusiana.
No seu bolso
Por que a renda travava
Mundo malthusiano
- ›Mais comida vira mais gente
- ›Renda por pessoa estagnada
Após a Revolução Industrial
- ›Produção supera a população
- ›Renda por pessoa enfim sobe
Indo mais fundo
Como funciona
Duas progressões em descompasso
O argumento de Malthus apoia-se num contraste. A população, sem freios, cresceria em progressão geométrica (2, 4, 8, 16...), enquanto a produção de alimentos cresceria apenas em progressão aritmética (2, 3, 4, 5...). Cedo ou tarde, a população alcançaria o limite dos alimentos, e aí entrariam os freios: fome, doença e guerra, que voltavam a reduzir a população.
Como o mundo escapou
A previsão descrevia bem o passado, mas falhou para o futuro do mundo desenvolvido. A Revolução Industrial fez a produção crescer mais rápido que a população, e, com o desenvolvimento, as famílias passaram a ter menos filhos. O Ocidente escapou da armadilha. Entender como alguns países saíram dela, e por que outros demoraram, é um tema central da economia do desenvolvimento.
Visão técnica
A leitura da escola Clássica
A armadilha tem origem no Ensaio sobre o Princípio da População (1798), de Thomas Malthus, clérigo e economista clássico. O núcleo do argumento está na comparação entre dois ritmos de crescimento:
"A população, quando não controlada, cresce em progressão geométrica. Os meios de subsistência crescem apenas em progressão aritmética." (Thomas Malthus, Ensaio sobre o Princípio da População, 1798)
Dessa assimetria Malthus deduzia que a melhoria material seria sempre temporária: qualquer aumento de renda seria neutralizado pelo crescimento populacional, mantendo a maioria perto da subsistência. A história lhe deu razão para milênios de economia pré-industrial, mas não para o que veio depois. Ele subestimou a força do progresso técnico, que fez a produção disparar, e a transição demográfica, a queda da natalidade que acompanha o desenvolvimento. O conceito segue vivo na economia do crescimento para descrever a estagnação de longo prazo e o desafio de escapar dela, e ecoa em debates sobre recursos, sustentabilidade e limites.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Dizer que Malthus simplesmente errou
Confundir com superpopulação atual
Veja também
Conceitos conectados
Produtividade
Quanto se produz com os recursos disponíveis: o motor silencioso que, no longo prazo, decide se um país enriquece ou estagna.
Desenvolvimento econômico
A transformação que melhora de forma duradoura a vida de uma população: mais do que crescer o PIB, é mudar a estrutura econômica e ampliar liberdades.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Thomas Malthus
O clérigo inglês (1766-1834) que previu fome eterna na véspera da maior explosão de abundância da história: descreveu corretamente dez mil anos de mundo e errou justamente o futuro.
Perguntas frequentes
O que é a armadilha malthusiana? +
É a tese de Thomas Malthus de que a população cresce mais rápido que a produção de alimentos, de modo que todo ganho de renda é engolido por mais habitantes. O resultado é a renda por pessoa estagnar perto da subsistência, como aconteceu por quase toda a história.
Por que a previsão de Malthus não se cumpriu? +
Porque ele subestimou dois fatores. A Revolução Industrial fez a produção crescer mais rápido que a população, e o desenvolvimento trouxe a queda da natalidade. Juntos, eles permitiram que a renda por pessoa subisse de forma sustentada no mundo desenvolvido.
Fontes e referências
- Acadêmica Ensaio sobre o Princípio da População - Thomas Malthus (1798)
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